Poetas internacionais homenageiam Cora Coralina em festival italiano

Radicada em Goiânia, a psicanalista e poetisa Claudia Machado participou do evento, lançando dois livros, e aproveitou para contar a história da viagem

A poetisa Cora Coralina foi a principal homenageada da 34º edição do festival italiano, realizada nos meses de outubro e novembro deste ano

A poetisa Cora Coralina foi a principal homenageada da 34º edição do festival italiano, realizada nos meses de outubro e novembro deste ano

“Vivem em mim mulheres. Mulheres diversas entre si. Sou campo de batalha. Sou terreiro. Sou igreja. Sou Janaína do mar. Sou herança não tombada. Sou terra batizada. Sou fundação. Sou uma. Sou muitas. Sou perdida. Sou achada. Sou todas em acontecer contínuo. Sou mulheres fantasmas. Mulheres mortas. Sou mulheres vivas. Sou mistério…
Dei de parir. Gerar mulheres. Sou o não. Sou o sim. Elas, todas, querem tomar a palavra. Eu não sei sobre mim. Elas me inventam.”
Claudia Machado,
em “O Livro do Depois”

Cris Martins
Especial para o Jornal Opção

Apresentação das obras “Livro do Depois” e “A invenção do João” no Festival de Asolo

Apresentação das obras “Livro do Depois” e “A invenção do João” no Festival de Asolo

Tamanho fora o amor de Drummond por Cora Coralina que ele a fez cruzar o Atlântico. A carta do poeta mineiro, publicada na década de 1980 no Jornal do Brasil, abrira tantas portas para a poesia de Cora, pseudônimo de Ana Lins de Gui­ma­rães Peixoto Bretas, que a escritora foi a principal homenageada do 34º Fes­tival Internacional de Cinema, Arte e Biografia da cidade de Asolo, realizado em outubro e novembro, na Itália.

O festival é mantido e organizado pela Armonioso Labirinto Asolano (ALA). Seu presidente, Attillio Zamperoni, ao visitar a “casa-museu” na Cidade de Goiás, se viu encantado pela trajetória de Cora Coralina. O entusiasmo por sua trajetória e poesia funcionou como propulsão para estabelecer uma ponte artístico-cultural entre o Brasil e a Itália. Nascera, assim, a Associação dos Amigos do Fes­tival Internacional de Cinema de Asolo-Goiânia (AFA), presidida, atualmente, pela psicanalista Mar­cia Marina da Silva.

Atravessando a ponte de Goiânia, na Asolo, por força de sua filiação literária por parte da feição de Carlos Drummond pela poesia de Cora, esteve a proeminente poeta e também psicanalista Claudia Machado, que apresentou, dentro do Festival Internacional, duas obras de sua poesia proseada: o “Livro do Depois” e “A invenção do João”; esse último, ilustrado por Ana Christina da Rocha Lima, voltado à literatura infantil e homônimo ao filme dirigido por Denise Cambotta, que acompanha o livro e estimula as crianças à leitura.

Comitiva do governo de Goiás foi recebida na Itália pela Armonioso Labirinto Asolano e também pela prefeitura municipal de Asolo

Comitiva do governo de Goiás foi recebida na Itália pela Armonioso Labirinto Asolano e também pela prefeitura municipal de Asolo

Na realidade, o 34º Festival In­ternacional de Asolo teve início um pouco antes, em Goiânia, contando com três eventos de homenagens a Cora, a saber: pré-lançamento dos livros de Claudia Machado, no Café Coreto e Boulangerie de Fran­ce, no mês de setembro, com destaque para o solene e belíssimo momento no Palácio das Esmeraldas, que evidenciou o apoio do Governo de Goiás, bem como da Prefeitura Municipal de Palmeiras de Goiás (terra natal da poetisa Claudia Machado), ao lançamento dos livros da escritora.

A exemplo do que aconteceu em Goiânia, as poesias de Cora Coralina (principal homenageada do evento) e a poesia proseada de sua “filha literária” Claudia Machado, foram apresentadas na abertura do Festival Internacional de Asolo em forma de perfomances poéticas dirigidas pelo ator e diretor Ivan Lima.

Sucesso absoluto no festival, as “poetas” contaram, também na Itália, com o prestígio do Governo de Goiás que fez questão de enviar uma comitiva, então liderada pela secretária de governo, a ilustre professora Raquel Teixeira.

Italiana Maria Sparoli participou da “passegiata”, nome pelo qual é chamada a andança recitativa pelas ruas da cidade de Asolo

Italiana Maria Sparoli participou da “passegiata”, nome pelo qual é chamada a andança recitativa pelas ruas da cidade de Asolo

Os poemas de Cora e a poesia proseada de Claudia foram recitados pelas ruas de Asolo em pontos turísticos da cidade em formato de “passegiata”, expressão com a qual os italianos nomeiam as andanças recitativas pelas ruas de Asolo, cumprindo parte da programação do Festival.

“A poesia é uma linguagem universal que nos faz comungar da condição humana, de todos os sentimentos, seja o amor, ódio, ciúme, gratidão… Cora foi apresentada a italianos, russos, taiwaneses e brasileiros, fazendo haver, naquele momento, um só povo deitado na palavra inventada”, disse Claudia de sua estadia em Asolo, da homenagem a Cora, do lançamento de seus livros e, mais, da poesia.

Cris Martins, psicanalista e linguista, escreveu as apresentações das recém-lançadas obras o “Livro do Depois” e “A invenção do João”, de autoria de Claudia Machado.

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