História da poeta goiana que deu uma cantada no ator Tarcísio Meira

Enviei um bilhetinho: “Terminada a palestra, vamos tomar cerveja”. Ele riu de maneira maliciosa

Dairan Lima

Estou pensando no dia em que dei uma cantada em Tarcísio Meira. Foi na época da Faculdade de Letras. O professor Egidio Turchi, de filologia românica, atento à visita que o ator, de passagem por Goiânia, faria naquela manhã ao ICHL, onde estudávamos, já transferiu sua aula para uma sala vazia ao lado do auditório e, de porta aberta, vigiávamos a hora que o ídolo passaria. Não demorou e o vimos passar rapidamente, pisando duro atrás do anfitrião, digo, do organizador da palestra. Professor Egidio gritou:

— Gente, o Tarcísio Meira!!!

E saímos todos gritando atrás do homem, que nem olhou pra trás, tão acostumado a essas marmotas, decerto.

Não me lembro bem o tema da conversa, não estava atenta ao tema, mas a uma ideia que me surgiu de supetão e pediu exclusividade.

Tarcísio Meira, ator recentemente falecido de complicações decorrentes de Covid-19 | Foto: Reprodução

Rapidamente o auditório lotou, ele proferia sua palestra e foi quando eu enviei um bilhetinho:

“Terminada a palestra, vamos tomar cerveja.”

Rapidamente, de mão em mão, no meio de uma chuva de outros bilhetes, todos com propósitos sérios a respeito de democracia, etc., ele recebeu meu bilhetinho, papel azul, abriu, leu e começou a rir. O auditório inteiro riu, porque sua risada tinha algo de malicioso. Eu tremia inteira, como se ele ou alguém me descobrisse naquela brincadeira. Era apenas uma brincadeira e saí rapidamente, mas vi quando ele guardou o bilhete no bolso da camisa.

Vá em paz, Tarcísio Meira.

Dairan Lima, formada em Letras pela Universidade Federal de Goiás, é poeta.

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