Os melhores filmes de 2015

Longe dos blockbusters, conheça os títulos da cinematografia que se destacaram pelo enredo, fotografia ou pelas boas interpretações

Yago Rodrigues Alvim

Diferentemente do esperado, “Jurassic World”, “007 Contra Spectre”, “Jogos Vorazes: A Es­pe­rança – Parte Final”, “Os Vinga­dores: Era de Ultron”, “Star Wars: O Despertar da Força” e “Mad Max: Estrada da Fúria” não estão aqui listados. Poderiam, se já não fosse óbvio a primazia de tais produções (que valem sim o sofá, a pipoca e boas conversas com amigos). Porém, passando ao largo de várias das milhares de listas existentes, optei por destacar (com ajuda de amigos jornalistas e cinéfilos) as obras que mais se evidenciaram nos derradeiros meses de 2015, longe dos spotlights de bilheteria (salvas uma ou outra exceção). Se ainda não os viu, ficam como excelentes indicações para começar muitíssimo bem 2016.

Beira-Mar

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Exibido no Fórum do Festival de Berlim e premiado no Festival do Rio, o longa de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon vai muito além dos rótulos de “filme gay”. De sutileza ímpar, a obra narra a história de Martin (Mateus Almada), um jovem que viaja ao litoral gaúcho para apanhar um documento para o pai na casa de seus parentes, cuja relação é conturbada. Tomaz decide acompanhá-lo. Eles se abrigam em uma casa de vidro à beira-mar, onde se passam cenas únicas e singelas. No trailer, é possível ver que Tomaz tem o cabelo azul, mas é fantástico o modo como isso aparece no filme. “Em ‘Beira-mar’, ser gay não é fácil. Mas ser jovem também não”, diz Matzembacher.

 

Branco Sai, Preto Fica

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Com direção de Adirley Queirós, o longa brasileiro ganhou as críticas — muito positivamente, vale dizer. A frase que intitula o filme foi pronunciada por um policial ainda na década de 1980. E, logo nos primeiros minutos, um dos personagens dá força a ela ao esmiuçar que, quando a polícia chega, “os brancos saem e os pretos continuam no salão”. Do baile, um dos personagens principais sai na cadeira de rodas e o outro passa a usar uma perna mecânica. No longa, a black music da periferia brasiliense tem fim anunciado pela repressão social.

 

Que Horas Ela Volta?

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Singelo e intrinsicamente crítico, o longa da diretora Anna Muylaert emudece ao contar a jornada de Val (interpretada com maestria por Regina Casé) que, alojada na casa dos patrões em São Paulo desde sua saída do interior de Pernambuco, se vê sem condições de melhor acolher sua filha que chega à capital para o vestibular. A obra tem cenas inesquecíveis, como o telefonema de Val para contar a Jéssica (Camila Márdila), sua filha, que está na piscina dos patrões, local proibido e que representa na trama o abismo existente entre as classes sociais brasileiras.

 

Amy

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Foi em 23 de julho de 2011 que a cantora Amy Winehouse entristeceu de vez o mundo. Não por suas canções, como “Back to Black” ou “Love is a Losing Game”, nada disso; naquele sábado, Amy nos entristecia ao ser encontrada sem vida em Londres. Os jornais há muito já anunciavam seus problemas pessoais e abusos de substâncias tóxicas. Quem se encantou por “Frank” (2003) e “Back to Black” (2006), únicos álbuns lançados, na certa já se emociona apenas com o trailer de “Amy”, documentário dirigido pelo britânico Asif Kapadia, que esmiúça a história da cantora inglesa desde sua infância.

 

Cobain: Montage of Heck

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O filme de Brett Morgen conta a história do fundador e vocalista da banda grunge estadunidense Nirvana, o músico Kurt Cobain. Como “Amy”, dá para imaginar que não é nada fácil assistir ao documentário. Primeiro, devido à sua jornada, tanto pessoal quanto na música; depois, por seu trágico fim em Seattle, no dia 5 de abril de 1994. “Montage of Heck” traz uma animação da história de Cobain, a voz do cantor em uma entrevista cedida a David Fricke, da Rolling Stones EUA, e momentos íntimos de sua vida, como um vídeo caseiro que o mostra brincando com sua filha, Frances Bean.

 

Beasts of No Nation

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Dizer que a Netflix ganhou o mundo este ano não é muita novidade. O serviço de streaming mandou bem ao lançar séries e documentários como “Orange is the New Black”, “Jessica Jones”, “Demolidor”, “Sense8”, “Narcos” e até mesmo “Miss Simone”. Em outubro, enfim lançou seu primeiro filme original: “Beasts of No Nation”. Baseado no best-seller homônimo escrito pelo nigeriano Uzodinma Iweala e filmado em Gana, o longa conta a jornada do filho caçula de uma família tradicional africana, o menino Agu (Abraham Attah). Por seus olhos, vemos os horrores e mazelas de uma guerra civil.

 

Ex Machina

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Lançado diretamente em DVD, o longa de Alex Garland traz no elenco Alicia Vikander, Domhnall Gleeson e Oscar Isaac — os dois últimos participam de “Star Wars: o Despertar da Força”, blockbuster que poderia muito bem aparecer nesta lista, ao lado de “Mad Max: Estrada da Fúria”. Na obra, Alicia interpreta Ava, uma robô com inteligência artificial. A história se desenrola com a ida de Caleb (Gleeson) à residência isolada e paradisíaca de Nathan (Isaac) para realizar um Teste de Turing em Ava a fim de verificar se a inteligência artificial é, de fato, autônoma e autêntica, fazendo assim referência a Voight-Kampff de Blade Runner, filme de Ridley Scott. Mas ali, diferentemente, a máquina não emula sentimentos. Ela sente.

 

What Happened, Miss Simone?

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“Eu mesmo achava que conhecia Nina Simone, por conta de algumas poucas músicas, mas acabei descobrindo, ao longo da produção do filme, um personagem incrível, complexo e multifacetado”, diz a diretora Liz Garbus. Com imagens inéditas, diários e cartas, o filme conta ainda com entrevistas e trechos de shows, pronunciamentos públicos ativistas e irados. “Miss Simone” mostra os primeiros passos de Eunice Waymon (verdadeiro nome de Nina) na Carolina do Norte, onde aprendeu a tocar piano clássico, até suas lutas mais acaloradas contra o racismo, que infelizmente ainda assombra milhares de pessoas ao redor do mundo.

 

Eu, Você e a Garota que vai Morrer

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Muitos filmes já contaram que o high school americano não é nada fácil. Alguns mais criticamente, outros de forma jocosa, puro entretenimento. Que outros filmes já trataram do câncer e de suas mazelas, nos fazendo chorar e chorar, também não é muita novidade. Junta isso e tcharam! Espera, esqueci de comentar que o filme ainda fala de dois jovens que revivem, com produções caseiras, cenas clássicas de cinema. “Rebobine, Por Favor”, certo? Mas o longa de Alfonso Gomez-Rejon inova muitas vezes por suas sutilezas, seja com a fotografia, jogos de cena ou por lhe fazer indagar do final: “como vai ser?”, dito ansiosamente. Vale destacar a brilhante interpretação do ator americano Thomas Mann, que dá vida ao protagonista Greg.

 

Divertida Mente (Inside Out)

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Que muitos já se debruçaram em pesquisas e mais pesquisas, anos de estudos, teorias e mais teorias a fim de entender o cérebro e assim o pensamento humano, todos já sabem. Que Peter Hans Docter fez o mesmo, de maneira muito divertida e animada, pode ser que não. Já assitiu “Divertida Mente”? Pois é, o longa é uma viagem ao centro de comando e ilhas de personalidade de Riley, uma garota de 11 anos de idade que enfrenta mudanças importantes em sua vida quando os pais decidem deixar sua cidade natal. O diretor Peter Hans Docter contou à imprensa que a animação foi uma tentativa de entender sua filhinha que ficava cada vez mais tímida. “Eu vivia tentando pensar o que se passava na cabeça dela”, disse.

 

O Regresso (The Revenant)

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Uma das mais quentes apostas do Oscar 2016 é, sem dúvida, “O Regresso”. Do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (vencedor do Oscar 2015 de Melhor Filme com “Birdman”), a obra é baseada no romance “The Revenant: A Novel of Revenge”, de Michael Punke. A história se passa no século 19 e acompanha o guarda de fronteira Hugh Glass (interpretado por Leonardo DiCaprio), que é atacado por um urso, quando estava em missão ao longo do rio Missouri. Abandonado por seus companheiros, Hugh sobrevive e parte em busca de vingança. Além de DiCaprio, Tom Hardy integra o elenco.

 

Vício Inerente (Inherent Vice)

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Paul Thomas Anderson fez o que muitos cineastas consideravam impraticável. O diretor verteu para telas o livro homônimo do estadunidense Thomas Pynchon, publicado em 2009 e editado no Brasil pela Companhia das Letras no ano seguinte com tradução de Caetano Galindo. Pynchon é um escritor que não se deixa fotografar, sequer dá entrevistas, o qual muitos cogitam até não existir. A história narra a investigação do sequestro de um bilionário latifundiário, encabeçada pelo detetive particular Sportello, interpretado no longa por Joaquin Phoenix. Reese Witherspoon completa o elenco.

Uma resposta para “Os melhores filmes de 2015”

  1. Avatar Súlivan Magalhães disse:

    Jurassic Word -> Jurassic World.

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