Jazz de vários sotaques e muitas origens em Pirenópolis

Após um hiato de quase dez anos, cidade volta a ser palco do Piri Jazz Festival, nos dias 19, 20 e 21 de outubro. Festival na cidade histórica irá reunir instrumentistas e músicos das cenas nacional e local para homenagear e celebrar o mestre Baden Powell (1937-2000)

Ludere (SP), quarteto instrumental criado em 2015 pelo pianista Philippe Baden Powell (piano), Rubinho Antunes (trompete), Bruno Barbosa (contrabaixo) e Daniel de Paula (bateria) | Foto: Monise Terra

A partir do próximo final de semana, moradores e visitantes de Pirenópolis vão pode se ‘teletransportar’ quase 130 anos no tempo e cerca de 7.000 km de distância no espaço e sentir um breve gostinho do clima da Nova Orleans do final do século 19, berço de um dos estilos musicais que influenciaria gerações de músicos e instrumentistas: o Jazz. Nos dias 19, 20 e 21 de outubro, a cidade de ruas e casarões históricos e sua exuberante natureza, que tem sido palco de diversos outros eventos culturais, volta a receber o Piri Jazz Festival, após um hiato de quase 10 anos. As duas primeiras edições ocorreram em 2008 e 2009 e agora o evento retoma suas atividades, reunindo instrumentistas e músicos das cenas nacional e local para homenagear e celebrar o mestre Baden Powell (1937-2000).

A proposta do evento é conciliar música autoral de qualidade, executada com altíssimo nível técnico, a todos os predicativos que já tão bem caracterizam o município. “É perfeito realizar um festival de jazz ou música Instrumental brasileira em Pirenópolis. A cidade é linda, agradável e recebe muito bem tanto os moradores com turistas. Agrega muito valor cultural. A expectativa é a melhor possível”, afirma Rubens Carvalho, idealizador, curador e produtor do Piri Jazz Festival. O objetivo é divulgar a música instrumental brasileira na região Centro-Oeste e se consolidar como referência musical em uma cidade que já é polo de turismo e gastronomia, proporcionando à população acesso à música de qualidade.

Nomes do calibre de Virgínia Rodrigues e dos irmãos Marcel Powell e Philippe Baden Powell irão subir aos palcos dispostos ao ar livre, em meio ao clima ‘cool’ e bucólico da cidade, aliando a sofisticação do jazz à beleza da música instrumental brasileira. A programação será totalmente gratuita e para todas as idades. No total, serão oito apresentações: três shows na sexta, três shows no sábado e dois shows no domingo. Com início às 20h na sexta e no sábado, e às 19h no domingo, cada apresentação terá 1h20 de duração. O evento terá ainda captação de áudio e vídeo para a gravação de um DVD que será lançado posteriormente.

­Zé Krishna & Amigos Eternos (DF): influências da Índia e linguagem sonora que dialoga com vários estilos | Foto: Ana Migliari

Na avaliação de Rubens, o cenário da música Instrumental, ou jazz, no Brasil, sempre foi muito profícuo, com reiterado surgimento de novos grupos de excelente qualidade. “A música instrumental brasileira é considerada uma das melhores do mundo há muito tempo. O que falta é a divulgação. São poucos programas de rádio e televisão que mostram o que está acontecendo. O músico brasileiro viaja muito para o exterior, onde é super valorizado. Mas temos um ótimo público quando acontecem projetos como o Piri Jazz. Basta fazer mais e mais para atingir novos ouvintes. Público temos com certeza, falta apostar neste belo estilo. É uma música que só evolui com o tempo”, completa. O Piri Jazz Festival tem patrocínio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC) e do Programa Estadual de Incentivo à Cultura (Lei Goyazes).

Marcel Powell (RJ), que traz o repertório do seu novo CD, “Tempo livre” | Foto: Roberto Assem

Tributo ao virtuose brasileiro

A cada edição, um grande nome da música brasileira é homenageado e, desta vez, os louros serão todos para Baden Powell, considerado um dos maiores instrumentistas de todos os tempos. Autor de afrossambas consagrados ao lado de Vinicius de Moraes, o virtuose nas cordas do violão ganhou fama mundial. Para quem não pôde conferir todo esse talento de perto, serve de consolo o fato de que, neste caso, o talento musical foi transimitido em seu DNA. Assim, não poderia ser diferente: os herdeiros do legado de Baden, Marcel e Philipe são presença confirmada nesta terceira edição do projeto. “Vamos ter o privilégio de ter seus dois filhos em trabalhos distintos: Marcel Powell no violão solo e Philippe Baden Powell no piano com o grupo Ludere. Além de outros grandes grupos com trabalhos autorais”, antecipa Rubens.

Misturando ritmos, origens e pura brasilidade, o Piri Jazz Festival recebe também o Trio Curupira (SP), os Sons de So­bre­vivência, com o pianista Ben­ja­mim Taubkin e duo Simone Sou e Guilherme Kastrup (SP), Bororó & Trio (Pirenópolis), Zé Krishna & Amigos Eternos (DF), Cama de Gato (RJ) e o canto potente e ancestral de Virgínia Rodrigues & Grupo (BA). Atrações musicais que acumulam prestígio e shows no Brasil e no exterior.

­Zé Krishna & Amigos Eternos (DF): influências da Índia e linguagem sonora que dialoga com vários estilos

Criador de um estilo musical batizado de “Brasindia Style”, o Zé Krishna & Amigos Eternos mis­tura as melodias da música indiana com a harmonia rebuscada e o ritmo marcante da música brasileira. A fusão de culturas ocidentais e orientais tempera o molho desse grupo de originalidade ímpar.

Com chancela do gênio Her­meto Pascoal, o Trio Curupira é formado por jovens músicos e compositores de São Paulo alinhados a uma música universal e sem preconceitos. Formado em 1996, busca afinar pesquisas musicais, eliminando fronteiras entre estilos e aliando a genuína música do Brasil a todos os ritmos. A força e união dos músicos Simone Sou, Guilher­me Kastrup e Benjamim Taubkin com­põem o CD “Sons de Sobrevi­vên­cia”, lançado no Brasil e nos Es­ta­dos Unidos. Vida em movimento, experimentação e música urbana são elementos presentes nos sete temas deste disco feito com alma.

Trio Curupira (SP): André Marques (piano, escaleta, flautas, rabeca, percussão), Cleber Almeida (bateria, percussão, escaleta, viola caipira) e Fábio Gouvêa (baixo, guitarra, violão, flautas, percussão)

Abrindo o segundo dia do Piri Jazz Festival, o Bororó & Trio apresentará um show instrumental intitulado “Imagens da Alma”. Em seguida, será a vez de ver de perto o talento musical do violonista Marcel Powell, que traz o repertório do seu novo CD, “Tempo livre”, marcado por uma busca incessante por uma sonoridade particular. Com significativa bagagem de música erudita, choro, jazz, bossa nova e MPB, o músico compôs temas autorais inspirados nos encontros e parcerias com músicos, familiares e amigos.

Já o grupo Cama de Gato tem como marca registrada o trabalho com composições dos próprios músicos. “Não é uma atitude exclusivista. É que gostamos de tocar nossas músicas. Não tocamos material alienígena”, brinca Pascoal Meireles. O Cama de Gato faz turnês pela Europa e América Latina, obtendo imenso sucesso de público e de crítica, além de ter se apresentado no famoso Town Hall, em Nova York.

O grupo instrumental Cama de Gato (RJ): seis CDs na bagagem

Sempre presente nas apresentações do Ludere, o repertório de Baden Powell, pai do pianista da banda, Philippe Baden Powell, ganha destaque nos shows do grupo com releituras inovadoras, que ressaltam a inventividade dos temas do compositor, pioneiro no modo de trabalhar os motivos da tradição afro-brasileira dentro do samba e do jazz. Com o segundo disco, “Retratos”, lançado em 2017, o quarteto Ludere amadurece a ideia do primeiro trabalho com composições que têm a música brasileira como pano de fundo. Os músicos se dividem na autoria das oito composições.

O festival se encerra com a diva Virgínia Rodrigues e Grupo. Desco­berta por Caetano Veloso durante um ensaio do Bando de Teatro Olodum em Salvador, em 1997, a artista acumula elogios de críticos brasileiros e estrangeiros – e impacta plateias com suas interpretações singulares. Uma das intérpretes mais respeitadas no circuito de Festivais Internacionais de Jazz e World Music, Virgínia já cantou em palcos importantes como Carnegie Hall (Nova York) e Blue Note (Nova York e Paris). Além do show Mama Kalunga, em 2017, a cantora também subiu aos palcos com o show VIRGÍNIA RODRIGUES – 20 ANOS DE CARREIRA, com canções desde seu primeiro álbum, “Sol Negro”. No repertório, músicas como “Labareda” (Baden Powell) e “Oju Obá” (Caetano Veloso).

SERVIÇO:

Evento: Piri Jazz Festival – 3ª Edição

Data: Sexta-feira (19/10), sábado (20/10) e domingo (21/10)

Local: Rua do Rosário, Centro Histórico de Pirenópolis-GO

Entrada franca

PROGRAMAÇÃO

* DIA: 19/10 (Sexta) – 20H

– Zé Krishna & Amigos Eternos (DF)

– Trio Curupira (SP)

– Sons de Sobrevivência (SP)

* DIA: 20/10 (Sábado) – 20H

– Bororó & Trio (Pirenópolis)

– Marcel Powell (RJ)

– Cama de Gato (RJ)

* DIA: 21/10 (Domingo) – 19H

– Grupo Ludere com Philippe Baden Powell (SP)

– Virgínia Rodrigues & Grupo (BA)

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