Mariza Santana

Especial para o Jornal Opção

O romance “Levo Você até lá” (Globo, 325 páginas, tradução de Luiz Antônio Aguiar), da escritora norte-americana Joyce Carol Oates, é narrado na primeira pessoa. Mas a protagonista, que é chamada de Anellia pelos demais personagens, afirma que este não é o seu verdadeiro nome e nem se importa de revelar qual é. Sua trajetória mostra algum alheamento, ou um certo estranhamento desde o início, quando conta que é órfã (a mãe morreu no parto dela), filha de pai ausente e criada pela avó de origem alemã.

De uma pequena comunidade rural, onde cresceu, aos 19 anos de idade ela segue como bolsista para a universidade de filosofia em Syracuse (a citações de pensamentos de filósofos ilustres são inúmeras), Nesse período, ingressa em uma irmandade de estudantes universitárias, denominada Casa Kapa Gama Pi. Mas também nesse grupo fechado é considerada “um estranho no ninho”, fato que culmina na sua expulsão.

Joyce Carol Oates: uma das mais importantes escritoras norte-americanas | Foto: Divulgação

A segunda parte do livro conta a atração fulminante da moça por um jovem negro pós-graduando em filosofia, Vernon Matheius. Com ele, ela descobre sua sexualidade e também o forte preconceito racial existente contra o relacionamento amoroso de uma moça branca com um negro nos Estados Unidos naquela época. A paixão de Annelia, vamos chamá-la assim por falta do nome real, é quase uma obsessão, o que mostra também um comportamento fora dos padrões usuais.

A narrativa de Joyce Carol Oates é fluente, e juntamente com a história totalmente diferente de sua protagonista, o que me parece ser uma espécie de autobiografia romanceada, prendem a atenção do leitor. Na última parte do romance, quando a jovem já se graduou em filosofia e está morando em uma cabana isolada em um lugar montanhoso para dar início a sua carreira de escritora, ficamos sabendo notícias do seu pai que ela acreditava estar morto. Começa então outra parte distinta da narrativa, também muito brilhante, assim como o desfecho da obra.

Joyce Carol Oates, também conhecida como JCO, tem 84 anos de idade, é uma das escritoras mais proeminentes e prolíficas de sua geração. Foi agraciada com prêmios literários National Book Award e o The PEN/Malamud Alward for Excellence in Short Fiction. A escritora é integrante da Academia Americana de Artes e Letras, e titular de cátedra da Universidade de Princeton, Nova Jersey, onde leciona desde 1978. Além disso, é uma das personalidades favoritas ao Nobel de Literatura, com seu nome surgindo em várias listas de finalistas veiculadas pela imprensa. Desde seu primeiro livro, em 1963, já publicou 58 títulos, além de um vasto número de peças de teatro, contos, poesia, críticas e obras de não-ficção.

Mariza Santana é crítica literária.