Homenageado do Fica 2020, Washington Novaes fez parte da história e consolidação do festival

Jornalista participou dos dez primeiros anos do evento como consultor ambiental e ajudou traçar diretrizes da mostra. Em 2017, ele recebeu homenagem pelas contribuições prestadas

Washington Novaes é o grande homenageado da 21ª edição do Fica | Foto: Mariane Abrahão/Secult Goiás

Principal homenageado da 21ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2020), o jornalista Washington Novaes tinha uma relação de proximidade com o evento. Ele foi consultor ambiental da mostra desde sua primeira edição, em 1999, até 2008. De acordo com seu filho, Pedro Novaes, Washington se afastou do evento por incompatibilidade de agenda até 2017, quando recebeu homenagem pelas contribuições prestadas ao festival e subiu ao palco, no encerramento.

Como consultor de meio ambiente, o jornalista foi responsável por estabelecer a linha de abordagem do Fica em relação às questões ambientais, o que trouxe foco e diretrizes ao festival. As consultorias resultaram na indicação de temas e convidados especiais das edições realizadas até 2008.

A partir de então, o festival começou a ganhar mais projeção, pois passou a contar com uma grade de programação e objetivos claros que se estendem não só aos filmes inscritos, mas também às oficinas, mesas redondas e palestras.

Sempre lembrado e mencionado pelos organizadores do festival, o jornalista é considerado, junto com Jaime Sautchuk, como um dos criadores do evento. “Foi em reconhecimento a esta contribuição sólida ao Fica que, nesta edição, Washington Novaes será o grande homenageado. Lamentamos profundamente seu falecimento dias antes desta definição”, ressalta o secretário de Estado da Cultura de Goiás, Adriano Baldy.

Jornalismo ambiental como missão

Um dos primeiros jornalistas a se dedicar à pauta socioambiental no Brasil, Washington Novaes repetiu em diversas ocasiões que se aproximou dos temas ambientais “porque não há como isolar o meio ambiente do restante”.  

Ele era categórico ao falar que não se considerava ambientalista, e sim um jornalista consciente da importância do tema para a sociedade. “O meio ambiente está em tudo que a gente faz, na nossa vida toda. Não pensar nas chamadas questões ambientais significa deixar os problemas crescerem, e esses problemas são cada vez maiores”, disse em entrevista para o Observatório da Imprensa, em 2012, ano em que o Brasil sediou, pela segunda vez, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Meio Ambiente, a Rio+20.

Washington Novaes foi um dos idealizadores do programa Globo Repórter, comentarista do Globo Ecologia e colunista em diversos jornais consolidados pelo País, dentre tantas outras funções da cena jornalística brasileira. Como produtor independente de televisão, ele dirigiu as séries Xingu – a terra mágica e Kuarup, Pantanal e Xingu – a terra ameaçada, resultado de sua especialização em questões indígenas.

Em sua trajetória constam diversas premiações nacionais e internacionais com enfoque ambiental. Entre eles, em 1990, recebeu medalha de ouro no Festival de Cinema e TV de Havana pela série Xingu – A Terra Mágica e o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha pela série de artigos A Amazônia e o futuro da Humanidade. Em 1992, recebeu o Prêmio Esso Especial de Ecologia e Meio Ambiente. Em 2002, o prêmio de Melhor Filme na categoria Educação Ambiental no VIII Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente, na cidade de Seia, em Portugal, e em 2004, recebeu o Prêmio Unesco de Meio Ambiente.

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