Filmes para assistir na quarentena

Para espantar o tédio, fizemos uma lista com 15 filmes para você ver ou rever nesse período de quarentena

Com um terço do mundo em quarentena, a internet explodiu com as lives do instagram, notícias negativas sobre o coronavírus, pessoas reclamando que engordaram e fotos de pijamas. Não precisa ser apenas isso! É claro que nem todo mundo tem disciplina para continuar fitness com exercícios em casa. Às vezes é até difícil segurar a positividade quando o tédio e a solidão tomam conta dos pensamentos. O que tem funcionado para mim é tirar do baú alguns filmes que eu já vi e estava doida para rever ou aqueles que eu planejei ver por tanto tempo que até esqueci. Quero compartilhar com vocês a lista de tesourinhos da sétima arte que desenterrei com essa quarentena. Quem sabe não vai transformar seu ócio em prazer também. Vamos lá?

Mid90s (Jonah Hill, 2018)

Se você cresceu nos anos 1990, como eu, esse filme vai ser uma deliciosa viagem no tempo que vai te levar de volta lá para aquelas lembranças de criança que brinca na rua com um punhado de amigos. Escrito e dirigido por ninguém menos que Jonah Hill, o filme traz Sunny Suljic no papel de Stevie Sunburn, um menino solitário que vive brigando com o irmão mais velho. Quando conhece os skatistas Fuckshit, Fourth Grade, Ray e Ruben sua vida muda. Ele se sente parte de algo realmente especial, a amizade. Com este longa-metragem, você vai mergulhar em um oceano de nostalgia.

A Cor do Dinheiro (Martin Scorsese, 1986)

Esse filme nem parece que foi gravado nos anos 1980, do tanto que a fotografia é vanguardista. É daqueles clássicos que caiu no esquecimento, até porque o Scorsese fez uma porção de sucessos de máfia depois dele, o que acabou ofuscando o brilho dessa produção tão especial. Com Paul Newman e Tom Cruise no elenco, o filme conta a história de dois jogadores de bilhar. Newman é Eddie Felson, um veterano das mesas, que descobre o jovem talento Vincent Lauria (Cruise). Juntos, eles saem em uma tour pelos Estados Unidos ganhando partidas para chegar até ao Torneio de Atlantic City, uma disputa bem mais profissional com grandes jogadores de sinuca de todo país. O mojo está no jogo de câmeras, que dança com as bolas de bilhar, pega ângulos extremamente surpreendentes e cria uma personalidade completamente autêntica para esse filme. Salva de palmas para Michael Ballhaus, responsável por essa sacada de mestre!

Tom Cruise e Paul Newman em A Cor do Dinheiro / Foto: Reprodução

O Segredo dos seus Olhos (Juan José Campanella, 2009)

Esse suspense argentino é dirigido por Juan José Campanella e traz Ricardo Darín no papel de Benjamin Esposíto, um funcionário que se aposentou do Tribunal Penal. A história se desenrola enquanto ele relembra e transforma em um romance litarário um assassinato que investigou nos anos 1974, quando a Argentina era tomada pela Ditadura Militar. Conforme as memórias tomam sua mente, somos envolvidos nessa trama de suspense e mistério, enquanto Benjamin tem um flashback com sua ex-chefe, com quem viveu um romance. O roteiro é brilhante, mas não é só isso. Tudo nesse filme é bem feito e se encaixa direitinho. Simplesmente, sem defeitos!

Ricardo Darín em O Segredo dos Seus Olhos / Foto: Reprodução

Demônio de Neon (Nicolas, Winding Refn, 2016)

Confesso que não é todo mundo que vai gostar desse filme, porque ele tem lá suas particularidades. Eu amei. Por que? Porque esse filme é totalmente sobre a estética. Eu, como uma pessoa que se preocupa muito com a fotografia do filme, fiquei encantada pela genialidade com que a mise en scéne foi arquitetada. A história é meio estranha e as cenas tem uma pegada gore (umas coisas meio sangrentas e nojentas que podem desagradar quem não gosta do feio). No entanto, há um jogo de símbolos na fotografia, que abusa dos triângulos para determinar, na ponta superior, quem  está por cima e quem está por baixo. Também usa plongée e contra-plongée para demonstrar quem está vulnerável. Os espelhos remetem à vaidade. A iluminação colorida e saturada é uma característica de Refn, que também dirigiu Drive e Only God Forgives. Elle Fanning é a protagonista dessa história macabra sobre a futilidade, sobre o poder da beleza e descartabilidade das pessoas.

The Post: A Guerra Secreta (Steven Spielberg, 2017)

Foi graças a filmes como este, que romantizam o Jornalismo, que resolvi me tornar jornalista. The Post conta a história do jornal The Washington Post, que durante o anos 1970, comprou para si uma guerra quando decidiu expor que o governo americano. Após ter acesso à documentos secretos, chamados de “Papéis do Pentágono, o jornal passa a publicar uma série de reportagens mostrando como o governo americano conseguiu manipular a opinião pública, inclusive falsificando dados, para convencer a população de que era necessário o país se envolver na Guerra do Vietnã. Processado e perseguido pelo presidente Richard Nixon, o caso vai parar na Suprema Corte e coloca em voga a liberdade de imprensa e informação, garantida pela constituição. Qualquer semelhança com a atualidade, é mera coincidência.

Dublê de Corpo (Brian de Palma, 1984)

As atuações exageradas, à princípio, fazem a gente duvidar da qualidade desse filme, à princípio. Só que com o passar do tempo, a história se torna tão envolvente e surpreendente, que logo a gente esquece das caricaturas e fica completamente tomado por essa trama cheia de reviravoltas. Após ficar desempregado por ter um ataque de claustrofobia no meio das filmagens, um ator de filmes baixo orçamento é demitido. Na pior, um amigo pede para que ele tome conta de seu apartamento, enquanto ele sai em uma viagem. Vendo nisso uma oportunidade de escapismo, ele topa. No apê luxuoso, ele se torna um voyeur obcecado, até que testemunha um crime. Depois disso, meus amigos, é muita emoção envolvida nesse triller instigante, inspirado pelo mestre do suspense, Alfred Hitchcock.

Cena do longa-metragem Dublê de Corpo / Foto: Reprodução

Baby Driver (Edgar Wright, 2017)

Um filme bobinho, mas que agrada 99% das pessoas que assistem. O roteiro não tem nenhum grande esforço. A fotografia lembra bastante os filmes adolescentes do John Hughes dos anos 1980. E o que pega nesse filme é esse mix das imagens com a trilha sonora. A trilha, senhores, é o grande charme dessa produção. São quarenta e sete músicas. Exato, quarenta e sete clássicos que embalam essa aventura de Baby Driver, um garoto que por ser um excelente motorista trabalha para um grupo de criminosos que realizam assaltos de grande porte. O rapaz é lacônico, mas passa o filme todo com seus fones de ouvido que dão para esse longa de ação uma atmosfera bem divertida. No elenco, Ansel Elgort, Lily James, Michael J. Foxx, Kevin Spacey e John Bernthal.

Indomável Sonhadora (Benh Zeitlin, 2012)

Esse filme é simplesmente encantador! Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma garotinha de seis anos que mora com seu pai em uma comunidade pobre, em Louisiana. Quando uma catástrofe natural acontece e seu pai adoece, Hushpuppy se aventura em um universo que mistura imaginação e realidade, criaturas mágicas e muito sofrimento na luta por sobrevivência. Ela também tenta reencontrar sua mãe, desaparecida há muito tempo.

Perdidos em Paris (Dominique Abel e Fiona Gordon, 2016)

Fiona (Fiona Gordon) é uma bibliotecária solitária que mora no Canadá. Ela recebe uma carta da sua tia idosa, que vive em Paris, pedindo para que a visitasse urgente para cuidar dela. Na cidade das luzes, ela conhece um mendigo chamado Dom (Dominique Abel), que aparece por onde quer que ela vá. Essa amizade implicante é extremamente doce e engraçada. Uma deliciosa comédia francesa tem um quê de ingenuidade e pastelão e faz a gente esquecer completamente dos problemas da vida fora das telas. Simplesmente um passatempo perfeito para quem quer escapismo.

Fiona e Dom em Perdidos em Paris / Foto: Reprodução

Um Limite Entre Nós (Denzel Washington, 2016)

Esse drama é para quem gosta de apreciar atuações. As cenas são bem longas e com bastante diálogo. A trama é bastante densa e as personagens carregam tanta emoção, tanto peso, que o filme se confunde com uma peça de teatro. Pouco dizer que as atuações de Denzel Washington (que também dirige) e Viola Davis são ótimas. Elas são transcendentais. Quando você se percebe, os sentimentos das personagens já estão lá dentro se manifestando todos dentro de você, que sente amor, tristeza, ódio… É um fervilhar de emoções. No entanto, quem gosta de filmes mais acelerados pode não gostar de degustar cada cena com 32 mordidas lentas de dente.

Viola Davis em Um Limite Entre Nós (Fences) / Foto: Reprodução

O Que Fazemos Nas Sombras (Jemaine Clement e Taika Waititi, 2014)

Neste mockumentary (documentário de mentirinha), somos apresentados a Viago (Taika Waititi), Deacon (Jonathan Brugh) e Vladislav (Jemaine Clement), três vampiros que dividem a mesma casa e compartilham com as câmeras as mazelas da vida cotidiana de um sugador de sangue. Cada um corresponde a um estereótipo de vampiro que conhecemos de histórias clássicas. Mas, nessa realização, todos os clichês possíveis sobre vampiros são juntados e utilizados da forma mais nonsense e grotesca possível, transformando este filme na melhor ou pior comédia que você vai ver na vida, dependendo do seu tipo de humor. Se for bobo e obscuro, vai dar tudo certo! Para mim, a experiência foi hilária e maravilhosa. Taika Waititi dirigiu e atuou como Adolf Hitler no recente sucesso Jojo Rabbit.

Memórias Secretas (Atom Egoyan, 2015)

Essa mistura de drama com thriller, protagonizada por Christopher Plummer com certeza vai te surpreender. Ele interpreta Zev, um idoso que está com demência. Imigrante alemão que tem no braço seu número no campo de concentração, junto com o amigo Max Rosebaum (Martin Landau), traça um plano para encontrar o responsável pela morte de seus familiares, lá da época do Holocausto. A trajetória pela vingança vai revelar alguns segredos bem capciosos.

Em Memórias Secretas, Zev (Christopher Plummer) sai em busca de seu algoz durante o Holocausto / Foto: Reprodução

Beasts Of No Nation (Cary Fukunaga, 2015)

Nessa produção de guerra da Netflix, um roteiro forte conta a história de Agu (Abraham Attah), um menino que vive em um vilarejo na África Ocidental, onde seu pai é o líder. Em plena guerra civil, o país é tomado por rebeldes alinhados a militares, a NDF. Sua mãe e irmão mais novo consegue fugir, mas Agu, o pai e o irmão mais velho não conseguem deixar a comunidade. Após uma perseguição, o garoto foge sozinho para o meio do mato, mas é encontrado e capturado pela NDF. No entanto, o menino agrada ao Comandante e se torna seu protegido. Ele ascende dentro da facção e se torna um guerrilheiro, deixando a infância e a ingenuidade para trás. O roteiro é impactante e tem o reforço da belíssima fotografia do também diretor. Para mim, este foi o primeiro filme realmente relevante da Netflix, que posteriormente conseguiu desenvolver longa-metragens de qualidade.

Agu é um menino que perde a inocência ao ser adotado pelos rebeldes da NDF, que unidos a militares, tomam a África Ocidental / Foto: Reprodução/Netflix

Birdman – Ou a Inesperada Virtude da Ignorância (Alejandro Iñárritu, 2014)

Este longa-metragem trouxe Michael Keaton de volta aos holofotes depois de um longo tempo distante da fama. Famoso por seu plano sequência, esse filme é quase uma biografia do protagonista, que no passado chegou ao auge da carreira interpretando o herói Batman nos cinemas. Neste longa, Keaton é Riggan Thomson, um ator que virou celebridade ao estrelar como Birdman em uma trilogia. Depois de rejeitar a quarta sequência, ele cai no esquecimento. Anos depois, Riggan tenta se reerguer com uma peça de teatro. Enquanto luta para que sua estreia na Broadway seja um sucesso, ele tem que lidar com Birdman, o alterego que insiste em tomar parte de sua personalidade.

Eu sou Ali: A História de Muhammad Ali (Clare Lewins,2014)

Neste documentário, com filmagens e áudios pessoais e exclusivos, conhecemos quem realmente foi Muhammad Ali, suas qualidades e defeitos como ser humano. Certamente que tinha falhas muito graves de caráter, mas dentro daquele corpo de boxeador, habitava um ser grandioso demais para este mundo e genial. A história da sua vida é contada tão de perto, por amigos e familiares tão próximos, que quase nos sentimos parte de sua vida também.

Uma resposta para “Filmes para assistir na quarentena”

  1. Douglas disse:

    Parabéns pela lista são filmes inteligentes e que nos faz refletir se tiver mais sugestões pode responder esse comentário com nome de filmes ou envia no meu Email por gentileza.

    Obrigado por compartilhar os filmes bom gosto você tem.

    Segue umas sugestões para quem gosta de filmes:

    Gigantes de aço
    Quem que ser um milionário
    Em busca da felicidade
    Pulp fiction
    Kill Bill
    O menino do pijama listrado
    Fome de poder

    Séries:
    Black mirror
    Game of Thrones
    Prison Break
    Vis a Vis
    Break Bad

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.