Lygia Fagundes Telles teria morrido aos 103 anos e não aos 98, revela documentos

Em pesquisa documental realizada por genealogista, foi constatado que escritora nasceu em 1918, não em 1923

No último domingo, 3, a notícia da morte da escritora paulista Lygia Fagundes Telles acometeu o universo da literatura brasileira. Oficialmente, Lygia morreu aos 98 anos. Porém, ao contrário do que se pensava, a escritora teria nascido no ano de 1918, não em 1923. Sendo assim, Lygia Telles faleceu aos 103 anos, sem comemorar seu centenário. Tal informação foi divulgada nesta quinta-feira, 7, pelo genealogista Daniel Taddone que apresentou documentos que mostram que a escritora teria mentido sua idade durante anos.

“Hoje morreu Lygia Fagundes Telles. E sua genealogia nos mostra que a grande escritora guardava um segredo: ela era 5 anos mais velha do que dizia!”, escreveu o pesquisador em postagem nas redes sociais. Taddone usou como base para a afirmação uma suposta certidão de nascimento e um registro do primeiro casamento da escritora que estavam inseridos no Family Search, um sistema administrado pela Igreja Mórmon que reúne informações genealógicas de milhares de famílias. No documento, mostra que Lygia nasceu no dia 19 de abril de 1918 em São Paulo.

Consagrada como uma das maiores escritoras do país, Lygia era integrante da Academia Brasileira de Letras desde 1985, sendo a terceira a ingressar na ABL na história da instituição. Durante a vida, recebeu o prêmio Jabuti (1966, 1974 e 2001) e o mais consagrado da literatura brasileira, o Camões, em 2005. Além de ter adaptações de suas obras para o cinema, teatro e TV, também possui traduções para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco e português de Portugal.

Contra censura

Vivenciando a ditadura militar no Brasil nos anos de 1964 a 1985, Lygia encontrou formas de resistir ao período através da sua escrita. “As Meninas”, de 1973, foi uma obra de ficção em que a escritora queria inserir a descrição de uma das torturas dos militares nos opositores. Porém, apreensiva com a possibilidade de censurarem o texto, a escritora inseriu o trecho perto do final do livro. Com isso, o censor achou o livro “tão chato” que a leitura da obra não havia sido terminada, permitindo assim, a publicação do livro na íntegra.

Em 2011, ao jornal Globo, ela disse: “Entre os meus romances, só ‘As meninas’ é uma ficção datada (…) foi escrito com a atenção deliberada para deixar meu testemunho sobre a ditadura militar. Testemunhar seu tempo é uma das obrigações do escritor”. Além deste livro, dentre os anos de ditadura, mais quatro outros livros foram lançados pela autora. Sendo eles, Verão no Aquário (1965), Antes do Baile Verde (1970), o Seminário dos Ratos (1977) e o livro de contos Filhos Pródigos (1978). 

Outro episódio vivenciado pela autora, durante ditadura, foi em um voo para Brasília, no dia 25 de janeiro de 1977. Na época, Lygia  levava um manifesto assinado por mais de mil intelectuais brasileiros para o ministro da Justiça, Armando Falcão. Porém, naquela manhã, um temporal causou turbulências no avião em que a autora estava. Na época, Lygia chamou o episódio de “Uma conspiração de nuvens”, o que, três décadas mais tarde, gerou um livro de contos e crônicas “Conspiração de nuvens” (2007).

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