A pilantragem capitalizável de Hollywood

A história da mulher que tem nome de personagem da literatura (Molly Bloom), estudou Ciência Política na Universidade, mas preferiu administrar jogos ilegais de pôquer, acabou presa e virando filme

Jessica Chastain (d.) faz Molly Bloom (e.) em “A Grande Jogada”, escrito e dirigido por Aaron Sorkin, baseado numa história real contada pela própria Molly Bloom no livro homônimo

Se “O Rei do Show” tem chances de levar a estatueta do Oscar com “This Is Me”, outra produção que também só tem uma bala na agulha, “A Grande Jogada”, não tem o mesmo vento de probabilidades na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Mas a história por trás do filme é ótima.

O legal de Hollywood é que, para seus executivos, a pilantragem é capitalizável. Com roteiro de Aaron Sorkin, “A Grande Jogada” conta a história real de Molly Bloom, que nasceu em 1978 numa cidadezinha de 61 mil habitantes chamada Loveland, no Estado do Colorado, no Centro-Oeste dos EUA.

Foi esquiadora profissional, chegando a ser considerada a terceira melhor esquiadora do país, enquanto se formava em Ciência Política na Universidade do Colorado. O pai era psicólogo, e a mãe, pescadora profissional.

Em 2003, aos 25 anos, se mudou para Los Angeles, e começou a trabalhar como garçonete nas casas chiques da cidade. Em 2004, foi chamada para ser croupier num jogo clandestino de pôquer na boate The Viper Room, cujo host era o ator Tobey Maguire (Homem-Aranha, Grande Ga­tsby). O local era frequentado por gente como Jennifer Aniston, Ben Affleck, Lisa Marie Presley, Jared Leto, Christina Applegate, Ange­lina Jolie, Rosario Dawson, Le­onardo DiCaprio e Adam Duritz.

Fundada em 1993, a Viper Room ficou famosa por ser onde o ator River Phoenix morreu em decorrência de uma overdose de cocaína, aos 23 anos.

Em seu livro “Molly’s Game”, que originou o roteiro do filme, ela conta que de croupier passou a ser dona de seu próprio negócio, montando uma agência de jogos clandestinos, a Molly Bloom Inc., em 2007.

Faturava US$ 4 milhões por ano. Em 2013, foi presa, acusada do crime de lavagem de dinheiro, mas em 2014, a pena foi abrandada para uma multa de US$ 1 mil e 200 horas de serviços comunitários.

Com o sucesso do filme, a im­pren­sa voltou a procurá-la, que diz es­tar trabalhando na criação de um portal de web para o empoderamento das mulheres. Mas há quem diga que ela está mesmo é trabalhando com jogos de pôquer de novo. (GGP)

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