“O melhor a se fazer é espalhar arte pelo mundo”

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Diretor Gabor Kapin: “Os bailarinos estão felizes aqui no Brasil. Começamos a trabalhar e eu sinto esta energia que é muito boa e que nos deixa assim, gratos” | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Diretor de elenco, Gabor Kapin conta sobre a vida da companhia belga The Royal Ballet of Flanders ao Brasil

Yago Rodrigues Alvim

Na última semana, a companhia belga The Royal Ballet of Flanders veio a capital goiana. Em apresentação única, a companhia encheu o Teatro Rio Vermelho, palco da abertura do Festival Internacional de Dança de Goiás. De diversas partes do mundo, 23 de muitos outros bailarinos da Royal apresentaram quatro coreografias aqui trazidas sob os cuidados do diretor de elenco Gabor Kapin. Abaixo, você confere um bate-papo que o Opção Cultural teve com o diretor, horas antes da apresentação. Kapin conta da companhia, das peças apresentadas, sobre como é estar no Brasil e, ainda, sobre como se sente ao espalhar a arte da dança pelo mundo.

Conte-nos um pouco sobre a companhia e seu trabalho na dança.
A companhia The Royal Ballet of Flanders é a maior companhia de balé da Bélgica. Nós viajamos pelo mundo com um repertório que vai do balé clássico às mais novas contemporâneas e mais progressivas criações — o que a faz muito especial. Nosso diretor é o Sidi Larbi Cherkaoui, que é um grande e famoso coreógrafo. Basicamente, ele é o rosto do balé progressista e da dança mundial; e eu tenho muita sorte de trabalhar com ele.
Primeiramente, eu integrei a companhia como bailarino — o que durou três anos — mas, este ano, estou maestro de balé (ballet master) e eu ajudo toda a organização e administração de turismo e é por isso que estou aqui. É muito apaixonante.

Serão quatro coreografias, aqui apresentadas; como elas são?
O espetáculo que aqui apresentamos é composto de quatro coreografias — duas do Cherkaoui e duas do Hans Van Manen —, que são divinas. Ele começa com uma bela peça de balé clássico, de Manen, um coreógrafo alemão. Um homem adorável, que tivemos o prazer de conhecer. Ele veio até a companhia, onde permaneceu por uma estação, já nos seus 85 anos (eu acho). E ele é um dos maiores nomes da dança. Ele nos deu suas opiniões e sugestões, o que foi incrível — trabalhar com ele foi muito bom. E tem outra peça dele, que se chama “Solo”, de três bailarinos. Ela é muito legal e muito rápida de movimentos e de duração (dura, aproximadamente, sete minutos). Ele mistura um pouco de jazz e ele agora tem viajado todo o mundo, pois é uma coreografia muito famosa.

Já “Faun”, de Cherkaoui, é uma peça bem moderna e muito famosa que traz a música do Deboussy. Ela é sobre um encontro de vidas em um fauno. Ele acorda em uma floresta e a música sugere uma aventura, na qual ele embarca. Acorda, pois bem, e encontra alguém e eles fazem este incrível e muito atlético e acrobático dueto. Os bailarinos performam maravilhosamente bem. Ela é do Nijinski e foi um sucesso na época, mas o Cherkaoui foi capaz de atualiza-la e torna-la em um novo momento histórico da dança, pois, a um ponto, ela é muito atual e muito diferente. As pessoas ficavam “uau, é isso que estamos fazendo?”, e, muitos anos depois, o Cherkaoui fez isso novamente “uau, podemos fazer isso?”.

O último se chama “Fall”, como o outono; ele é composto de diferentes elementos. Tem muito movimento, mas não apenas dos bailarinos. Existe um painel de pano que está sempre em movimento por conta do vento — sempre venta no palco. E também existem diferentes elementos, tais como a terra, fogo e o ar. Você reconhece, pois há muitos movimentos no chão e muitos levantamentos, então a terra, o ar. Existe um dueto que evoca o fogo e, no final, é quase que um caos organizado; são vários bailarinos com seus movimentos em diferentes padrões, então tem as folhas que caem, como no outono. Elas caem e o vento as tragam em um redemoinho e, depois, elas se acalmam. Esse é o final da peça: os bailarinos, como folhas, se espalham e se acalmam pelo chão. É uma bela coreografia!

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

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Como é estar no Brasil?
É a minha primeira vez no Brasil e eu tenho gostado muito; amo o sol e é muito diferente da Bélgica. É bom, pois os bailarinos estão felizes aqui. Começamos a trabalhar e eu sinto esta energia que é muito boa e que nos deixa assim, felizes. Então, é muito legal sentir isso.

Como é levar arte para todos os cantos do mundo?
É o melhor a se fazer, espalha-la por aí. A arte é muito importante para o ser humano, pois quando você tem coisas de fato muito boas para dividir, você tem que dividir com as pessoas; e é isso que fazemos. Dividimos nossos sentimentos, nossas emoções e tudo o mais. Dividir, compartilhar é tudo.

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