Quadrinho inspirado no game Dark Souls poderia ter sido muito mais

Com um universo complexo e instigante no jogo de fantasia medieval e terror, a expectativa era que a HQ entregasse algo incrível, o que não aconteceu

Dark Souls é um dos mais aclamados games dos últimos anos, sobretudo o primeiro da série. O título de fantasia medieval traz um ambiente de terror em um mundo de deuses antigos insanos e um mundo de desesperança, onde as chamas estão prestes a apagar e as trevas reinar.

Os homens com a marca são os mortos-vivos, incapazes de morrer em definitivo, mas, quanto mais morrem, mais se tornam vazios — sem memória e com um instinto primitivo de atacar todos que são diferentes. Um universo rico — cuja história é contada, no game, por fragmentos (por meio de itens e personagens não jogáveis), que precisam ser costurados pelo próprio jogador — merecia uma HQ.

E, de fato, esta saiu. Saíram, na verdade, mas uma delas foi lançada no Brasil. Trata-se de “Dark Souls — O Suspiro de Andolus”, que chegou pela Pixel, em junho de 2017.

Detalhes

A história tem o roteiro de George Mann e arte de Alan Quah. Um trecho da sinopse informa o seguinte: “Enquanto seu reino mergulha em caos e morte, Fira, uma guerreira forjada na batalha, se lança em uma missão arriscada e desesperada para salvá-lo”.

Mas não é só isso. “Os aliados são poucos, as fogueiras [que são os pontos de salvamento no jogo] queimam em brasas, incontáveis hordas de inimigos demoníacos e dracônicos ficam no caminho dela. Somente com o auxílio de um duende ambíguo, ela vai poder reavivar a chama que voltará a iluminar seu mundo… Se ela não perecer na tentativa”.

Ao todo, são 112 páginas, sendo 80 só de quadrinhos, em cores. A capa é dura e o formato é 25,7 x 17 cm. O acabamento é muito bonito e faz jus ao seu preço de R$ 44,90.

História

Andoulos, que dá nome ao título, foi um dragão que, há muito, foi sacrificado pelo barão Karamas para que, com seu último suspiro, fizesse perdurar a era do fogo em Ishra. Porém, a solução para as trevas do mundo foi paliativa.

Por isso, a guerreira Fira viaja pelo reino em busca de artefatos para poder reviver o dragão e novamente matá-lo, a fim de estender, mais uma vez, a era do fogo. “Sem o fogo para iluminar o caminho, tudo que resta são trevas…”.

Fira, vale citar, é acompanhada pelo adivinho Aldrich (e não um duende, como diz a sinopse), que não passa tanta confiança. A guerreira tem a marca dos mortos-vivos e sua memória se esvai, aos poucos, o que pode levá-la ao estado de vazio.

Para saber se seu companheiro é confiável, ela lhe deu uma boneca — que é uma referência ao jogo.

Referências

Pontua-se que a história não se passa em nenhum momento do jogo. Apesar disso, durante o folhear de páginas há algumas referências, o que para os jogadores é possivelmente o ponto alto da obra.

Explico: o material pode agradar mais aqueles que desconhecem o game dos fãs do mesmo. Isso, porque o título parece ter sido parcamente inspirado no jogo e apresenta uma aventura não tão original de fantasia medieval.

Porém, de volta às referências, em alguns momentos há a lembrança de personagens queridos da série e algumas citações. Além disso, alguns locais são familiares, como o labirinto de cristal.

E se no game a identificação com personagens (não jogáveis, porque o herói é criado pelo próprio jogador) é grande, por aqui não há carisma nesse sentido, apesar da bonita arte de Alan Quah. Inclusive, a capa da HQ, com um cavaleiro de Faraam é uma enganação, mas é muito bonita.

Autores

O roteirista George Mann, além dessa obra no universo Dark Souls, fez também outras duas ainda inéditas no Brasil: “Legends of the Flame” e “Winter’s Spite”. Ele também escreveu histórias em quadrinhos do Doctor Who e mais.

Já o desenhista Alan Quah ilustrou outros títulos baseados em games, como “Gears of War: Hivebusters”, bem como as outras duas sagas de Dark Souls escritas por Mann.

Dark Souls

O game Dark Souls foi lançado em setembro de 2011. O título, sucessor espiritual de “Demon’s Souls” (2009), foi desenvolvido pela FromSoftware e tem a direção de Hidetaka Miyazaki (um gênio).

O título foi lançado originalmente para PlayStation 3, Xbox 360 e PC. No ano passado, uma versão remasterizada saiu para PS4, Xbox One, PC e Switch.

No primeiro título da série, o jogador cria seu personagem que é denominado “Chosen Undead” (“Morto-Vivo Escolhido”), que, conforme as lendas, seria capaz de quebrar a maldição que impede aqueles com a marca negra de morrer, além de reativar a chama do mundo — de fato, só há brasas (o que é uma metáfora, claro).

A série teve ainda mais dois títulos, Dark Souls 2 e 3 e um título com mecânica semelhante, mas ambientado na Era Vitoriana, Bloodborne [exclusivo de PS4]. Amplamente premiados, os jogos cativam uma legião de fãs por sua jogabilidade original, sistema de jogo online e, principalmente, por sua dificuldade, considera altíssima, por muitos.

“Dark Souls — O Suspiro de Andolus” tinha tudo para ser fenomenal. Infelizmente, ser apenas bom em um universo tão rico é um grande pecado. Tomara que as outras sejam melhores…

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