Leoni sobre a política cultural do governo Dilma: “Foi um atraso de quatro anos”

Para o cantor, Brasil avançou muito durante a Era Lula, mas acabou perdendo o rumo com a atual administração

Independente há dez anos, Leoni, um dos maiores hitmakers dos anos 80, aposta nas redes sociais para continuar no mercado

Independente há dez anos, Leoni, um dos maiores hitmakers dos anos 80, aposta nas redes sociais para continuar no mercado | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Marcelo Gouveia

“O primeiro man­­dato da Dil­­ma foi mui­to ruim em termos cul­­­tu­rais, porque a gente vinha de dois mandatos muito bons do Lula.” A avaliação é do cantor e compositor Leoni. Com mais de 30 anos de carreira, o artista define o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) como “um atraso de quatro anos”, mas é positivo ao fazer um prognóstico. Para ele, a petista acertou ao trazer de volta para o comando do Mi­nistério da Cultura o sociólogo Juca Ferreira. “Dilma está novamente muito bem assessorada para a Cultura”, avalia.

Leoni acaba de lançar o novo álbum, o “Notícias de Mim”, produzido por meio da plataforma Catarse, que organiza projetos por financiamento coletivo, o chamado crowdfunding. À reportagem, ele confidenciou que não esperava lançar um novo disco, mas acabou cedendo aos pedidos dos fãs. O cantor também falou sobre a polêmica que o apresentador Zeca Camargo se envolveu, recentemente, após questionar a legitimidade da comoção nacional pela morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo. O compositor saiu em defesa do jornalista e disse que a internet “radicalizou” as opiniões. A prática do jabá no mercado fonográfico e a cena musical no Estado de Goiás também foram assuntos da entrevista concedida com exclusividade para o Jornal Opção.

Um dos maiores hitmakers dos anos 1980, Leoni nasceu em 8 de abril de 1961, no Rio, e montou a primeira banda aos 16 anos. O sucesso veio alguns anos depois, quando o jovem resolveu se unir a uma amiga da classe de francês, Paula Toller, e formar o “Kid Abelha e os Abóboras Selvagens”. Em 1986, movido pela vontade de cantar suas próprias canções, montou a banda “Herois da Resistên­cia”, que teve vários hits imediatos. Com o tempo, os objetivos artísticos do grupo passaram a divergir e o músico deu início à carreira solo, lançando em 1993 “Leoni”. O cantor permaneceu na estrada e, de lá para cá, estabeleceu um público cativo, que possibilitou o lançamento do 7º álbum solo de sua carreira.

No final do ano passado, você anunciou que iria lançar um novo álbum, o “Notícias de mim”, por meio da plataforma Catarse, que organiza projetos por financiamento coletivo. Como foi essa experiência?

Na verdade, eu acabei de receber os CDs. Eu captei recursos no final do ano passado até o início de janeiro. Em fevereiro, eu gravei e depois mandei fabricar. Agora que ficou pronto e chegou lá em casa. Nesta semana estou enviando, mas todo mundo que colaborou já recebeu as músicas. Assim que ficou pronto, enviei os áudios. Foi uma experiência bem bacana, porque, desde 2006, eu não gravava um disco e não achei que fosse produzir outro. Com a internet, você não vende mais disco, vende músicas, mas os fãs pediram e o Catarse foi uma espécie de teste: “Se vocês querem um novo álbum, então financiem”, e financiaram, sinal que eles de fato possuíam interesse.

O que “Notícias de mim” tem de peculiar em relação ao que já lançou até hoje? O que os fãs podem esperar desse novo trabalho?

Várias coisas. Primeiro, têm vários parceiros novos. Eu nunca tinha feito música com a Zélia Duncan e eu tenho música com ela. Tenho também música com Sérgio Brito, dos Titãs, com o Dudu Falcão e com Chuck Hipólitho, da banda Vespas Mandarinas, de São Paulo. Então, são quatro parceiros novos, mas têm também parceiros antigos, como o Frejat e a Luciana Fregolente, além da ban­da que me acompanha.

O disco novo traz também experiências sonoras novas, que, até então, eu nunca tinha feito. Eu gosto muito de música africana, por exemplo, mas nunca tinha inserido uma em um disco. Dessa vez, coloquei duas músicas que vão para esse lado. Há também uma música que tem um arranjo mais paraense, sai um pouco do universo estritamente pop rock. É mais pop rock do que o resto todo, mas também tem umas experiências que saem desse estilo.

Por que “Notícias de mim”? Qual é a proposta desse novo trabalho?

O nome tem duas motivações. Primeiro, tem uma música no disco com esse nome, que é muito importante. Depois, porque eu vinha com um trabalho mais político e esse disco é um pouco mais pessoal; menos social. Acho também por algo que o Caetano [Veloso] falou recentemente, em uma entrevista, que todas as canções que ele faz são autobiográficas, até as que não são; ou seja, qualquer obra de arte fala do artista, qualquer obra de arte é uma notícia, se não do que ele viveu, do que interessa a ele. Toda obra de arte é uma revelação da alma do artista. Então, eu resolvi colocar esse título por isso.

Seguindo uma linha independente, há 10 anos, você criou o seu próprio selo. Como é trabalhar de maneira independente no Brasil?

É o único jeito de trabalhar hoje em dia, pois as gravadoras já não investem mais, não gravam discos, só os distribuem. Hoje em dia, são raríssimos os artistas que têm gravadora. Todos os artistas que eu conheço são independentes. A gente só consegue trabalhar porque tem internet, que possibilita o relacionamento direto com o fã. Não era possível ser independente no Brasil antes da internet, porque você só chegava às pessoas pelos grandes meios de comunicação e estes estavam nas mãos das gravadoras. Então, quem não tinha gravadora, não chegava a ninguém. Atual­mente, com a internet, essa atenção se pulverizou e você consegue atrair atenção do seu público e chegar até ele sem a necessidade das gravadoras.

Você é bastante ativo nas redes sociais e as usa para se relacionar com seus fãs. O que você tira de bom dessa relação?

É uma proximidade que me permite fazer um disco financiado por eles — maior parceria impossível. Eu sempre peço a opinião deles em relação a repertório de show e já fiz vários concursos no meu site. Essa proximidade me proporciona um público muito mais fiel do que o da época de rádio, por exemplo. Nessa época, se sua música estava tocando na rádio, as pessoas estavam acompanhando, mas se não estivesse mais, elas não estavam mais interessadas em você. Então, eu posso ter uma carreira mais estável. Quando acontece um sucesso é em uma proporção menor do que era antes, mas é mais estável. Além disso, também fico conhecendo as pessoas que gostam do meu som. Eu, hoje, tenho essa vantagem. Eu tenho, por exemplo, o e-mail de quase todo mundo que gosta dos meus discos e que colaborou com o “No­tícias de mim”; na verdade, eu tenho até o endereço deles. É um contato diferente. As gravadoras não sabi­am quem compravam os discos e eu sei quem me acompanha.

A Sony irá lançar ainda neste segundo semestre um CD com músicas inéditas do Cazuza e você, juntamente com outros artistas, está participando deste projeto. Como foi isso?

Ainda está muito embrionário. Quem me convidou foi o Rogério Flausino, do Jota Quest. É ele quem está à frente do projeto e ele me deu uma pequena apostila com esses poemas inéditos do Cazuza e me mostrou quais eram os disponíveis. Eu escolhi dois e fiz duas canções. O Flausino gostou das duas, as duas estão no projeto, mas ainda não gravei e não sei quem vai gravar, se vai ser eu ou outra pessoa. Ainda não há uma previsão exata, mas o disco deve ser lançado mesmo neste segundo semestre. O Jota Quest está em estúdio gravando, então a gente tem que esperar para que o Flausino possa voltar à coordenação do projeto.

E você pode adiantar alguma coisa desse novo trabalho para o Jornal Opção, ao menos em relação às duas músicas pelas quais você ficou responsável?

São poemas bem bacanas, mas não eram letras de músicas, eram poemas. Então, tive que mexer e transformar em letras de música, mas eu já tinha essa intimidade com o Cazuza, porque quando fiz “Exagerado” com ele, eu mexi muito na letra. Eu já tinha feito isso com ele e me senti à vontade dessa vez também. Acho que se eu nunca tivesse composto com ele, eu teria acabado respeitando demais o poema e não teria transformado aquilo em letra de música. O Cazuza não escrevia como letra de música, quem fazia virar letra de música era o parceiro, no caso, o Frejat, que era o principal parceiro dele. O Frejat sabia lidar muito bem com isso.

Você tem mais de 30 anos de carreira, qual é a avaliação que faz dessas três décadas? Tem algum momento ou fase que você considera a melhor?

Houve vários auges, mas acho que o sucesso maior que tive foi com o Kid Abelha, nos dois primeiros discos, que realmente a gente tocou de tudo, todas as músicas tocaram nas rádios e a gente fez show para caramba, mas teve um momento muito bom também com o Herois da Resistência, no primeiro disco. Na carreira solo, “Garotos II” foi uma música que tocou pra caramba também, mas sempre foi uma gangorra. No momento, não estou com nenhum sucesso no rádio e televisão, mas continuo fazendo show, tenho um público estabelecido e consegui também estabelecer uma carreira estável para mim. Portanto, estou em um momento muito legal, mais seguro para mim, onde eu posso fazer novas experiências e posso tocar o que eu quiser, até porque não tem uma gravadora dizendo o que eu tenho que tocar. É um momento de muita liberdade artística. Esse novo disco, por exemplo, eu fiz sem nenhuma concessão a nada. A gente entrou em estúdio com a banda, inventou as maiores loucuras e gravou todas. O disco conta com trechos instrumentais enormes e as letras são complicadas, não são simples. Em um momento de letras tão simples e breves que tocam nas rádios, o novo disco tem letras enormes, que eu tenho até dificuldade em decorar para os shows. Para mim, é um momento legal por conta disso, porque eu sei que tenho um público e que tenho toda liberdade do mundo para fazer o que eu quiser.

Leoni, falando um pouco sobre a cena musical goiana e goianiense: você conhece alguma banda ou estilo do Estado? Há algo que te atraia?

Minha relação afetiva com Goiânia vem com o Leo Jaime, que é um goiano e sempre me fala muito daqui. Sempre me fala que eu tenho que comer “arroz com pequi”. Já toquei várias vezes aqui e acho que vocês têm atualmente uma cena de rock muito interessante na cidade. Eu sou fã do Boogarins, sou fã total, acho o disco deles ótimo. Eles fizeram até turnê internacional e estão arrebentando. Por conta disso, pessoas ao redor também criaram uma cena bem legal. Na verdade, gostaria de ter mais tempo aqui para conhecer melhor a cena.

Recentemente, vi um comentário em seu Facebook sobre uma entrevista do sertanejo Jorge, da dupla Jorge e Mateus, que criticou o mercado da música sertaneja, e também fala sobre o chamado jabá dentro deste mercado. Essa é uma realidade também na MPB e em outros estilos? Qual sua avaliação?

Vale para toda a música. Quando eu comecei, nos anos 1980, o jabá era algo pequeno. A gravadora dava um discman para três ouvintes, por exemplo, e com isso a rádio ficava mais interessada no trabalho do artista e tocava mais as músicas; mas ainda tinha muito espaço para a rádio se interessar, mesmo sem jabá. Então, por exemplo, tinha uma música nova da Madonna e ela era tocada mesmo sem jabá. Com o tempo, as gravadoras foram aumentando esses presentes para concorrer entre elas e foram inflacionando esse mercado, até que as rádios pararam de tocar música, se não tivesse o jabá. A partir desse momento, poderia ser Deus que fez uma banda com Jimmy Hendrix e todos os mortos famosos, que eles iriam chegar à gravadora e a gravadora iria sugerir uma “parceria”. Virou uma coisa impeditiva e isso foi ficando cada vez pior até o começo dos anos 2000, quando a coisa ficou muito mais profissional. As pessoas começaram a dar até nota fiscal, como se fosse publicidade, e era jabá.

Nos anos 2000, quando as gravadoras perderam força por conta da pirataria e da internet, os próprios artistas, que sempre reclamaram disso, começaram a pagar jabá também. Quando você vê grandes artistas tocando muito, é porque pagaram muito e isso é uma cláusula impeditiva para outros artistas aparecerem. As pessoas reclamam que sempre tocam os mesmos artistas nas rádios. Sim, porque essas pessoas têm dinheiro e pagam; e isso faz com que as pessoas que tocam um som diferente ou que são artistas novos, mas sem grana, não possam ser conhecidas pelo público.

O Jorge falou do mercado sertanejo, porque é o que ele conhece, mas todas as grandes rádios cobram jabá. Às vezes, o jabá é oferecer show para a rádio ou é dinheiro mesmo. Na nova lei do direito autoral, que está para ser votada no Congresso, existe uma cláusula de criminalização do jabá e a gente já vem tentando estabelecer isso há um tempo, porque é muito danoso para a música brasileira só ouvir quem paga. Nesse contexto, o público não pode desenvolver novos gostos.

Eu, por exemplo, lancei agora um novo single que mandei para mais de três mil rádios; destas, 150 tocam espontaneamente. Cheguei a receber um e-mail de uma rádio de Belém, falando que lá só tocava música de quem firmasse uma parceria –– parceria virou um eufemismo para jabá –– e quando eu questionei se era jabá, mudaram o tom e disseram que não se interessavam mais pela minha música. Eles sabem que é errado e eu acho que o Jorge lidar com isso pessoalmente deve ser muito ruim, porque, antes, as gravadoras pagavam, a gente sabia e achava errado, mas a gente não participava; e é muito esquisito que os artistas assumam, agora, esse papel de corruptor.

Ex-Kid Abelha minimiza a polêmica com Zeca Camargo: “Ele disse que o Cristiano Araújo não era um ídolo como foi Cazuza, e acho que ele tem razão no sentido de que ninguém mais é ídolo de todo mundo" | Foto: Divulgação/Rede Globo

Quanto à Zeca Camargo, ex-Kid Abelha minimiza a polêmica: “Ele disse que o Cristiano Araújo não era um ídolo como foi Cazuza, e acho que ele tem razão no sentido de que ninguém mais é ídolo de todo mundo” | Foto: Divulgação/Rede Globo

O apresentador Zeca Camargo se envolveu em uma polêmica nas redes após questionar a legitimidade da comoção pela morte do cantor Cristiano Araújo e usou essa discussão para reforçar, nas palavras dele, a “pobreza em nosso atual momento cultural”. Como você, cantor com mais de 30 anos de carreira na MPB, enxerga esta questão?

O que eu entendi, quanto à declaração do Zeca Camargo, foi que ele disse que o Cristiano Araújo não era um ídolo como foi Cazuza ou o Michael Jackson, e acho que ele tem razão no sentido de que ninguém mais é ídolo de todo mundo. São mundos à parte. Eu, por exemplo, nunca tinha ouvido falar em Cristiano Araújo e isso não é um julgamento de valor, não estou querendo dizer que ele era bom ou ruim, até porque com certeza não conheço muitos artistas bons, que fazem músicas no Pará, nos Estados Unidos ou na França, por exemplo. Com a internet, virou um mercado de nicho e você acaba ouvindo só aquilo que te interessa. Hoje, por exemplo, um artista como o Michael Jackson não iria mais aparecer, não iria ser de todo mundo, iria ser de um grupo que gosta de música Black americana, e acho que o Zeca tem razão nesse sentido.

O que eu avalio como muito ruim é que o Zeca não possa omitir uma opinião sem ser atacado. É uma opinião dele, mas o que eu vi foi uma comoção contra ele. Eu posso não concordar, mas não vou atacá-lo de volta porque ele tem uma opinião diferente da minha. A internet radicalizou muito as opiniões. Se eu colocar um post na minha página falando de um assunto complexo ou algo filosófico vai passar batido, mas se eu colocar algo polêmico, como o casamento gay, vira uma confusão só. As pessoas estão ali para concordar ou discordar, atacar ou defender, o que eu acho uma coisa muito ruim, porque você não tem o diálogo e não tem a capacidade de ouvir uma pessoa que pensa diferente de você sem querer atacá-la imediatamente. Acho que o Zeca tem todo o direito de expressar a opinião dele. Eu também nunca tinha ouvido falar em Cristiano Araújo e fiquei impressionado com a minha ignorância diante de um fenômeno de massa, como ele era. Das duplas sertanejas, eu conheço Victor e Leo; Jorge e Mateus; e também as mais antigas. E, como eu disse, são mundos separados. A gente já não tem mais eventos coletivos, que atraem todo mundo.

E, nesse contexto, você acharia interessante essa mescla? O popular e o “popularesco” poderiam conviver em um espaço de interação?

Sim, à época da Tropicália, por exemplo, o Gil e o Caetano faziam muito isso. Acho super bacana, só que não vejo mais caminho. A internet faz com que você viva no mundo só das coisas que te interessam e essa mistura, que é muito salutar, não vem acontecendo.

Em junho de 2013, em meio aos diversos protestos que varriam o Brasil todo, você apoiou o movimento, inclusive, lançou um clipe da música “As coisas não caem do céu” com imagens dos protestos. Recente­mente, outra onda de protestos tomou conta do País, dessa vez, pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Como vê essa questão? As últimas manifestações são tão legítimas quanto as que ocorreram em 2013?

Eu acho que qualquer manifestação é sempre legítima. Eu me envolvi nas de 2013, porque, para mim, elas ocorriam paralelamente a um movimento mundial de expressão da incapacidade dos políticos de nos representarem. O sistema político está colocado de um jeito, que os políticos representam interesses entre eles, mas não representa o que a população pensa. Várias causas importantes não estão sendo analisadas no Congresso e eu acho que a democracia tem que dar espaço à representação popular. Eu achei que as manifestações de 2013 fossem gerar alguma coisa mais próxima e acabou que não aconteceu nada.

A reforma política que veio, para mim, era melhor nem ter ocorrido. Nos Estados Unidos e na Europa, toda hora tem referendo, tem consulta popular e aqui não tem isso. É como se fosse um universo fechado da política. Nessa hora, eu me engajei. Já em relacão ao impeachment da Dilma, não é uma causa pessoal minha. Eu votei na Dilma. Não estou satisfeito com ela, mas não sei se estaria satisfeito com outro. Não vejo muita vantagem no impeachment da Dilma, a não ser que se descubra que ela tenha cometido algum crime, aí a justiça tem que ser feita, mas não é uma causa que me emociona.

É inegável que estamos passando por um momento de crise financeira no País, mas qual é sua avaliação especificamente sobre a política cultural do governo Dilma?

O primeiro mandato da Dilma foi muito ruim em termos culturais, porque a gente vinha de dois mandatos muito bons do Lula, que colocou o Gil ali na frente, que é um grande pensador, fez coisas muito legais, abriu várias discussões, daí então a Dilma estabeleceu a Ana de Hollanda como ministra, que bateu de frente com os artistas e com a cultura centralizada dos pontos de cultura. Foi um atraso de quatro anos. E, agora, volta o Juca, que foi quem substitui o Gil, quando ele deixou o ministério. Eu tenho muita confiança nele, conheço pessoalmente, já tive várias reuniões com ele e acho uma pessoa muito informada e muito bem intencionada. Estamos em tempo de crise, então talvez não tenha grana para fazer o que se precisa, mas a gente está tentando, junto com ele, contornar essa situação. Portanto, no momento, a Dilma está muito bem assessorada para a cultura. O primeiro mandato foi muito ruim, mas tenho muita esperança nesse segundo mandato em termos culturais.

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