Pablito Aguiar faz reportagens em quadrinhos da vida cotidiana

Personagens podem variar entre médico, mãe de santo, padre, recicladora, professor, vendedor de churros e mais

As redes sociais se tornaram um antro de picuinha. Sua função de relacionamento tem mais afastado do que unido. Inclusive, como jornalista, costumo ficar de olho, a fim de encontrar histórias por uma ou outra. Porém, às vezes se tem uma grata surpresa.

Em uma dessas “andanças” pelo Twitter, descobri o Pablito Aguiar (Pablo Aguiar), um contador de histórias (em quadrinhos) da vida real. Jornalista, o artista encontrou nas HQs uma forma valorizar a vida de pessoas comuns e, dessa forma, encontrou seu caminho na profissão.

Pablito é autor do livro “Alvorada em Quadrinhos”, de 2017, que conta a história de 23 moradores do município de Alvorada, no Rio Grande do Sul. A obra é vencedora do 25º Salão Internacional de Desenho para Imprensa. Atualmente, ele trabalha do álbum “Porto Alegre em Quadrinhos”, que deve contar com 15 entrevistas — foi por uma delas que cheguei até o autor, “Deraldo” (https://twitter.com/_pablitoaguiar/status/1149343931060150273). Conversamos sobre este e outros assuntos. Confira a seguir.

O pescador Deraldo e o quadrinista Pablito Aguiar (de barba) | Foto: Divulgação

Entrevista

Se apresente ao leitor, por favor…

O meu nome é Pablo Aguiar, tenho 31 anos. Sou natural de Alvorada, município do Rio Grande do Sul.

Como surgiu o projeto de contar histórias da vida real em quadrinhos?

O meu atual projeto “Porto Alegre em Quadrinhos” começou a surgir em 2016, quando entrei na equipe do jornal da minha cidade. No início, comecei trabalhando como diagramador e chargista, mas, depois de um temp,o fiz uma proposta para os donos. Eu já conhecia trabalhos como os do Liniers para o jornal “La Nacion” da Argentina, onde ele entrevistava músicos, atores e transformava o material em quadrinhos. Propus para os donos fazer o mesmo no jornal, porém, em vez de entrevistar personalidades da cidade, eu entrevistaria pessoas comuns, como uma forma de valorizar esses moradores, assim como contar a história da cidade por intermédio dos olhares dessas pessoas. Assim nasceu o meu primeiro projeto de jornalismo em quadrinhos, o “Alvorada em Quadrinhos”. Durante um ano entrevistei mais de 23 moradores do município. Tentei ser bem diverso. Conversei com médico, mãe de santo, padre, recicladora, professor, vendedor de churros, várias pessoas que falaram um pouco sobre as suas vidas em Alvorada. Essa experiência me fez me apaixonar pela profissão de jornalista. Eliane Brum fala que se encantou pela profissão quando descobriu que, com um papel e uma caneta, podia entrar em qualquer lugar. Também tive esse encantamento. A possibilidade de conhecer a vida de uma outra pessoa por meio do teu trabalho é um grande privilégio. A partir daí, então, não quis mais parar.

Quadrinho sobre o pescador Deraldo

Vi que nesse projeto atual você já fez duas histórias, “Deraldo” e “Amélia”…

Atualmente estou entrevistando moradores de Porto Alegre. Já entrevistei Janja, moradora do Quilombo dos Alpes; Deraldo, pescador das águas do Lami; Amélia, médica de Família e Comunidade no Porto Novo, entre outros. A intenção é até o ano que vem entrevistar 15 pessoas e transformar esse material em um livro chamado “Porto Alegre em Quadrinhos”. Um processo parecido com o que realizei em 2016. Entretanto, o tempo em que ficava conversando com o entrevistado antes era de uma hora, agora, neste novo projeto, tento viver algo com o personagem. Como no caso do pescador Deraldo; dormi na casa dele e de manhã cedo, às 4h30, saímos para pescar.

Rita se tornou personagem de quadrinhos | Foto: Divulgação

Como são escolhidos os personagens?

Os personagens são escolhidos de diversas maneiras. Pode ser por indicação ou também a partir de uma intuição minha. Por exemplo, o quadrinho que estou fazendo agora é sobre Adriana de Oliveira. Ela é negra, diarista e mãe solteira de cinco filhos. Eu a conheci num ônibus. Puxei assunto e descobri que estava indo com todos os filhos para uma igreja evangélica. Achei aquilo muito potente. Troquei telefone e hoje estou aqui desenhando a sua história. Para não dizer que não tenho nenhum critério para escolher os personagens, o único que sigo é de que os temas não podem se repetir, pois penso que um livro diverso será mais rico ao leitor.

Pessoas que se tornaram personagens dos quadrinhos de Pablito | Foto: Divulgação

E sobre outros projetos, o que tem em mente?

Pretendo seguir fazendo reportagens em quadrinhos. É uma troca incrível para mim de diversas maneiras. É bom para a minha profissão de quadrinista, pois assim pratico e melhoro cada vez mais. É bom para vencer a minha timidez, pois me desafio a falar com outras pessoas. Mas principalmente é bom para mim como ser humano, porque o aprendizado que tenho ao me deslocar e ouvir o outro é equivalente ao aprendizado que temos quando conhecemos outro País. Essa viagem exige bastante de nós, mas vale muito a pena. Quero cada vez ir mais longe.

Como o leitor pode acompanhar seu trabalho?

Quem quiser me acompanhar, estou postando as histórias em quadrinhos no meu Instagram (https://www.instagram.com/pablito_aguiar/) e no Twitter (https://twitter.com/_pablitoaguiar). Se alguém quiser comprar o livro “Alvorada em Quadrinhos”, é só falar comigo nas redes sociais.

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