Pesquisador encontra manuscrito perdido de Heitor Villa-Lobos

Partitura do “Concerto brasileiro para dois pianos e coro”, que homenageia Ernesto Nazareth, havia sumido há décadas

Heitor Villa-Lobos | Foto: Divulgação/ Museu Villa-Lobos

O ano: 1934. O local: Teatro João Caetano. A ocasião: a apresentação de “Concerto brasileiro para dois pianos e coro”, em homenagem Ernesto Nazareth (1863-1934), compositor e pianista que falecera quatro meses antes da apresentação. Ao primeiro piano estava José Vieira Brandão (1911-2002) e no segundo um dos maiores nomes da música brasileira: Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Ambos acompanhados do coro de professores do Distrito Federal (Rio de Janeiro), regido por Orlando Frederico.

A partitura desta obra era um dos itens do acervo do Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, mas há décadas considerava-se perdido o trecho para os dois pianos. Mas eis que a raridade finalmente foi reencontrada pelo pianista e pesquisador Alexandre Dias, que coordena o Instituto do Piano Brasileiro (IPB), de Brasília.

O excerto foi localizado no acervo pessoal de José Vieira Brandão, mantido por seu filho, Márcio Brandão. O manuscrito, lavrado pelo próprio compositor e pianista, tem seis páginas e indica corresponder à perfeição ao fragmento que sumiu.

O manuscrito perdido: raridade | Foto: reprodução

Um detalhe foi primordial para a identificação da partitura: uma anotação em lápis vermelho com o título da composição, junto com outras evidências, como estar no acervo de Brandão e ser para dois pianos, indicando que era a peça almejada.

O achado é considerado uma raridade por especialistas da obra do maestro. Marcelo Rodolfo, um dos responsáveis pelo arquivo do Museu Villa-Lobos, diz que a última obra do compositor que foi identificada é a “Valsa concerto Nº. 2”, encontrada incompleta em São Paulo em 1995.

Segundo o estudioso, menos de 1% das composições do compositor das “Bachianas” não está localizado. Parte da dificuldade para se saber por certo as obras faltantes é que não se conhece efetivamente quais existiram. A mais famosa dessas “composições incertas” é a Sinfonia No. 5, de uma série de 12.

Deixe um comentário