Os piores finais de série de todos os tempos

Porque não tem nada pior que passar dias, meses e até anos acompanhando
episódio por episódio para levar um verdadeiro banho de água fria dos roteiristas

Não adianta: férias viraram sinônimo de maratona de séries. Com a massificação dos programas de streaming — sejam eles “piratas” ou legais, como é o caso da Ne­tflix —, cada vez mais pessoas se rendem aos programas de TV mais famosos do mundo.

Enquanto os Estados Unidos dominam a produção de séries, o Brasil ainda engatinha no desenvolvimento desses produtos. Mesmo assim, o brasileiro, que é consumidor ativo de telenovelas, tomou gosto por megaproduções como “The Walking Dead”, “ER”, “House of Cards”, “Game of Thrones”, “Breaking Bad” e tantas outras.

A Netflix não divulga os números de assinantes por País ou região. Contudo, estimativa da consultoria Digital TV Research aponta que seriam quase 3 milhões de assinaturas em terras tupiniquins. No mundo todo, quase 70 milhões.

Com tanta gente assistindo (legalmente, ou não) séries é inevitável: tem sempre aquele diretor/roteirista que sabe estragar a festa. Quem nunca se frustrou com um final de série que é um verdadeiro banho de água fria?

Você passa dias, meses e até anos acompanhando seus personagens preferidos para, em alguns minutos, ficar “p da vida”. O Opção Cultural resolveu, então, compilar os piores finais de séries da história. Embora grande parte da lista já tenha terminado há algum tempo, algumas estão disponíveis em sua completude na própria Netflix, caso de “How I met your mother” e “Lost”.

Confira e comente também. Afinal, é sempre bom ouvir opiniões divergentes.

***Aviso: esta matéria está cheia de spoilers! Não leia se você está assistindo à alguma das seguintes séries: “How I Met Your Mother”, “Smallville”, “Dexter”, “Prison Break”, “Two and a Half Men”, “Heroes”, “Chuck”, “Kyle XY”, “Gossip Girl” e “Lost”.***

HOW I MET YOUR MOTHER

How I met your mother

Exatos 4.554 minutos. Esse foi o tempo que levou para eu chegar ao último episódio da série “How I Met Your Mother”. Nove temporadas, mais de 200 episódios e um final frustrante. Acompanhar a saga de Ted, Barney, Marshall, Lily e Robin me proporcionou muitas risadas, mas confesso que fiquei extremamente chateado com a maneira como os criadores Carter Bays e Craig Thomas optaram por terminar a trama.

Passamos oito temporadas ansiosos para saber como Ted conheceu a mãe de seus filhos e, quando finalmente nos é apresentada Tracey — a mulher dos sonhos, que supriu a carência, inseguranças e anseios do personagem principal —, descobrimos que ela morre. Poxa! Como assim? Os roteiristas nos levam a acreditar, durante todas as temporadas, que Ted encontrara a mulher de sua vida e estava apenas se lembrando de suas péssimas decisões amorosas para, no final, não gastarem nem 20 episódios direito com a “mother” do título da série? Incoerência pura.

Sem contar que não faz o menor sentido Robin e Barney (o casal que deveria ter dado certo de verdade) se casarem para se separarem após três anos. Ora, experimentados como são, os dois já haveriam de ter entendido que não davam certo — se assim fosse de verdade — quando namoraram na quarta temporada. Não obstante, qual o propósito de gastar uma temporada INTEIRA no casamento para depois, em uma cena, revelar que acabou em divórcio.

Foi cruel ver os dois terminarem, Barney ter uma filha de uma qualquer e que Tracey já estava morta. Mas o pior mesmo foi assistir a Ted bater na porta de Robin com a trompa azul da primeira temporada. Perdeu a essência da série — que começou com um propósito: apresentar a história que levou Ted a conhecer a mãe de seus filhos.

“How I Met Your Aunt Robin, My Real True Love”?

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Por Alexandre Parrode

SMALLVILLE

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Se Alexandre Parrode perdeu 4.554 minutos de sua vida assistindo “How I Met Your Mother”, imagine quem acompanhou as 10 temporadas de “Smallville”. So­man­do os 217 episódios, o resultado é aproximadamente 152 horas (9.120 minutos); quase uma semana.

Quando estreou em outubro de 2001, “Smallville” tinha tudo para ser uma ótima série. Afinal, a proposta era mostrar a adolescência do super-herói mais conhecido da DC Comics — embora não o mais interessante.

A proposta é excelente, tanto que o “Homem de Aço” de Zack Snyder pegou emprestado a ideia. Porém, a série é cheia de altos e baixos. A aposta na história de romance entre Clark Kent e Lana Lang é digna de “Malhação”.

O ponto forte foi dar o pontapé para uma produção cinematográfica de Liga da Justiça, pois a série foi a primeira, nos anos 2000, a reunir os principais heróis da DC. Mas o conjunto da série é negativo, sobretudo porque Tom Welling não evoluiu como ator. É menos que mediano.

O último, que poderia dar redenção à série, é morno. Existe o casamento de Clark e Lois (!), interrompido pelo planeta de fogo enviado por Darkseid para destruir a Terra. Lex Luthor, que é na verdade um clone, ressuscita. Clark ganha o uniforme na Fortaleza da Solidão, salva o dia e é isso aí.

Mas dá para piorar: todos esperaram dez anos — repito: dez anos — para ver o Superman voando. O que acontece? Vemos 50 segundos — isso mesmo: 50 segundos — de um borrão passando pelo céu. Isso porque Tom Welling não quis aparecer com o uniforme. Obrigado pela perda de tempo, “Smallville”.

smallville

Por Marcos Nunes Carreiro

DEXTER

Dexter

O pior final de série de todos foi o de Dexter. Ele começou a série como um serial killer sem sentimentos, que usava seus impulsos psicopáticos para matar assassinos e fazer o que achava certo. Ele se achava um monstro e só se preocupava em manter o controle e nunca fugir de sua missão.

Porém, depois se tornou imprudente e até se apaixonou. A série ficou totalmente desvirtuada e ele passou de anti-herói a um personagem novelesco, com dramas ridículos, como o momento em que Debra (sua irmã adotiva) e ele chegam a cogitar um envolvimento romântico.

O final foi o mais covarde de todos, com Dexter se isolando e indo trabalhar como lenhador no meio do nada para proteger sua irmã, seu filho e a namorada. Nunca vi um personagem tão incoerente.

dexter

Por Pedro Henrique Malta

PRISON BREAK

Prison Break

Em 2005, quando “Prison Break” estreava na TV norte-americana, era improvável prever o sucesso de uma série que narrava a história de um engenheiro civil que tenta tirar o irmão da prisão tatuando a planta da mesma em seu corpo. A produção, no entanto, agradou a audiência e durou por quatro anos.

Com exceção da terceira temporada, que sofreu as consequências da greve de roteiristas à época, a série teve um bom desenvolvimento e o final não foi diferente. No vigésimo segundo episódio da quarta temporada, a saga dos irmãos Scofield-Burrows chegou ao fim em uma sequência repleta de ação e reviravoltas.

O que ninguém esperava era que, nos últimos minutos da série, a dra. Sara Tancredi aparecesse, sem muitas explicações, no túmulo do amado e protagonista da série. A morte de Scofield pegou os fãs de surpresa e teve que ser explicada em dois episódios extras.

Na época, os roteiristas alegaram que o final trágico era a única forma de fechar os arcos da série sem deixar expectativa de retorno. Hoje, a justificava não faz muito sentido, já que a Fox anunciou, no último ano, a continuação da série, inclusive, com a presença do mocinho defunto.

prison-break

Por Marcelo Gouveia

TWO AND A HALF MEN

Two and a half men

A série “Two and a Half Men”, que passou suas últimas quatro temporadas (da 9ª à 12ª) sem seu protagonista Charlie Harper, vivido por Charlie Sheen, teve um final mais do que horroroso e sem graça.

Com a negativa do ator em aparecer no último episódio, que foi exibido nos Estados Unidos no dia 19 de fevereiro de 2015, o seriado terminou com a volta do personagem Charlie Harper e a história de que, após trair Rose, sua stalker, na lua de mel, Charlie passou os últimos quatro anos, justamente os quais Charlie Sheen saiu da série, preso por Rose em uma espécie de fosso no porão da casa dela.

Charlie Harper escapa, sem aparecer em todo episódio, que se dá em torno dele. Só na última cena, de costas, o personagem é visto andando na direção da porta de sua antiga casa e toca a campainha. É quando um piano, que ele havia encomendado para sua volta, cai do helicóptero em cima dele e mata o protagonista da série.

Em seguida, o diretor Chuck Lorre vira para a câmera e comemora, de sua cadeira no estúdio, a morte de Charlie. Ele também é atingido por um piano e morre. Fim da série. Que lixo!
Two and a tragic final Half Men!

two

Por Augusto Diniz

GOSSIP GIRL

Gossip-girl

“And who am I? That’s one secret I’ll never tell.” Quem assistiu à série “Gossip Girl” ouviu esse juramento 121 vezes. De tanto ouvir, os fãs da trama acabaram acreditando que jamais saberiam quem estaria por trás do blog que contava as fofocas da elite de Manhattan e causava as mais variadas intrigas entre os personagens. Há também quem acreditava que o enredo seguiria a série literária homônima que deu origem à versão para TV, optando por não revelar a identidade da “garota do blog”.

Os autores da série televisiva, no entanto, resolveram surpreender os fãs e revelaram, por fim, o grande segredo. A gossip girl era, na verdade, um garoto. Mas não um garoto qualquer, e sim Dan Humphrey, o protagonista simples e introvertido do Brooklyn. A revelação pegou todos de surpresa, inclusive o ator Penn Badgley, que ficou sabendo da novidade pouco antes da gravação das cenas finais do último episódio.

Além da escolha inusitada, outros motivos alimentaram a estranheza do público. Dan, por exemplo, sempre se mostrava surpreso a cada vez que recebia um alerta de nova publicação da gossip girl, mesmo estando completamente sozinho. Sem contar, é claro, as inúmeras postagens maldosas que a blogueira fazia sobre o próprio ou sobre sua família.

A criadora da série, Stephanie Savage, tentou se explicar alegando que a intenção do garoto era se infiltrar no círculo social da amada Serena e conquistá-la, enquanto paralelamente estava fofocando sobre ela, sobre seus amigos, e sobre ele mesmo na internet. Parece verídico, não é mesmo?

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Por Marcelo Gouveia

HEROES

Heroes

“Heroes” foi outra série de super-heróis que decepcionou. Só não sei o porquê de a NBC querer ressuscitar a história com “Heroes Reborn”. A série foi cancelada antes de o último episódio ir ao ar, mas isso não é desculpa, pois o season finale só confirmou algo sobre a série: o vício de não conseguir suprir expectativas.

O episódio é fraco e cheio de furos. Não explicam uma grande parte do que havia sido levantado ao longo das quatro temporadas. No final, Peter se une a Sylar para lutar contra Samuel, que é vencido. Chega a imprensa e Claire se revela ao mundo, desta vez com o apoio de todos os heróis. A tela fica negra e aparece: “To be continued”.

Não continuou, pois a série foi cancelada — até a chegada de “Heroes Reborn”, série que começou no ano passado, mas da qual só assisti o primeiro episódio. Como parece que será morna com a anterior, não vou continuar.

heroes

Por Marcos Nunes Carreiro

KYLE XY

Kyle XY

Para quem gosta de ficção científica, Kyle XY foi uma série intrigante, mas com um final frouxo, pois não explicou quase nenhum dos mistérios levantados ao longo de seus 43 episódios. Quem assistiu, há de se lembrar que Kyle e Jessie, personagens de Matt Dallas e Jaimie Alexander, eram seres humanos aprimorados, quase super-heróis.

Kyle XY foi baseada no mistério de quem eram os dois, já que eles não tinham memória – sobretudo Kyle. E esse mistério envolveu uma série de outros enigmas que, adivinhe, não foram solucionados no último episódio da série. Mas há de se fazer uma ressalva: a culpa não foi dos produtores e roteiristas.

Acontece que a terceira e última temporada acabou em 2009. Mas o projeto era continuar. Na quarta temporada, provavelmente, muitos dos enigmas seriam resolvidos. Jessi era “danificada”? Como assim? Mostraram um exército de clones no último episódio? Quem eram eles? O que acontece com a família Trager? Qual o futuro de Kyle?

Porém, a ABC cancelou a série depois que o último episódio, “Bringing Down the House”, já havia sido gravado. Uma pena. Para uma coisa, a série serviu: revelar Jaimie Alexander. Ela, que ganhou espaço em Hollywood por seu papel no mundo Marvel (Lady Sif), ganhou o papel principal em “Blindspot”, série que estrou no fim de 2015.

sorry

Por Amanda Ferreira

CHUCK

Chuck

“Chuck” foi uma série em que me identifiquei um bocado com o personagem principal. Ver sua ascensão e sua transformação de um simples nerd de loja de departamento à praticamente um espião da CIA foi bem interessante. A trilha sonora também me apresentou bandas que até hoje ouço e curto bastante.

No entanto, a quinta e última temporada não deixou nem aquela sensação de “quero mais”. A impressão que fica é que os últimos episódios foram escritos apenas para “cumprir o horário da programação” e nada mais. Ao final do 13º episódio da quinta temporada me perguntei se seria melhor se a série tivesse terminado ao final da terceira ou mesmo da quarta.

Colocar Morgan Grimes com o intersect, por mais que ele fosse um personagem legal e bem humorado, não foi legal. Ficou tosco. O desvio de personalidade de Sarah nos últimos episódios para dar mais fôlego à série também ficou bem forçadinho.

O Chuck sempre quis entrar na espionagem, sempre quis ser um cara fodão para agradar Sarah. Daí, quando ele consegue isso, ele simplesmente joga fora esse “poder” e abandona a espionagem.

Para o final mais clichê de todos: um casamento em uma praia.

chuck

Por Domingos Ketelbey

Lost

O final de Lost é tão ruim, mas tão ruim, que fizemos questão de deixar por último. Não precisa de mais que uma frase. Depois de seis temporadas, teorias conspiratórias e muita angústia, descobrimos o óbvio: estava todo mundo morto.

pissed

Por “Todo mundo que viu a série”

5 respostas para “Os piores finais de série de todos os tempos”

  1. Pedro Henrique Malta Martins disse:

    Heroes eu parei de ver no final da segunda temporada, de tão ruim que foi.

  2. Dois finais de série são muito piores do que esses. O primeiro é o da Família Dinossauro. Quando Dino envenena a água e não permite que o sol nasça novamente, sela o destino de todos, inclusive de sua família. Tristíssimo. O segundo é o do Alfie, o Eteimoso. Quando finalmente Alfie irá retornar para seu planeta, o exército consegue capturá-lo. De fato, antes o general disse que se o pegasse iria queimá-lo, congelá-lo, picá-lo etc. Ora, o Alfie morreu e foi dissecado pelo exército, que sacanagem!

  3. Destiny Vianna disse:

    lost em primeiro e gossip girl em segundo

  4. Pedro Henrique Malta… Sobre Dexter…

    Ele foge pra se defender… não percebo em algum momento sentimento naquele bosta do Dexter… e mais, ainda que tivesse fugido p proteger alguém, foi seu filho e esposa… A irmã dele morreu… Foi jogada no mar por ele… :-/

  5. Wagner disse:

    Com certeza a série Lista, foi um dos finais mais ruim que já assisti. Com um monte de pontas soltas a série foi boa até 02 temporada, depois foi ladeira a baixo com um final sem contexto nenhum.

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