Os 10 melhores álbuns de 2016

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Yago Rodrigues Alvim

Muitos detestam listas. Na contramão, alguns adoram. Eu mesmo podia fazer lista dos melhores momentos que vivi no ano (ou na semana, no dia, vai saber). No meio midiático, jornalístico, elas têm lá o seu valor. Além de agregarem valor ao trabalho de um artista, pelo prestígio e legitimidade do veículo, são ainda uma boa oportunidade de descobrir novos títulos (acordar ou não e até mesmo fazer sua lista e ir vislumbrando trabalhos e projetos outros). Eis, então, a minha sutil contribuição no mundo das listas: a dos meus melhores álbuns de 2016.

Cambaleando entre nacionais e internacionais, tentarei vislumbrar valores maiores, que não cabem só a mim. Nisso, a ordem aqui escolhida não segue uma preferência pessoal, mas sim a relevância dos trabalhos nos seus cenários – estes ampliados.

5. Melhor do Que Parece – O Terno
“Descomplicado e leve” foi o que se revelou na busca pelo disco, uma vez que a última posição nacional veio do caro amigo, o também jornalista Augusto Diniz. Não obstante, que delícia já é a primeira e culpada faixa do álbum, o terceiro da jornada empreitada pelos paulistanos. Líder ou entre o top três de muitas listas reconhecidas, a obra é melhor do que eu digo, só ouvindo.

4. Soltasbruxa – Francisco, el Hombre
A festa mexico-brasileña do multicultural grupo de Campinas (SP) saltam aos olhos e ouvidos pós-qualquer-show-que-seja-da-banda. Grudam as músicas. E, aos desconhecidos, o zunido às vezes desconhecido recai numa mais atenta escuta de quem percebe nas letras o engajado franciscano, este do mundo de Gabriel García Marquez, com seu personagem Francisco, o Homem, que girava o mundo a recontar num cantarolar a história deste globo azul – como descoberto por José Arcádio Buendía.

3. O Mesmo Mar Que Nega A Terra Cede À Sua Calma – Bruna Mendez
Imenso, feito o título, é o universo sonoro marítimo do trabalho de Bruna Mendez, este de quase um violão e voz a sós. São letras, acordes que mostram uma calmaria inquieta de um caminho certo sobre águas. É por se dar conta, do que já cantava Caetano e Chico, que navegar é preciso que a obra se renova em meio a frescores juvenis amorosos, a virtualidade fatigante. Há sempre bem mais.

2. Princesa – Carne Doce
Foi nos últimos dias de vida de minha vó que conheci a Princesa de Carne Doce. “O Pai” que canta da admiração maior será sempre de despedida para mim. No mais, este muito mais que afetivo, o álbum é de valor singular musical, por atestar primorosamente em cenário nacional os novos ritmos de um Goiás pluralíssimo, do rock. E são nas letras que recaem o valor maior por seus retratos crus, donos e donas de si do já desgastado hoje, este que se engendra de passados. Mudança, meu povo. No jeito de ser.

1. Tropix – Céu
O pixelado sonoro de Céu se faz de muitas cores. Dentre elas, a saudade da varanda dos avós, o assombro infantil, as muitas camadas de ser e do ser, o apreço por Chico. Se, do lançamento, os argumentos rondavam o sintético brasileiro, o pop brasileiro se inaugural em Gal ou com Céu, Tropix já se distancia, fazendo-se rainha brasilis. Que delícia!

5. Joanne – Lady Gaga
Deixando grandes nomes para trás, como Adele e seu álbum “25” (que é sim de fascínio, ainda mais para um coração quebrado), Lady Gaga merece destaque. Não que eu concorde com o primeiro single – “Perfect Ilusion”, o qual se destoa do álbum, que é sim bem-redondinho, ou quase no caso – “Joanne” mostra uma nova faceta da artista. Uma menos manipulada, maquilada, uma menos produto industrial e cultural, e nem por isso menos comovente. Ela, que soube sempre refletir com todas elas o mundo em que vive, amostra agora o cru do humano, comum a muitos, como a perda, as imperfeições, as muitas vontades. Vale sim, girl.

4. Blackstar – David Bowie
Quantas perdas, não 2016? E que perdas. Nas letras, na música, muitos ficaram à mercê de nada novo de grandes artistas que se foram. E, certamente, o mundo ficou à mercê do camaleão David Bowie. O artista lançou, à beira de virar pó, sua última estrela. Uma obscura e infinita Blackstar.

3. Anti – Rihanna
Nem parece que o álbum é deste ano, por tão longínquo janeiro, quando foi lançado. Mas “Anti” é sim de 2016. E como não ressalta-lo se, dele, desvela um dos maiores singles do ano? “Work, work, work”, babie, foi o que Rihanna fez, preambulando por letras e bandeiras próprias e ainda mostrando que manda bem (e como!) nos vocais – o que para muitos não é tão surpresa assim. Não é não, “Love on the Brain”?

2. Blonde – Frank Ocean
Depois de uma espera aflitiva, Frank Ocean enfim amostrou o sucessor de “Orange Channel” ao mundo. E que mundo retratou. No seguir das faixas, cada som e letra, e ainda nome envolvido e, nisso, o acréscimo musical que ofereceram, tal como os vocais de Beyoncé em “Pink + White”, “Blonde” se faz essencial em qualquer lista. E se você ainda não furou nenhum streaming de tanto ouvir o álbum, saiba que é sempre hora.

1. Lemonade – Beyoncé
Que a artista se consagra a cada trabalho de modo original e inaugural, todos sabem. Nem é preciso dizer da importância do álbum, que foi lançado no horário nobre em um dos canais mais vistos nos Estados Unidos. O emponderamento da mulher e o orgulho negro já valem como ponto para lista, que destaca uma artista que preza pela visualidade, o livre-transito entre ritmos. Entre as liberdades.

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