por Abilio Wolney Aires Neto*

Horizontes, 2005, acrílico sobre tela | Foto: Reprodução/Sanatan

                                             
                            Cai a tarde…
 
Arbustos graciosos dispõem agradavelmente a paisagem.
Longe, o sol incendeia o horizonte a prumo de aterrissagem
No seu fulcro cor-de-abóbora, levitando sobre a grei
Faz no céu um leque esplêndido, queima as nuvens, astro rei!
 
Fadado à glória, no seio da eternidade
Te depões ao firmamento, noite nova, amenidade
Desce o sudário da noite, acende a vésper diamantina
Cravejando o céu tão puro, brilha bela, feminina
 
É noite…
 
Apaga-se o dia e acende o firmamento…
Nas alturas, em silencio, viaja o pensamento
Painel de estrelas desafiando o tempo
Rastilho de mundos que cobrem o relento
 
Era junho, noite nova, chovem fogos, escumilha
São foguetes, artefatos, nas distâncias que se mira
Sobem rojões em centelhas, descem faíscas em véu
Em clareiras de artifício derramando-se do céu
 
 
Oh! Deus dos paraísos distantes, do firmamento sem fim
Mergulho no oceano cósmico à procura de mim
Estou só, contigo, pulverizado, sigo assim…
Assombra-me a imensidade onde moram os Serafins.
Em espaços estelíferos, onde vivem anjos alados
No etéreo infinito sigo na marcha dos astros
 
É um êxtase a miragem dessa contemplação
Da planície ao céu aberto a história da Criação
Ó mundos que rolam no azul do outro chão
Ninho de vidas, plêiades, galáxias em constelação
 
Umbela, fulgor, madrugada ridente
De saudade o céu chora dois meteoros candentes
Lume de luz fulgura nessa senda dos milênios
No escrínio do universo labaredam esses proscênios
 
Meu estro, sou destro, meu ser é fagulha
Crepita em fogueira no cunhal da rua
Explende o luar, em solidão imponente
Orquestra do Universo… Deus é o regente!

*Abilio Wolney Aires Neto é Juiz de Direito, professor, autor de 15 livros, mestre em Direito, graduando em história e filosofia e graduando de Jornalismo