Ocupa Árvore: a arte de resistir da carioca Flávia Meireles na Mostra Manga de Vento

A apresentação da palestra/performance será nesta quinta-feira, 11, no Teatro Sesc Centro. No dia seguinte, a artista convida a pesquisadora Susi Martinelli para um bate-papo sobre o ensino da História da Dança

Fotos: Ju Brainer

Fotos: Ju Brainer

Numa mistura de palestra e performance, formato híbrido, limiando arte e experiência vivida, a carioca Flávia Meireles, na companhia da historiadora e dramaturga Mariana Patrício, recria o Ocupa Árvore. E foi no Rio de Janeiro, no ano de 2013, que o índio Urutau Guajajara despendeu 26 horas num topo de árvore em resistência ao despejo ilegal da Aldeia Maracanã.

De uma articulação de palavras, imagens e gestos, Flávia descreve suas experiências junto à resistência da Aldeia e tangencia assuntos como remoções, táticas de resistência, circulações territoriais e subjetivas e outros modos de existência na urgência de reelaborar o corpo e o mundo através do índio urbano.

O trabalho é fruto dos resultados do mestrado prático/teórico em Artes Visuais, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em que Flávia exercita a fricção de linguagens e matérias, desejos e discursos, numa investigação do que, na prática artística, instiga e problematiza a arte de resistir.

ocupa arvore IIA crítica criativa da carioca Meireles ganha Goiânia nesta quinta-feira, 11. “Ocupa Árvore – A Arte de Resistir” será apresentado às 20h nos palcos do Teatro Sesc Centro, pela Mostra Manga de Vento. O circuito tem em si a vocação de encontrar e programar ações que inauguram e problematizam os novos modos de pensar e apresentar as artes corporais.

Manga de Vento conta com o apoio institucional do Fundo Estadual de Cultura, patrocínio da Lei Goyazes e parceria com o Sesc. A mostra é coproduzida por Guilherme Wohlgemuth, pela Lúdica Eventos e Produções, e realizada pela Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás.

Temas e Danças

No dia seguinte, sexta-feira 12, Flávia e Mariana convidam a pesquisadora e professora de Dança do Instituto Federal de Brasília, Susi Martinelli, para uma edição itinerante do projeto Temas de Dança. O grupo de pesquisas nasceu da ideia de possibilitar aos profissionais e estudiosos da dança um arsenal teórico e prático que acresça a formação, produção e difusão da dança – a pesquisadora Ana Kiffer também coordena o grupo, junto a Flávia e Mariana.

O bate papo tem como tema as possibilidades de abordar o ensino e a pesquisa em História da Dança a partir de novos agenciamentos tanto do corpo, quanto da palavra e memória, sem que dissocie corpo (prática) e texto escrito (teoria).

Por isso, indagam: “Se, tradicionalmente a dança é pensada através do corpo e a história através do texto escrito, interessa-nos pesquisar como estas duas matérias – corpo e texto – podem se encontrar sem que nenhuma das duas termine por apagar/ocultar a outra?” e “Como tornar acessíveis para o aluno de História da Dança esse encontro que nos obriga a procurar novos modos de pensar a relação entre corpo e história, indivíduo e coletivo?”.

Amparado na afirmativa de Deleuze e Guattari, “o desejo constrói máquinas que, inserindo-se no campo social, são capazes de fazer saltar algo, de deslocar o tecido social” (1994), o grupo propõem que o corpo também força a História, enquanto campo de pensamento, a redefinir os seus modos de classificar e entender o tempo e o espaço.

O bate papo tem uma coprodução com o Programa de Pós Graduação em Performances Culturais da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG e será aberto a todos os interessados. É das 9h ao meio dia, no auditório do Centro de Aulas da Faculdade de Educação Física e Dança, no campus Samambaia.

Serviço

Manga de Vento – “Ocupa Árvore – A Arte de Resistir”
Data: 11 de junho
Horário: 20h
Local: Teatro Sesc Centro

Temas de Dança – Historiografias sobre Dança Contemporânea
Data: 12 de junho
Horário: 9h às 12h
Local: Auditório FEFD (Campus Samambaia)

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