Semana de Arte Moderna (14): Quixote no Paranaíba, de José M. Umbelino Filho

Olha, essa tal Modernidade, se passou por aqui, passou fugida, viu? Nem apeou do cavalo pra um dedo de prosa. Passou desenfreada e já deve estar lá pelos lados de Cuiabá 

O Jornal Opção vai publicar, com a curadoria do presidente da UBE-Goiás, Ademir Luiz, 22 contos de 22 autores evocando de diferentes formas a Semana de Arte Moderna de 1922 — que completa 100 anos em fevereiro, ou seja, nunca acabou — como inspiração. As mais diferentes possibilidades estilísticas foram exploradas. Contos modernos, contos tradicionais, contos pós-modernos. De homenagens assumidas a severas reflexões críticas; narrativas evocativas, narrativas memorialísticas, narrativas ensaísticas, narrativas desconstrutivas. Algumas com humor, outras com amor, mas também com vaias, aplausos e mesmo com o som do coaxar de sapos antropófagos.

Quixote no Paranaíba

José M. Umbelino Filho

Foi Firmino Mascate quem trouxe, no meio das coisas todas, um exemplar já puído de O Jatahy e deixou sobre a mesa da varanda, com displicência calculada, querendo muito que o seu Deodato olhasse. Seu Deodato nem olhou; passou batendo botina de um lado para outro, no seu gingado de velho cavaleiro, interessado como estava pelo sal e pelo sebo de porco que já faltavam nas reservas. Devido às chuvas e à cheia dos rios, a rodagem de mascates se prejudicara naquele início de ano, e o velho queria só ter olhos para os mantimentos. Digo queria só ter e não só tinha olhos, porque também ele, com calculada displicência, perguntara ao final da visita: “Quanto lhe devo pelo papel, seu Firmino?” — e com isso demonstrava ter, sim, espiado a folhinha na mesa da varanda. “Deve nada, seu Deodato. Aquilo é pra o senhor aventar um pouco as ideias. Saber do que se passa no mundo.”, respondeu o mascate, botando o chapelão engraçado na cabeça e rumando sítio afora. A cachorrada latiu em despedida, seu Deodato foi arrumar o que fazer e o jornal caiu nas mãos do Gentil, que lia bem, era metido a poeta, tinha mão lisa de princesa e se achava francês. Mais tarde, antes do sol se pôr, a família se reuniu perto do fogão e o seu Deodato disse: “Lê aí as notícias do mundo, genro”. Era seu melhor momento, e o Gentil não se rogava. Sentado muito ereto ante a luz do fogo, bigodinho afilado de gavião, fez questão redobrada de empertigar a voz, caprichar na curvatura dos erres e eles, acentuar exoticamente a tônica das oxítonas, meio ao modelo francês que um dia escutara de alguém importante na capital. Leu as notícias bolorentas como se declamasse um de seus poemas inéditos. De noite, já na cama, não podia dormir. A Maria perguntou: “O que houve, homem?” “Maria, você não ouviu a notícia?” “Dos Caiado?” “Não, meu bem, de São Paulo.” “O que tem São Paulo?” “A revolução!” “Que diabo de revolução? Ah, você fala dos poetas.” “Uma revolução modernizante da nossa cultura. Finalmente o Brasil entra no mundo moderno, e entra bem, entra para não sair mais. Viu que linda a gravura da Semana da Arte Moderna? Viu que revolucionária, que aventada, que futurística? Talvez lá eu encontre quem entenda meus versos, quem tenha a cabeça mais arejada que esses parnasianos da província, esses retrógrados que criam boi mas só falam de ovelhas e pastores e das ninfas gregas, e ficam rimando versos ao invés da aventura bela que é a liberdade de métrica, a onomatopeia, o antiformalismo!

Esses sonetistas cheirando a bolor e cornos de boi!” “Papai cria boi.” “Não me refiro ao seu Deodato, meu bem, mas aos poetinhas dessa província. Essa penca que despreza os últimos trabalhos de Leo Lynce porque não entende nada. Maria, eu preciso ir à Semana de Arte Moderna. Se sair agora, chego lá. Bendito Firmino que não demorou na cheia do rio, aquele turco esperto, contornou pela Santa Bernadete e chegou aqui em bom tempo com a boa nova!” “Você quer chegar em São Paulo nessa época de chuva? Que ideia, Gentil. Que ideia!” “Vou na cidade e de lá pego transporte. Quem sabe no trem não me dão uma beirada?” “Mas homem, você está marcado lá em Santa Rita. Marcado para morrer! Nem pode pôr os pés na rua direita que o Salomão te mata duas vezes; a alma primeiro, o corpo depois. Mata até sua sombra, e aí caem vocês três, corpo, alma e sombra, na mesma poça da vergonha. Não te deixo chegar nem perto da cidade.” “Ai, diabos. Aquele bruto. Por conta de um versinho de nada, Maria.” “Um versinho horroroso, isso sim. Como que você fala aquelas coisas, ai ai ai, nem gosto de repetir. Jesus não perdoaria. Salomão Jardim, que sempre foi mais pra Herodes que pra Cristo, menos ainda.” “Falei a verdade, e falei com verve, como Gregório de Matos. Sou o Boca do Inferno desse lado do Paranaíba. Ele que me respondesse com versos, e não com tiros. Selvagem. Mas enfim, Maria, vou a cavalo. É possível chegar lá para os meados de fevereiro, ainda em tempo, não vê? Se chego até dia 15, ainda estou em tempo.” “Mas nem o caminho você sabe direito. Nunca foi mais longe que Nossa Senhora d’Abadia.  Como vai atravessar o Paranaíba sem ser pela cidade?” E mais Maria não pôde argumentar, porque Gentil estava decidido. No outro dia, cedinho, engordou o embornal, dilapidou a despensa do sogro de linguiça na banha, farinha e carne de sol, encheu-se de matulas, prometeu umas benesses para que o Tonico o acompanhasse num burrico, fazendo às vezes de Sancho Pança caboclo e descrente, e montou o bom baio de meia pataca que tinha, e que chamava Derradeiro. Juntos, Gentil e Tonico, Derradeiro e o burrico, pegaram a estradinha serpenteadeira que ladeava o Sossegado e miraram o sul, na direção do Paranaíba, onde haveriam de achar um bom cristão que os atravessasse, se assim quisessem Deus, Nossa Senhora e, mais fervorosamente, São João da Cruz, padroeiro dos poetas e dos simbolistas. De lá, Minas Gerais. Talvez conseguissem transporte em Uberaba; pegassem o trem, ou até automóvel, talvez por rio, qualquer caminho que descesse até São Paulo, de onde Mário, Oswald e Tarsila espraiavam a Modernidade. Quiçá, sonhava Gentil, espraiassem-na com tanta velocidade, nas asas fumegante da indústria, e com tanta diligência, nas rodas mecânicas do futuro, que a própria Modernidade os encontrasse antes, no meio do caminho, porque era certo que ela vinha – vinha com tudo – para tomar o Brasil inteiro. “Se não nos apressamos, Tonico, é capaz da Modernidade chegar a Goiás antes de nós chegarmos a São Paulo! Adiante! Adiante!” ele gritava. Tonico ensimesmava atrás do pito, porque não tinha mesmo o que responder, analfabeto que era, parnasiano que nem sabia ser, e preocupado que estava com a trilha quase desaparecida no cerradão, as nuvens pretas e gordas pastando no céu e os mosquitos, os muitos mosquitos. Mas as palavras esperançosas de Gentil não calavam no vazio, não caíam desacreditadas pelo caminho, pois o burrico, ele próprio poeta e modernista, respondia sempre com zurros vitoriosos, sem nenhum formalismo.

Rip Van Winkle, personagem de Washington Irving: acordou 20 anos depois e o mundo estava mudado | Foto: Reprodução

Só que encontraram o grande rio bem antes do previsto. Isso porque a chuva estava plena e o Paranaíba engolira seus próprios beiços, abrindo-se para dentro do mato. Por sorte, acharam o acampamento de um ribeirinho que sabia passar o barco, e ele havia dito: “Amanhã, ou depois de amanhã, ou depois de depois de amanhã, três dias no máximo, não mais nem menos, dá passagem. Temos só que esperar a chuva. O rio ficou mais largo, mas não está perigoso não.” Chovia muito. Gentil e Tonico se espremiam numa tapera junto do ribeirinho e de mais dois mascates, ou bandoleiros, difícil dizer, que aguardavam também para a travessia. Era dia ainda, mas escuro e cabisbaixo, e o mato parecia choramingar de saudade. Os mascates, talvez comovidos pelo cinza do céu, pela solidão do cerrado, pelo coaxar dos sapos, sacaram suas violas e cantaram uma moda triste:

Me pus a chorar saudade

no quintal de uma tapera.

Responderam as paredes

De uma ingrata é o que se espera

Eu fui para a beira do rio

para ver a água correr

para ver como é tão triste

o querer e não poder

E mais tarde, como o dia parecia responder ao canto, a chuva se envergonhasse da tristeza que causava, e um solzinho mequetrefe surgisse pelo meio das nuvens, os dois se tornaram mais atrevidos:

Eu tratei um casamento

Com a filha do fazendeiro

“Mas meu pai eu não me caso

Com moço tão sem dinheiro”

A moça falou tão franca

E pegou logo a dizer

Que eu era mocinho novo

Também não sabia ler

Eu tive que então sair

Lá de casa nesta mente

A moça me envergonhou

No meio de tanta gente

Eu não vivo só por dinheiro

Nem também por saber ler

Eu vivo só por viver

E morrerei por morrer

O ribeirinho desempacou umas pingas e todos deram a beber. Então os dois violeiros se esqueceram das caboclas, das morenas e das galegas, e cada homem naquela tapera se lembrou que um dia foi rei de quermesse, príncipe da catira, senhor das chinas e das arábias. Até Tonico, que sempre ressabiava por ser menino novo, criado de casa, índio, e já banguela de tanto pitar, soltou a vozinha de taquara rachada, abraçado à cuia. Mesmo o burrico e o Derradeiro, e o resto da animália, que se molhavam sem reclamar no quintal, murmuravam a melodia:

Quem mais pouco bebe é o sacristão

Se chega na venda

Empenha o botão

Quem mais pouco bebe é o seu vigário

Se chega na venda

Empenha o rosário

Quem mais pouco bebe é a moça bonita

Se chega na venda

Empenha uma fita

Quem mais pouco bebe é a mulher casada

Se chega na venda

Está relaxada

Gentil, de peito cheio e quente, movido pelo álcool e pelo espírito de São João da Cruz, pediu licença para declamar um de seus poemas, o que os demais aceitaram aos brados de camaradagem. Ele se empertigou, como de praxe, puxando a memória de seus erres e eles, de suas oxítonas francesas, e explicou que os camaradas ouviriam uns versinhos inéditos, que ele apresentaria em breve no Theatro Municipal de São Paulo, na Semana de Arte Moderna, para o embasbacamento da paulistada e introdução da província no mundo moderno. Declamou então seus versos de pé quebrado, cheios de modernismos, e que foram recebidos com muxoxos de sapo pela plateia. “Não dá pra cantar isso.” disse um dos violeiros. “Foi bonito, mas não rima.” reclamou o outro. Ofendido, o Gentil respondeu: “Seus parnasianos, com suas rimas quatrocentistas, suas trovinhas ridículas, que cheiram a arenga de índio e banzo de preto, não sabem o que estão dizendo. Vocês não entendem nada! Nada! Cantando cachaça, mulher e festa, quando a Modernidade pede os ventos refinados da Europa! Os ventos da civilização, que vão expulsar desse Brasil os últimos ranços do colonialismo. O cheiro ocre da bosta de vaca e do couro curtido. Ventos da liberdade, da verdadeira expressão brasileira, que só podem alcançar uma alma atinada e atenta ao antiformalismo, à locomotiva, à cidade grande, à França libertária e aos Estados Unidos da América! O que eu queria, afinal? Ser entendido por uns broncos, uns bugres, uns pés-rapados?” Os mascates olhavam atônitos e não sabiam se deviam se ofender ou se lisonjear, já que não entendiam metade das palavras de Gentil. Assim se resolveram num acordo tácito: um deles se ofenderia e o outro se lisonjearia, e  ficaria portanto equilibrada a reação, já que a metade que entenderam era de ofensas, e a metade que não entenderam parecia elogio. Para azar de Gentil, o que resolveu se ofender era o mais parrudo dos dois, e logo o coitado estava enxotado da tapera aos tapas, roxeado na cara e nos bofes, diminuído no orgulho, e debaixo da chuvinha melancólica do começo de noite. Foi dormir no quintal com os bichos, de castigo, e ainda teve de escutar o Tonico, o burrico, os cavalos e os broncos cantando o resto da noite:

Eu não sou pau de porteira

Mourão de jacarandá

Eu não sou pires de doce

Pra vancê vir me prová

Eu me chamo topa-topa

Cai aqui, cai acolá

Gente não gosta de mim

Eu topo em vosso lugá

Oncê não me conhece

Nem não sabe quem eu sou

Eu chamo mundé armado

Quando dispara pegô

Dom Quixote e Sança Pança, de Roos | Foto: Reprodução

No outro dia, Gentil acordou mole e febril. A febre piorou logo e ele começou a delirar. Chamava por Maria, chamava pela mãe, por uma tal Cecília Moreira, namoradinha de infância, e por seus cavalos. Os mascates, que não eram gente ruim, arrependidos da briga e temerosos pela saúde do poeta, juntaram-se ao Tonico na vigília. O ribeirinho conseguiu umas raizadas e umas beberagens, mas Gentil não melhorava. Podia ter sido a chuva, podia bem ter sido picada de algum mosquito mal-intencionado, podia até ter sido cobra.  Em seu delírio, Gentil chegava a São Paulo como um bandeirante às avessas, um desdescobridor do Brasil. Vinha com uma comitiva de caipiras descalços, índios pintados, cavalos, burros e camelos. Mesmo os reis magos o acompanhavam, cobrindo seu caminho com pétalas de rosa e folhas volantes. Gentil declamava versos em todos os teatros de São Paulo. Os modernistas faziam fila para apertar sua mão. Mário de Andrade, com sua careca reluzente e sua cara de cavalo com tartaruga, chamava-o em particular. Debaixo de panos, prometia-lhe editar seu livro na capital, distribuí-los até nas livrarias de Lisboa. “Serás lido em Coimbra, meu amigo, nas faculdades, serás discutido em saraus repletos de flamengos, ingleses e californianos, meu amigo Gentil.” Ele sonhava com a apoteose das apoteoses: seus versos ufanistas, nacionalistas, brasileiros, modernistas, antiformalistas, antissonetistas, declamados em Portugal. Quiçá na França! E os parnasianos, os retrógrados, com suas perucas brancas e seus sapatos de tamanca, curvados diante do fracasso iminente do passado e da irrevogável marcha do progresso. E Oswald de Andrade surgia em Goiás montado numa locomotiva bravia, como um deus das guerras futuras, um Hefesto de macacão e boina azul.  Seu charuto soltava fagulhas que incendiavam o cerrado e transformavam mato em indústria, árvore em poste, rio em rodovia, índio em alemão, saci em leprechaun, iara em valquíria. Tarsila e Anita então surgiam gigantescas, em cores vibrantes, por trás dos morros, como mulheres sem feições, nuas e de seios enormes. De suas bocas  derramavam  livros, revistas, jornais, panfletos, toda uma miríade de impressos que batiam asas de celulose e cobriam os céus como abelhas jataí  – e enquanto seus gigantescos pés destruíam as casas coloniais de Pirenópolis, amassavam as fazendas de Salomão Jardim, arruinavam as praças e o coreto de Goiás,  e suas soberbas coxas engoliam as igrejas de Ouro Preto e Mariana, de seus ventres místicos afloravam prédios, ruas asfaltadas, bondes, aparelhos elétricos curiosíssimos, fios e cabos que atravessavam o atlântico, mulheres de cabelos curtos e saias até os joelhos, maçons futuristas, republicanos napoleônicos, negros americanos e japoneses mais leves que o vento. Trens e poemas sem rimas borborejavam das musas elétricas, e edições da Klaxon e da Revista da Antropofagia pastavam mansamente nas várzeas como enormes vacas consagradas ao deus Aton, ao círculo solar, e ao Apolo nu. No centro de tudo isso, com os pés firmes num cometa feito de metal e alumínio, ele, Gentil de Souza Carneiro, a tudo regia com sua batuta, sua boca transformada num efervescente gramofone.

Quando acordou, estava em sua cama, em seu quarto, no sítio do velho Deodato. Maria passava-lhe um pano úmido sobre a testa. Tonico estava à janela. “Ele acordou!” gritou a esposa e o resto da família veio se amontoar ao pé da cama. “O que está acontecendo?” “Você adoeceu no caminho para São Paulo, querido. Na margem mesmo do Paranaíba. Tonico e os dois outros moços muito gentis te trouxeram de volta. Estávamos com medo de que a febre não quebrasse, mas quebrou!” “Eu preciso ir a São Paulo. Ainda dá tempo de pegar o final da Semana de Arte Moderna.” “Deixa disso, homem.” Gentil tentou se levantar. Encostou-se na cabeceira da cama e era a imagem do homem derrotado. “Talvez ainda consigamos. Que dia é hoje?” “É vinte de janeiro.” “Viu, vinte de janeiro! Ainda há tempo! Se sairmos hoje, podemos chegar lá. Eu vou à cidade, enfrento o Salomão, não me importo, pegamos o trem e vamos. Pegamos o caminho mais curto.” “Querido, vinte de janeiro de 1928.” “Sim, ainda há tempo.” “Você leu errado o jornal.” “Li errado?” “Você não atentou para as datas. As notícias eram velhas, Gentil. O jornal era de 1922. A Semana da Arte Moderna foi em fevereiro de 1922. Isso já tem seis anos.” Maria passou as mãos nos cabelos molhados do marido. “Você sabe como as notícias demoram a chegar aqui. O pobre do Firmino Mascate trouxe o que de mais recente tinha, mas você sabe como é…”: Ela o olhava com imensa mansidão. Gentil tocou a testa suada com a ponta dos dedos: “Mas e a Modernidade? E a Modernidade onde está? Oswald de Andrade já devia estar abrindo nossa porteira, chutando os cachorros. Onde está ele?” Foi seu Deodato quem deu por terminado o assunto, batendo com as mãos nos próprios joelhos, levantando-se já no rumo da porta e dizendo: “Olha, essa tal Modernidade, se passou por aqui, passou fugida, viu? Nem apeou do cavalo pra um dedo de prosa. Passou desenfreada e já deve estar lá pelos lados de Cuiabá.”

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