“Meu Pai” traz atuação mais arrebatadora de Anthony Hopkins em sua carreira

Vencedor do Oscar de Melhor Ator por “Silêncio dos Inocentes”, sir Anthony Hopkins tem uma filmografia que continua brilhante conforme ele envelhece

Sir Anthony Hopkins | Foto: Reprodução

“Meu Pai” é um longa-metragem de 1h37 de duração, dirigido pelo escritor, dramaturgo e cineasta francês Florian Zeller. O filme tem previsão para estreia nas plataformas digitais Now, Google Play, ITunes, Skyplay e Vivoplay no dia 8 de abril no Brasil.

O drama é uma adaptação de peça homônima escrita pelo próprio Florian Zeller, que estreou nos teatros europeus em setembro de 2012 e chegou a ter versão no Brasil. A adaptação do roteiro para os cinemas teve ajuda de Christopher Hampton.

E a transição deste roteiro de teatro para as telas ocorreu de maneira muito eficaz. O trabalho de edição/montagem, mérito de Yorgos Lamprinos, foi primoroso. O editor lapidou cada extremidade de cena transformando a obra em um perfeito labirinto da mente de Anthony, nosso protagonista. “Meu pai” traz sir Anthony Hopkins no papel de Anthony, um idoso de 80 e poucos anos que sofre de demência. Hopkins divide as telas com Olivia Colman, que interpreta Ann, sua filha.

Olivia Colman e Anthony Hopkins como Ann e Anthony | Foto: Reprodução

Em entrevista ao Toronto International Film Festival (TIFF), o diretor Florian Zeller conta que quando pensou em adaptar a peça para as telas, sempre imaginou sir Anthony Hopkins como seu personagem central. Ao compartilhar o sonho com colegas da produtora, todos achavam que se tratava de uma ideia mirabolante, já que este é o primeiro trabalho de Zeller para o cinema.

Roteiro enviado para o agente de Anthony Hopkins, o dramaturgo francês recebe um telefonema que o surpreende: o ator se interessou pelo projeto e aceitou almoçar com ele e Hampton. O resto da história a gente já sabe. O sonho de Zeller se concretizou.

Voltando a falar do enredo do filme, Lamprinos leva o espectador para dentro da mente confusa de uma pessoa com demência. À princípio, não parece claro, mas a intenção de Zeller é fazer o espectador experimentar confusão, sensação de se estar perdido, de quem monta um quebra-cabeça em que parte das peças não se encaixam.

Anthony vive em seu apartamento em Londres e, em um primeiro momento, assim como o protagonista temos certeza do que vemos. Ele mora com sua filha, e ela lhe conta que irá se mudar para Paris com o novo namorado. Em questão de minutos, o rosto de Ann é diferente Um estranho sentado na sala diz ser marido de Ann e tem certeza de que o apartamento é dele. Ainda faz Anthony se sentir um inquilino indesejado. Um quadro na parede que desaparece, duas cadeiras surgem no corredor. Além das pessoas e da história, o apartamento também parece sofrer transformações muito rápidas.

Olivia Colman como Ann | Foto: Reprodução

A gente, como Anthony, passa a ter dúvidas do que é real e do que não é. Estamos loucos? A interpretação dos protagonistas flui muito fácil. Olivia e Anthony confirmaram que eles simplesmente flutuavam sobre seus papeis ao TIFF. O protagonista resmunga, é charmoso, é irritado, paranoico, dentre diversas outras características que facilmente encontraríamos em pessoas próximas, como um avô ou um pai.

A atuação do veterano é arrasadora.

Olivia Colman, que também é um grande talento, complementa essa obra-prima, já que os dois emitem uma sintonia muito forte.

Para Florian, o filme é também sobre empatia. Sobre se colocar no lugar de Ann, vivida por Olivia, e pensar: o que eu faria com a pessoa que amo que vive em situação de demência?

O público se sente como Anthony, confuso, assustado e até bravo. No entanto, é a angústia de Ann que preenche o apartamento, contagia todos ao seu redor.

Ao ser perguntado sobre como foi a experiência nesse filme, sir Anthony respondeu que, apesar de ter realizado ótimos trabalhos nos últimos anos, esse foi o ponto alto de sua carreira. Vale ressaltar que estamos falando de Anthony Hopkins, o Hannibal Lecter de “Silêncio dos Inocentes”.

De fato, se não for esta sua magnum opus, com certeza está entre suas melhores atuações. Ao ser questionado como conseguiu encontrar a essência daquele personagem tão complexo e cheio de facetas, ele responde que foi fácil. “Cheguei naquela idade em que eu sinto a melancolia”, falou.

Outro detalhe deste filme que merece louvor é a fotografia, que cria um ambiente de suspense e thriller, às vezes com luzes baixas e sombras precisas. Nos faz pensar o quanto é assustadora a situação de Anthony.

“Meu Pai” disputa o Oscar 2021 nas categorias de direção, design de produção, roteiro adaptado, melhor ator e atriz coadjuvante.

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