Romance “Larissa Start”, de Rafael Caputo, discute temas como suicídio, eutanásia, perdão e amor

Romance do professor reúne em sua narrativa reflexões sobre o sentido da vida e como a inteligência artificial poderia auxiliar na redução do número de suicídios

Mariza Santana

Ricardo é um instrutor de educação física que busca na internet a melhor maneira de dar fim à própria vida, já que alimenta secretamente ideias suicidas. Mas ao realizar suas pesquisas na rede mundial de computadores, recebe uma mensagem instantânea de uma jovem bailarina, Larissa Mueler. Ao se encontrar com a garota, e se relacionar com ela, ele vai repensar sua decisão. E sua trajetória passará por uma grande reviravolta, envolvendo perdão, amor e voluntariado em defesa da vida.

O rapaz desconhece que Larissa é voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV). Ela foi indicada para atuar junto com um aplicativo desenvolvido pela entidade para identificar suicidas em potencial. A voluntária entra em ação e, dessa forma, tentar evitar essa fatalidade. O livro “Larissa Star”, do escritor carioca radicado em Curitiba Rafael Caputo tem esse frescor, ao tratar um assunto tão delicado, encarado como tabu por muitos, com leveza e modernidade.

A narrativa fictícia aborda também depressão e ansiedade, doenças deste século e agora ainda mais comuns devido à pandemia. Trata ainda de eutanásia, livre arbítrio e finitude da vida, discussões filosóficas e sociológicas de temas que afligem a todos, mas de uma maneira quase lírica, que pode se tornar uma mensagem positiva para todas as idades, especialmente para adolescentes e jovens, em favor da vida. “Somos seres espirituais, vivendo experiências terrestres”, diz a personagem que dá nome ao livro, para o infeliz e atormentado Ricardo.

O protagonista é uma pessoa simples. Um jovem simpático no contato cotidiano com seus alunos, e ninguém perceberia que esconde um temperamento depressivo e suicida. O encontro com Larissa em um café da capital paranaense, após o contato inicial por meio de mensagem instantânea no computador, será um divisor de águas em sua vida. Seria coincidência tê-la conhecido justamente nesse momento? “Coincidências são a forma que Deus encontrou para se manter no anonimato”, reforça Larissa.

Rafael Caputo: escritor | Foto: Reprodução

Baseado no conto “O algoritmo”, também escrito pelo autor, “Larissa Start” é o romance de estreia do professor Rafael Caputo. A obra foi uma das cinco finalistas da 4ª edição do Prêmio Kindle de Literatura 2019, promovido pela Amazon do Brasil, Direct Publishing e Editora Nova Fronteira.

Embora faça referências a fatos, personalidades e entidades reais, como a CVV, o romance é fruto da imaginação de Caputo, mas traz uma mensagem forte na defesa da vida e contra o suicídio, com uma linguagem contemporânea e casual, sem afetação nem alarme.

Portanto, a leitura da obra flui de maneira gostosa, ao transmitir uma mensagem direta e importante, repassada pelos personagens Ricardo, Larissa, Teresa e Abimael. No final, os textos de notícias fictícias sobre o aplicativo da CVV e os principais personagens, em sites noticiosos do Estadão, Globo.com, El País e New York Times, reforçam a criatividade e a contemporaneidade das ideias do escritor.

“A história deste livro é uma ficção. O suicídio, não”, ressalta Rafael Caputo na última página do romance. E ele continua: “O suicídio continua um problema de saúde pública e tira a vida de uma pessoa por hora no Brasil, mesmo período em que outras três tentam se matar e não conseguem. O CVV existe de verdade, se você precisar, disque 188”. “Larissa Start” é um livro engajado, sem ser panfletário.

Mariza Santana é crítica do Jornal Opção. E-mail: [email protected]

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