Ex-marido planejou cativeiro e comprou cordas e algemas para manter mulher presa em Águas Lindas, segundo PM
24 agosto 2026 às 11h01

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O ex-marido e suspeito de sequestrar Emiliane Tamara, encontrada em cárcere privado na sexta-feira, 21, em Águas Lindas de Goiás, teria planejado o crime e preparado o imóvel usado para mantê-la presa. Segundo o subtenente Lino, que participou do resgate da mulher, o homem comprou cordas, algemas, correntes, cadeados e uma máscara antes de levar a vítima para o local.
Em entrevista ao Jornal Opção, Lino afirmou que o suspeito apresentava um forte sentimento de posse em relação à ex-companheira. Os dois haviam encerrado o relacionamento em dezembro, mas, segundo o relato, ele continuou procurando a mulher. A defesa afirma que os fatos apresentados estão descontextualizados e que considera prematura qualquer manifestações sobre o mérito das acusações, veja a nota na íntegra no final da matéria.
A investigação começou depois que familiares de Emiliane divulgaram panfletos sobre o desaparecimento, registrado em 17 de agosto. A partir das informações repassadas à polícia, equipes de inteligência passaram a levantar endereços e pessoas relacionadas à vítima.
Suspeito tentou fugir da polícia
Os policiais localizaram o ex-marido e tentaram abordá-lo. De acordo com o subtenente Lino, ele fugiu e foi acompanhado pelas equipes até ser alcançado. Durante a abordagem, foram encontradas cartas em seu bolso.
A partir das informações obtidas durante a investigação, os policiais chegaram ao imóvel no Setor Jardim América 3, onde Emiliane era mantida presa. A casa tinha janelas fechadas com placas de madeira, além de portas e portões trancados com cadeados.
Os policiais precisaram arrombar a entrada para conseguir acessar o imóvel. Emiliane foi encontrada em um quarto, com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e correntes. Ela também estava com uma máscara no rosto, o que, segundo Lino, dificultava sua respiração e os pedidos de socorro.
O Corpo de Bombeiros foi chamado para retirar as correntes. A vítima recebeu atendimento e foi encaminhada ao Hospital Municipal de Águas Lindas de Goiás, onde chegou em estado de saúde estável.
Suspeito não demonstrou arrependimento
Segundo Lino, o homem não demonstrou arrependimento no momento da prisão. Ele teria afirmado que tinha um forte sentimento de posse em relação a Emiliane.
Ainda conforme o relato do subtenente, o suspeito teria usado um produto para fazer a mulher desmaiar antes de colocá-la em seu veículo e levá-la ao imóvel. A casa, segundo a polícia, já havia sido preparada para receber a vítima.
Os policiais localizaram no imóvel cordas, algemas, correntes, cadeados e uma máscara, objetos que, segundo a corporação, teriam sido utilizados para manter Emiliane presa.
Além disso, os policiais localizaram uma pistola calibre 9 mm na casa. A Polícia Civil e a perícia foram acionadas para investigar o caso e recolher possíveis vestígios.
O homem foi preso e encaminhado ao presídio de Águas Lindas de Goiás. Segundo a Polícia Militar, ele foi colocado à disposição da Justiça e é suspeito de responder por sequestro, estupro e cárcere privado.
Mulher foi encontrada após quatro dias
Emiliane estava desaparecida desde 17 de agosto e foi localizada quatro dias depois, na sexta-feira, 21. A ação terminou com a prisão do ex-marido e o resgate da vítima.
Lino afirmou que a forma como Emiliane foi encontrada chamou a atenção das equipes que participaram da ocorrência. Para o subtenente, o principal resultado da operação foi conseguir localizar a mulher com vida.
Veja a nota da defesa na íntegra:
A defesa esclarece que as investigações ainda estão em andamento e, neste momento, considera prematura qualquer manifestação conclusiva sobre o mérito das acusações atribuídas ao Sr. Ailton Rodrigues.
Diversas informações vêm sendo divulgadas e repercutidas publicamente antes mesmo da conclusão das apurações, algumas delas apresentadas de forma descontextualizada. Nem tudo é o que parece, e a versão atualmente exposta não pode ser tratada como verdade definitiva antes da análise integral dos elementos constantes dos autos.
A defesa não ignora a seriedade dos fatos investigados, mas ressalta que Ailton não pode ser previamente condenado pela opinião pública. É necessário respeitar o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e, sobretudo, a presunção de inocência.
Quanto às acusações específicas de sequestro, estupro, cárcere privado e demais fatos mencionados, a defesa, por cautela e responsabilidade profissional, não antecipará teses nem fará juízo definitivo sobre confissão, negativa ou individualização de condutas enquanto a investigação estiver em curso e sem o acesso e exame completo de todo o conjunto investigativo.
No momento oportuno, após a conclusão das apurações e análise técnica dos elementos produzidos, a defesa se manifestará detalhadamente sobre o mérito. Temos convicção de que a verdade dos fatos será devidamente esclarecida e que a correta individualização das condutas permitirá separar aquilo que efetivamente ocorreu daquilo que vem sendo atribuído ao investigado neste momento inicial.


