Rir para não chorar: Filme de Darín, “A Odisseia dos Tontos” conta trajetória de injustiçados com muito humor

Com diálogos hilários e perspicazes, mais novo longa argentino estrelado por Darín relembra tragédia econômica do “corralito”

Personagens do filme argentino A Odisseia dos Tontos | Foto: Divulgação

Lançado em 2019, o longa-metragem argentino “A Odisseia dos Tontos” é a mais nova produção bem sucedida dos nossos vizinhos protagonizada por Ricardo Darín, maior celebridade do cinema no país. O filme está disponível por streaming no YouTube e Google Play, por R$44,90, em alta definição.

Dirigido e adaptado para os cinemas por Sebastian Borenzstein, o filme é um pot-pourri de gêneros, porque ele vai te fazer rir, chorar, sentir raiva e adrenalina. Foi inspirado no livro La Noche de la Usina, de 2016, escrito por Eduardo Sacheri.

A história se passa em 2001, quando um grupo de pessoas simples, da região rural de Alsina, na Argentina, decidem se unir para fundar uma cooperativa agrícola. O grupo junta todas as suas economias para comprar alguns silos abandonados. Cada um doa o quanto pode e, juntos, o grupo consegue angariar 150 mil pesos pra investir no negócio que irá transformar suas vidas. No entanto, ainda faltam 100 mil pesos pra completar o valor exigido pelo proprietário do local. 

No banco, o gerente consegue convencer Fermín (personagem de Darín e mentor do plano) a depositar o dinheiro em sua conta no banco. Desta maneira, o Banco Central veria a quantia e não hesitaria em lhe conceder o empréstimo dos 100 mil pesos restantes. Fermín topa, mas como o espectador poderia antever, seria um grande erro.

Tudo não passava de uma armadilha do gerente. Ele, como tantos outros aproveitadores da época tiraram vantagem da situação caótica da Argentina naquela segunda metade do ano de 2001.

O gerente do banco, que já sabia o que ocorreria no país nas próximas horas, havia armado para beneficiar um outro cliente rico. Ele precisava que o banco tivesse dinheiro suficiente para que esse cliente influente pudesse sacar toda quantia antes do governo de Fernando de la Rua implantar o chamado “corralito”.

E o que foi o “corralito”? Foi uma medida implantada pelo governo argentino que congelou os dinheiros depositados nas contas correntes e poupanças, com intuito de evitar a quebra do sistema financeiro. Grande parte da população do país, tal como o grupo que sonhava com a cooperativa, o capital ficou zerado.

Mas uma aventura inusitada começa quando o plano do gerente acaba descoberto pelos pequenos investidores, que decidem fazer justiça com as próprias mãos. Adoçado por um humor perspicaz, ao mesmo tempo que ingênuo, o filme nos transporta para a jornada desse grupo que resolve armar um plano mirabolante para recuperar o dinheiro.

O roteiro é recheado de diálogos hilários e inteligentes. Aborda temas densos como política e economia sem perder a leveza e a comédia, fazendo com que a gente se sinta bem, mesmo quando tá contando uma história real de um país que viveu uma verdadeira tragédia, de uma população completamente injustiçada.

Dificilmente a gente pega pra assistir um filme do Darín que seja ruim. Não só porque o cinema argentino tem muita qualidade, provavelmente seja o melhor e mais desenvolvido da América Latina, mas também porque Darín capricha nas escolhas. Sempre seleciona algo que seja muito argentino ao mesmo tempo que de fácil identificação para qualquer pessoa de outro país.

Fato curioso é que pai e filho divide as telas. Chino Darín, filho de Ricardo, interpreta Rodrigo, também filho de Fermín no longa-metragem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.