Nilson Jaime escreve poema para Gilberto Mendonça Teles

“Fica, professor! / Um mundo de letras aguarda ser escrito. / Palavras soltas fazerem-se odes /e poesias no Cis-Paranaíba/ e nos Brasis”

Imortal                

Nilson Jaime

Fica, Gilberto! / Não se vá, que ainda é cedo. / Não dê ouvidos a um coração claudicante. / O Parnaso pode esperar / e o Hades terreno carece da tua poesia. //

Temos um trato, lembra? / Teus ancestrais esperam um encontro com a história. / De quem, entre as miríades de miríades de Teles e Mendonças / emprestates tua generosidade / tua mente inquieta / e tua nobre alma de poeta? //

De quem o altruísmo / a curiosidade nata / a diligência / a inteligência arguta/ a metodicidade / e o espírito servil? //

Se se vai o mestre / como ficarão teus pupilos? / Se viaja seu filho ausente mais presente / em quem se espelhar a goianidade? / Nessas plagas entre a Geral e o Araguaia / ansiamos outro imortal / — em nosso cardio — já imortal. //

Fica, professor! / Um mundo de letras aguarda ser escrito. / Palavras soltas fazerem-se odes /e poesias no Cis-Paranaíba/ e nos Brasis.

Se teses, ensaios, artigos e prefácios são fardos/ para teu corpo octogenário/ seduz teu coração pra mais uma jornada. / De sonhos.

Fosse poeta, far-te-ia poesia. / Não o sendo/ receba a oração. / E o apelo.//

Fica, amigo!

(Escrito como oração  ao Infinito, às margens da BR-153, Estrela do Norte, GO, 11/07/2019, 7h 30 min).

Nilson Jaime é escritor e doutor em agronomia pela Universidade Federal de Goiás.

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