“Tu és Pedro, e sobre essa pedra construirás Goiânia”

Biografia escrita por Hélio Rocha narra a história do maior político de Goiás: Pedro Ludovico Teixeira

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De Amaury Menezes, a pintura em óleo sobre tela ilustra a capa da obra do jornalista e escritor Hélio Rocha, lançada programadamente no dia que comemora o Batismo Cultural de Goiânia, 5 de julho

“Goiás é um homem: Pedro
E sobre esta pedra,
se edificou sobre a terra vermelha,
o princípio do futuro”
— Yêda Schmaltz (1941-2003)

Yago Rodrigues Alvim

“Pedro Ludovico Tei­xei­ra nasceu em 23 de outubro de 1891, na cidade de Goiás, en­tão capital do Estado”. Assim começa o escritor e jornalista Hélio Rocha em “Tu és Pedro”, biografia que veio ao público na comemoração de 74 anos do Ba­tismo Cultural da capital goiana, dia 5 de julho — como escreve Hélio na própria orelha, “filha de outubro, Goiânia é afilhada de julho”.

— O livro é uma biografia alentada (corpulenta) e que se aprofunda na carreira de Pedro, ele que governou o Estado por muito tempo e teve ainda três mandatos como senador. A obra reúne diversas fotografias, nas suas quase 600 páginas. São fotos de seu cotidiano, de sua vida política e até inéditas. A própria capa é um quadro, óleo sobre tela do Amaury Menezes, baseado em uma foto inédita dele.

Existem outras, nas quais ele figura com o uniforme da Revolução de 30, junto à esposa e ao filho Mauro Borges Teixeira, que tinha apenas sete anos. Em outras, ele aparece como padrinho de casamentos, ou em festas no Jóquei Clube.

A pesquisa de Hélio data de muito antes, quando escreveu “Os In­quilinos da Casa Verde — Governos de Goiás de Pedro Ludovico à volta de Marconi Perillo”. De 1998, o livro conta a história dos governadores que, a partir da construção de Goiâ­nia, vieram à cidade e se estabeleceram no Palácio das Esmeraldas — na época, este era chamado de “Casa Verde”. Seu interesse pela história política de Goiás veio pelo ofício jornalístico, o qual frutificou outras obras, além das já citadas.

— Depois de “Inquilinos”, escrevi uma biografia de Juscelino Ku­bitschek, voltada para o público jovem. Intitulada “JK Para a Juven­tude”, a obra foi lançada no centenário do ex-presidente, em 2002. Pu­bliquei ainda dois livros sobre a capital goiana; um deles intitulado “Sete Décadas de Goiânia”, e o outro “Goiânia-75”. Destaco essas como as mais importantes obras; além, é claro, da agora recém-lançada “Tu és Pedro”.

A pesquisa para a obra veio, então, com “Inquilinos”, uma vez que Pedro foi o primeiro dos governadores que, na capital que construiu e ajudou a consolidar, viveu. Já então com certo material sobre ele, Hélio dedicou-se a ouvir parentes de Pedro e descendentes correligionários. Em especial, o escritor destaca: a esposa de Ubiratan Estivallet Borges Teixeira, um dos netos do governador, e Dona Maria Dulce Loiola Teixeira, que muito ajudou: “O livro tem mais de 150 fotografias e só ela me arrumou mais de 100”, diz Hélio.

Quando perguntado sobre os casos curiosos, Hélio traz da memória dois causos (abaixo relatados), além da honestidade de Pedro que tanto destaca. Segundo ele, por mais que tenha construído a cidade, aqui só teve um imóvel, erguido na Rua 25 (no Centro), onde se localiza, atualmente, o Museu Pedro Ludovico Texeira. O feito deu-se com a venda de um pedaço de fazenda que sua esposa Gercina havia herdado em Rio Verde.

— Pedro não se dava bem com o pai, João Teixeira Álvares, que viveu longe de sua mãe, Josefina Ludovico Teixeira. João não o ajudou a cursar medicina no Rio de Janeiro, o que fez do mesmo jeito. Quando lá chegou, a fim ajudar a custear o curso de medicina, pediu um emprego a ninguém menos que o Marechal Brás Abran­tes, goiano nacionalmente reconhecido; este se dispôs a custeá-lo, uma vez que um emprego seria incompatível com os estudos de medicina. Passados os anos, e já com ganho pela atuação profissional, ele voltou ao Rio a fim de pagar o Marechal. Mas ele não quis receber. (riso) Pedro foi um homem muito corajoso, tanto que se alistou na Revolução de 30. Ele lutou contra o regime e seguiu Getúlio Vargas; foi assim que dele se tornou amigo para todo o sempre.

Ao final da entrevista, Hélio contou de seu contentamento com o lançamento. A escolha da data, já explicitada, veio de um carinho seu também pela cidade; e o Palácio das Es­me­raldas, que foi palco do evento, não requer tantas explicações. A então Casa Verde recebeu, no último dia 5 de julho, mais de 600 pessoas, as quais prestigiaram o evento e deram boas-vindas a uma obra que conta da história goiana e do homem Pedro.

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