O crepúsculo do criador: o adeus a Stan Lee

Com a morte do quadrinista, apaga-se uma poderosa chama da criatividade na indústria do entretenimento, mas seu legado deixará uma marca indelével no imaginário coletivo

“Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades” Stan Lee (Nova Iorque, 28 de dezembro de 1922 — Los Angeles, 12 de novembro de 2018) |Foto: Jonathan Alcorn/Bloomberg via Getty Images

A morte do quadrinista norte-americano Stan Lee, na última segunda-feira (12/11), pegou a todos de surpresa e causou enorme comoção mundial. Não que sua partida tenha sido pré-matura; longe disto! Lee nos deixou no alto de seus 95 anos, vividos intensamente em meio a uma prolífica carreira na indústria do entretenimento e até mesmo algumas polêmicas (Lee chegou a ser acusado de assédio sexual), mas ainda esbanjando vigor físico e criativo. Esse, por sinal, é o caráter mais significativo desta perda. Com a morte de Stan Lee, apaga-se uma chama poderosa que deu vida a universo que extrapolou as páginas que lhe deram origem. Universo enredado por personagens e mitologias que ajudaram a forjar um vigoroso imaginário coletivo e cuja dimensão do impacto escapa a qualquer análise neste momento.

Stan Lee em 1975, já como dono da toda poderosa Marvel Comics | Foto: Reprodução

Também é impossível fazer uma retrospectiva de sua trajetória no exíguo espaço de uma página. Nascido em 1922, em Nova York, nos Estados Unidos, Stanley Martin Lieber só viria a se tornar “Stan Lee” de fato em 1939, quando adotou o pseudônimo para trabalhar com os ‘comics’, após ser contratado por John Goodman, fundador da Timely Publication, que futuramente se tornaria a super-poderosa Marvel Comics. Começava ali a trajetória do criador de super-heróis como Homem-Aranha, Thor, Hulk, X-Men, Pantera Negra, Homem de Ferro, Doutor Estranho e Demolidor, que causaram uma verdadeira revolução na indústria do gênero de quadrinhos de super-heróis. E com uma produção frenética e em larga escala ao longo de todas essas décadas, Lee contou com a ajuda de artista igualmente talentosos, como Jack Kirby e Steve Ditko.

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Suas personagens literalmente criaram vida. Não só porque ganharam a cara e o corpo das mais badaladas estrelas de cinema, através da poderosíssima máquina de Hollywo­od, desdobrando-se em franquias milionárias, que arrebatam multidões nas salas de exibições. Não só porque são exaustivamente debatidas, imitadas por ‘cosplayers’ e consumidas pelo ‘fandom’, ávido de bugigangas, raridades, suvenirs e afins. Mas sim porque Stan Lee conseguiu acessar, através linguagem característica dos quadrinhos (que não é melhor nem pior que a Literatura, apenas diferente), anseios, angústias e desejos de várias gerações, fomentando alegorias e arquétipos de termas universais.

Com seu falecimento, soubemos de mais um ‘filho’ que poderia estar a caminho. A herdeira do império Marvel, Joan Celia Lee, revelou em entrevista que estava criando um novo personagem junto de seu pai, chamado “Dirt Man”, ou “Homem Sujo”. “Eu estava tentando fazer ele criar um personagem comigo durante toda a sua vida. Eu disse ‘Papai, sem barulho, sem aço, nada disso. Vamos ser reais e sujos. Vamos falar sobre o que está acontecendo e sobre o que é amor”, revelou. Se chegaremos a conhecer esta nova cria, só tempo dirá. Assim como será necessário um significativo avanço temporal para que possamos, de fato, assimilar a real importância do legado da mente criativa de Stan Lee.

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