Livro é lançado em memória do empresário Milton Lourenço

Ele defendia a ideia de que o Brasil, para aumentar a sua participação no comércio exterior, teria de assinar mais acordos com grandes países e blocos

Adelto Gonçalves

Falecido em agosto de 2020 quando o seu segundo livro estava quase pronto para ir à gráfica, o empresário Milton Lourenço, ex-presidente da Fiorde Logística Internacional, recebe agora homenagem póstuma com o lançamento da obra. Com o título “Logística — Os Novos Desafios” (Fiorde Logística Internacional, 316 páginas, 2020), o livro reúne artigos sobre as áreas de logística, portos e comércio exterior que foram publicados entre 2018 e 2020 em jornais, revistas e sites do Brasil e do mundo lusófono.

Milton Lourenço: empreendedor num país em que é mais fácil ir a Marte do que ser empresário | Foto: Divulgação

“O livro estava, praticamente, pronto quando veio o inesperado desaparecimento de meu pai. Por isso, dar sequência às tratativas para a publicação da obra foi uma forma de homenagearmos e agradecermos por tudo o que aprendemos e vivemos com ele”, afirma Luiza Lourenço, gerente de Recursos Humanos e Qualidade da Fiorde, em nome da família. Segundo a empresária, não haverá o ato de lançamento formal do livro e a edição será distribuída entre clientes, parceiros, funcionários e amigos do Grupo Fiorde, que reúne também as empresas FTA Transportes e Armazéns Gerais e a Barter Comércio Exterior (trading company). O exemplar também pode ser adquirido por meio de e-mail ([email protected]).

Trajetória

Nascido em 1953, Milton Lourenço dedicou sua vida profissional ao comércio exterior, desde 1967 quando começou a trabalhar como auxiliar de escritório na antiga Sociedade Brasileira de Despachos, no centro de Santos. Nessa empresa, que depois passou a se chamar Companhia Brasileira de Comércio Exterior, trabalhou por 15 anos, chegando ao cargo de gerente-geral. A essa época, teve a oportunidade de fazer muitas viagens pela América Latina, Estados Unidos e África, acompanhando a entrega de equipamentos, às vezes enfrentando situações difíceis e perigosas.

Em seguida, teve uma passagem pela empresa Engesa, até que, em 1985, decidiu criar a Fiorde Assessoria e Despachos Ltda., hoje mais conhecida como Fiorde Logística Internacional, instalando-a num pequeno escritório na Praça da República, no centro de São Paulo. “Em pouco tempo, criou uma divisão de transitário de cargas e, em seguida, a divisão de transporte rodoviário e, em 1989, inaugurou o armazém geral”, lembrou o engenheiro eletrônico Mauro Lourenço Dias, vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, que desde o início, ao lado das irmãs Maria Alice e Marisa, procurou apoiar o espírito empreendedor do irmão.

Da Praça da República, a empresa transferiu-se para um andar num edifício ainda no centro de São Paulo, mudando em seguida para um casarão na rua Avanhandava, no bairro da Bela Vista, até que, em 2005, instalou-se num prédio de cinco andares localizado à rua Frei Caneca, 739, nas proximidades da avenida Paulista, centro propulsor da economia nacional. Contando com mais de 400 funcionários, a empresa mantém filiais em Santos, Campinas, Jacareí, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Manaus e Itajaí e nos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, além de agentes subcontratados nos principais portos e aeroportos do País e parcerias nos cinco continentes.

Oferece amplo programa de serviços que inclui carga projeto, door to door, Delivery Duty Paid (DDP), Delivery Duty Unpaid (DDU), assessoria e consultoria aduaneiras, projetos de drawback, laudos técnicos, embarques aéreos e marítimos FCL/LCL, entre outros. “Com foco na tecnologia de ponta, o Grupo Fiorde mantém equipe própria e qualificada no desenvolvimento de sistemas totalmente em dia com as mudanças e automações na área de comércio exterior”, acrescenta Mauro Lourenço Dias, autor do prefácio do livro.

Articulista

A par de sua atividade empresarial, Milton Lourenço sempre procurou ter participação ativa em seu ramo de comércio exterior e em entidades de classe. A partir de 2001, passou a escrever artigos de opinião sobre a sua área de atuação, que eram publicados em jornais, revistas e sites do Brasil e dos países de expressão portuguesa. Em seus textos, sempre procurou defender a ideia de que o Brasil, para aumentar a sua participação no comércio exterior, teria de assinar mais acordos com grandes países e blocos, sugerindo ainda novos projetos para o setor, além de condenar procedimentos anacrônicos e burocráticos que impedem o País de crescer.

Seus primeiros artigos foram reunidos no livro “Logística — Os Desafios do Século XXI”, publicado em 2005. Continuou a exercer a atividade de articulista, chegando a publicar textos em jornais da grande imprensa paulista, como “O Estado de S. Paulo” e a antiga “Gazeta Mercantil”. A partir de dezembro de 2018, a convite, passou a assinar uma coluna semanal exclusiva na seção Porto & Mar do jornal “A Tribuna, de Santos”.

Entre seus funcionários e parceiros comerciais, sempre foi tido como exemplo de liderança. “Meu pai tinha um espírito generoso e agregador e sempre procurava passar, de maneira simples, o que vivenciara em sua longa carreira. Estava sempre disposto a passar entusiasmo a quem se acercava dele. Foi um exemplo de vida”, sublinha Luiza Lourenço.

Adelto Gonçalves é crítico literário e escritor.

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