Uma aventura musical pelos Alpes

Coro Sinfônico Jovem de Goiás realizou, no último mês de junho, na Suíça, a primeira turnê internacional de sua história. Grupo foi aclamado em suas apresentações, que incluíram o Consulado do Brasil em Genebra e a sede da Organização das Nações Unidas. Pequenos contratempos não tiraram o brilho desta experiência, narrada por quem viu tudo de pertinho

Apresentação no UNOG – Escritório das Nações Unidas em Genebra, com a presença do diretor geral do office da ONU em Genebra, Michael Moeller, e com a embaixadora Maria Luisa Escorel de Moraes, representante permanente alterna do Brasil junto às Nações Unidas | Foto: Divulgação

Reny Cruvinel
Especial para o Jornal Opção

Atravessar o Atlântico e cantar para os europeus é uma ideia cheia de glamour. Provavel­mente qualquer músico diria “sim” a um convite como este. Mas nem só de pão vive o homem, já dizia o mestre. Para o Coro Sinfônico Jovem de Goiás, a experiência de realizar uma turnê na Suíça foi um desafio vivido intensamente, com muitas realizações, mas também com grande esforço de músicos, equipe técnica e liderança do grupo.

Com o apoio do governo de Goiás, do Ministério das Relações Exteriores e de pessoas que sonharam junto com o coro, a turnê se tornou possível. Desde o início do projeto os integrantes do grupo sabiam que havia uma montanha a ser removida – ou um oceano a ser atravessado. E partiram para a realização de eventos diversos: espetáculos musicais, feijoada, rifas, venda de sorvete e todos aqueles expedientes que se busca em períodos de campanha como esta. Mesmo após a aquisição das 50 passagens para os músicos não houve descanso, pois os recursos para estadia, transporte e alimentação estavam muito aquém das necessidades. O projeto aconteceu por determinação e abnegação de todos.

E foi numa segunda-feira à tarde que os coristas pousaram em Genebra para cumprir sua agenda de concertos. A chegada já trouxe um grande desafio. Após um bom tempo de viagem, todos precisaram caminhar cerca de 40 minutos até o hotel – uma hospedagem com preço mais acessível, mas um pouco mais distante. O grupo superou tudo, especialmente alguns que tiveram bagagens extraviadas e precisaram improvisar com o figurino. No dia seguinte, todos com disposição e profissionalismo, fizeram belos espetáculos no Consulado do Brasil em Genebra e na sede da Organização das Nações Unidas.

Repertório brasileiro animou a feira Multicultural da cidade de Vevey | Foto: Divulgação

O evento da ONU foi também a abertura de uma exposição da artista plástica brasileira Leca Araújo, intitulada “As Marias”. A mostra, que abordou a temática dos direitos da mulher e a violência doméstica, contou com a presença do diretor geral da ONU em Genebra, Michael Moller, e com a embaixadora brasileira junto à entidade, Maria Luísa Escorel de Moraes.

Outros momentos que marcaram a turnê foram as apresentações no Jardim Botânico de Genebra, em evento promovido pelo Consulado do Brasil, e na Festa Multicultural de Vevey, cidade suíça próxima a Genebra. Este último integrou a celebração da Festa da Música, que a cidade de Vevey ampliou incluindo representantes gastronômicos e artísticos de vários países. Antes do coro, um grupo colombiano apresentou um espetáculo de cúmbia, ritmo típico daquele país. Uma grande festa e que acolheu de forma calorosa o grupo goiano. Vevey fica bem próxima a Montreux, onde acontece um dos mais badalados festivais de jazz do mundo. Um lugar acostumado a ver grandes eventos musicais e que, no final, aplaudiu de pé a apresentação do coro.

Em toda a turnê, a música brasileira foi o foco dos concertos. Villa-Lobos, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Ary Barroso, entre outros compositores foram interpretados com acompanhamento de piano/teclado (Adriana Lemes) e percussão (Jaqueline Dourado), sob a regência do maestro Weber Assis. Uma experiência bastante diferente para o grupo, que sempre pautou seus concertos em repertórios numa linha mais clássica. A turnê na Suíça foi um momento de incluir novos caminhos. E eles foram muito bem aceitos por todos. O grupo foi do baião ao samba com muita competência e profissionalismo.

Apresentações no Jardim Botânico de Genebra | Foto: Divulgação

Houve momento também para um improviso elegante, como na visita à Cathédrale Saint Pierre, uma belíssima igreja protestante no centro histórico de Genebra. Com a permissão da direção da catedral, o ooro interpretou canções sacras que encantaram o público visitante.
A turnê aconteceu por iniciativa da Associação Raízes, que divulga a cultura brasileira na Europa, e do Consulado Geral do Brasil em Genebra, numa iniciativa da cônsul Susan Kleebank e com apoio logístico do músico Natanael Ferreira, ex-integrante da Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, atualmente cursando mestrado na Haute École de Musique de Genebra.

Além do crescimento pessoal de cada corista, a turnê representou um novo patamar artístico para o Coro Sinfônico Jovem de Goiás. A abertura de portas no campo profissional significa, inclusive, a possibilidade de retorno para novos desafios no Velho Continente. Os convites surgiram. É hora de trabalhar e seguir em frente.

Saiba Mais
Fundado em junho de 2014, o coro Sinfônico Jovem de Goiás já é considerado uma referência na interpretação da música vocal para coro. Formado por 48 cantores, o grupo vem se destacando na interpretação de repertório erudito, tanto obras corais de câmara, como obras sinfônicas de períodos, estilos e compositores diversos no âmbito nacional e universal.

O coro é um dos grupos pertencentes à Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, e junto a ela vem realizando uma série de obras Sinfônicas como: “Réquiem”, de Verdi; “Réquiem”, de Brahms; “Paixão Segundo São Mateus” e “Paixão Segundo São João”, de Bach; “Fantasia Choral” de Beethoven; “Carmina Burana”, de Carl Orff; e “Segunda Sinfonia”, de Mahler, além da montagem das óperas “L’Orfeo”de Claudio Monteverdi, “Die Zauberflöte” de Mozart e “Il Pagliacci” de Leoncavallo.

O Coro Sinfônico Jovem já foi regido por importantes regentes de Goiás, do Brasil e do exterior, dentre eles Neil Thomson, Sofi Jeannin, Emílio de César e Isaac Karabtchevsky. Apesar de seu pouco tempo de formação, o grupo, sob direção artística e regência do maestro Weber Assis, já possui uma programação requisitada, com diversos concertos e diferentes programas a serem apresentados durante o ano de 2018.

Reny Cruvinel é músico, publicitário e jornalista pós-graduado em Políticas Públicas pela UFG

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