“Universo da música independente goiana está cada vez mais amplo”

Músico e diretor artístico da Fósforo Cultural, João Lucas fala do início do Grito do Rock que abre, atualmente, janelas para artistas diversos

Músico e diretor artístico da Fósforo Cultural, João Lucas fala do início do Grito do Rock que abre, atualmente, janelas para artistas diversos | Foto: Reprodução Suprassumo

Yago Rodrigues Alvim

O músico e diretor artístico da Fósforo Cultural, João Lucas, contou ao Opção Cultural um pouco mais do festival que há dez anos faz do carnaval uma festa rock’n roll. João fala do início do Grito Rock que, hoje na cidade, abre janelas para artistas diversos. Se antes, apenas o rock de garagem se distinguia do sertanejo goiano, hoje os músicos produzem sonoridades com influências cada vez mais diversas.

Desde o início, a Fósforo realiza o festival? Como percebem o crescimento do Grito?
A Fósforo realiza o Grito Rock desde sua primeira edição integrada; estamos na décima edição. O evento começou de forma menor, pois era um desafio competir com o carnaval tradicional. Porém, desde as primeiras edições, o Grito demostrou um potencial de crescimento muito bom, devido à carência de opções alternativas e falta de tradição no carnaval em si.

São dois dias com diversas bandas de sons variados. Quão valiosa é esta pluralidade sonora do festival, considerando, principalmente, uma cena musical goiana até então conhecida e talvez até estereotipada pelo sertanejo e rock de garagem?
Não só o Grito, como todos os eventos da Fósforo são pautados pela diversidade musical e cultural. Buscamos trabalhar dentro do universo da música independente, que é cada vez mais amplo. Temos, por exemplo, o som pesado das bandas Hellbenders, Overfuzz, DogMan e Dry. Os eletrônicos e modernos do Ara Macao e Stefanini. A boa música brasileira também é representada pelo Chá de Gim, Pó de Ser e Carne Doce. Preocupamo-nos sempre em agregar novíssimos artistas da cidade, a fim de trabalhar sua formação de público.

Qual a expectativa para o festival, que dá o pontapé inicial no calendário cultural musical da cidade, em um dos nossos lugares mais sagrados da arte, o Martim?
Saímos de um ano bem complicado para a produção cultural, dado os cenários político e econômico bastante complexos. Quase não foi possível realizar o evento por questões financeiras, falta de apoio. Porém, com essa dificuldade, foi bem importante para estabelecermos relação de confiança e parceria com fornecedores, bandas e principalmente com o público. Sem o apoio de toda esta cadeia, que é a base do nosso trabalho, o evento não seria viável. Focamos nas bandas locais, nas quais acreditamos serem fortes, exportamos música para o mundo atualmente e temos certeza que será uma grande festa. O Martim Cererê é o berço da música independente goiana. E a continuidade do projeto é de extrema importância para a sua consolidação. Esse é o nosso compromisso.

Por fim, quão significativa é, em tempos de marchinhas, uma festa rock’n roll?
O carnaval é uma festa multicultural bem diversificada no Brasil, de acordo com suas características regionais. Apostamos na novidade, respeitando as tradições. Tem espaço para todo mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.