Um filme, “Volta à Casa Paterna”, para ser assistido com os ouvidos

À medida que o filme avançava, a inafastável conclusão de que era para ser ouvido, a narrativa, pelas qualidades vocais do narrador e dos poemas incidentais, de Camões, Pessoa e de Alberto Araújo

Luiz Cláudio Veiga Braga

O embaixador Lauro Moreira, goiano, diplomata de carreira, lusófono, ator e diretor de teatro, intelectual de boa cepa, não se constrange em despertar a inveja, ainda que o faça de forma involuntária, sempre que coloca em exposição as suas múltiplas atividades, inclusive quando transita pela arte cênica, a exemplo da atuação no filme “Vazio Coração”, do cineasta e poeta Alberto Araújo, onde conviveu com elenco estelar, Lima Duarte, Othon Bastos, Bete Mendes, Murilo Rosa.

Em recente vinda a Goiânia, para a outorga do título de cidadania, merecidamente conferido a esse goiano de expressão internacional, exibiu a um seleto grupo de convidados a sua mais recente incursão pela sétima arte, ao protagonizar o filme “Volta à Casa Paterna”, de Alberto Araújo, motivo da minha aventura de saudar o “road movie”, o que faço sem a pretensão de crítico de cinema, pela ausência de qualidades para esse desempenho, a cargo de especialistas, a exemplo do professor Lisandro Nogueira.

A exibição do filme foi precedida da apresentação da equipe técnica e de belo discurso de história da criação da República Portuguesa, passando à projeção da película, cujas primeiras cenas já determinavam a absoluta atenção do assistente, porque inaugurada pela voz forte, clara e doce do ator narrador, descrevendo o seu retorno à “Pátria Mãe”, berço dos seus ancestrais, minudenciando o sentimento que o invadia ainda nas asas de Ícaro, intensificando na contemplação do Tejo.

Lauro Moreira: diplomata, ator e diretor | Foto: Reprodução

À medida que o filme avançava, a inafastável conclusão de que era para ser ouvido, a narrativa, pelas qualidades vocais do narrador e dos poemas incidentais, de Camões, Pessoa e de Alberto Araújo, diretor poeta, as imagens construídas se compatibilizavam com a audição, as belas paisagens de Portugal projetas eram a reafirmação daquilo que mentalmente já se descortinara, no emocionado e emocionante texto que ecoava pela sala de projeção composta por uma plateia embevecida.

O filme toca, emociona e aferra a atenção de quem o ouve e o assiste, pela sensibilidade na sua elaboração, ainda que quase artesanal (“um celular na mão e uma ideia na cabeça”), pelo primor do texto e dos poemas, pela voz inconfundível do protagonista narrador, pelas belas imagens do eterno Portugal, das suas seculares construções, inserindo o assistente nas pequenas e grandes cidades, a partir de Lisboa, permitindo conhecer ou revisitar “A Casa Paterna”.

Luiz Cláudio Veiga Braga é desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).

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