Mosquito, de João Nuno Pinto, ganha Prêmio da Crítica de Melhor Filme Internacional

Filme de abertura do Festival de Rotterdam, e indicado ao Goya 2021, é inspirado em fatos reais da família do próprio diretor

MOSQUITO, dirigido por João Nuno Pinto, acaba de ganhar o Prêmio da Crítica de Melhor Filme Internacional na cerimônia de encerramento da 44a Mostra Internacional de São Paulo

O filme teve sua estreia mundial na abertura do Festival International de Cinema de Rotterdam, em janeiro de 2020, e já esteve em mais de uma dezena de Festivais em todo o mundo, com destaque para Lucca Film Festival (Italia), Mostra de Valencia (Espanha), Moscow International FF (Russia), entre outros. Além disso, o filme de João Nuno Pinto está indicado como Melhor Filme Ibero Americano do Goya 2021.

Baseado em fatos reais, MOSQUITO acompanha Zacarias, um jovem português sedento por viver grandes aventuras heroicas durante a Primeira Guerra Mundial. Enviado para Moçambique, onde o conflito se desenrola longe dos olhares do mundo, o jovem soldado é deixado para trás pelo seu pelotão, partindo numa longa caminhada selva adentro, em busca dos seus camaradas, da guerra e dos seus sonhos de glória.

Durante a sua odisseia, acossado por febres de malária e ameaças constantes, Zacarias é confrontado com situações que o colocam frente-a-frente com os limites do seu corpo, a loucura dos homens e os ideais que persegue. Baseado numa história verídica, MOSQUITO navega num limbo entre o espaço e o tempo, cruza constantemente a linha que divide a realidade e a ficção, num confronto com o horror da guerra e a subjugação dos povos.

“Em 1917, com apenas 17 anos, o meu avô paterno desembarcou em Moçambique junto com a 4ª Companhia Expedicionária Portuguesa, para defender a ex-colónia portuguesa da ameaça alemã. Como tantos outros soldados europeus na África durante a Primeira Grande Guerra, teve de fazer centenas de quilómetros a pé, em marchas diárias, enfrentando as mais duras privações, doenças, fome e sede. A diferença é que ele fez isso tudo sozinho, à procura da guerra e dos seus sonhos de glória. MOSQUITO é inspirado na história da chegada do meu avô a África. No entanto, o que se passou durante a sua longa e solitária caminhada pouco se sabe. É aqui que entra a ficção, a fabulação e o sentido que pretendo dar à narrativa.”, explica o diretor João Nuno Pinto.

Para o diretor a maneira como os europeus e não só, ainda hoje lidam com as questões africanas é reflexo do passado colonialista e dos longos anos de doutrinação de uma certa ideia paternalista sobre África. MOSQUITO vai buscar uma história do passado para confrontar com as escolhas do presente. Através da história do jovem soldado Zacarias, confronta-se com o horror da guerra e a subjugação dos povos africanos pelos europeus através do domínio colonial. O filme permite conhecer um pouco melhor um pedaço esquecido da história, a Primeira Grande Guerra na África, obrigando o espectador a refletir sobre um período muito maior que foi o direito em subjugar e “civilizar” outros povos que, convenientemente, eram considerados inferiores.

MOSQUITO é uma produção da Leopardo Filmes em co-produção da Alfama Films Production, APM Produções, da brasileira Delicatessen Filmes e da Mapiko Filmes, e tem distribuição nacional da Pagu Filmes. No elenco estão João Nunes Monteiro, João Lagarto, Filipe Duarte, Josefina Massango, Aquirasse Nipita, Sebastian Jehkul, Miguel Moreira, Alfredo Brito, Miguel Borges, João Vicente, Messias João, Hermelinda Simela, Gigliola Zacara, Gezebel Mocovela e com participação especial de Ana Magaio e Camané. A fotografia de MOSQUITO é do brasileiro Adolpho Veloso, e o roteiro é da também brasileira Fernanda Polacow em parceria com Gonçalo Waddington.

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