Filatelia é uma atividade seguramente instrutiva, instigante e motivadora

O maior valor de um selo são os exemplares “circulados”, ou seja, o que passou por uma agência dos Correios e foi obliterado por carimbo

Nilson Jaime
Especial para o Jornal Opção

Filatelia é a atividade em que o filatelista coleciona selos “dos Correios” (sim, pois há as estampilhas fiscais) e outros motivos postais.

Mais que um mero passatempo, a filatelia é atividade nobre e que exige muita leitura, estudo, concentração, metodologia, conhecimento e interação.

Longe de ser um hobby de criança (quem dera as crianças ainda se dessem a esse mister), a filatelia envolve senhores e senhoras cãs, comerciantes, profissionais liberais, professores, cientistas e assemelhados.

Mas há muitos jovens também. Em Goiânia uma mãe filatelista iniciou suas duas filhas adolescentes no colecionismo de “quadras postais”, modalidade de grande beleza onde os selos são adquiridos sempre em quatro.

Existe a filatelia tradicional, em que o filatelista coleciona todas as emissões de um país, e a filatelia temática, em que o colecionador se dedica a estudar e catalogar selos de um tema específico: fauna, flora, macacos, borboletas, geologia, agricultura, medicina, malária, hanseníase, oceanografia, Disney, dança, música, Leonardo da Vinci, obras de arte, escultura, flores, Lady Diana, rainha Elisabeth, cinema, etc. São milhares de temas possíveis.

Insetos, malária e agricultura

Presentemente, eu coleciono selos sobre insetos, malária e agricultura, por exemplo. Tenho que ler e estudar muito, a fim de compor um enredo sobre o tema.

Existem catálogos de selos de todos os países e temas, além de classificadores, álbuns de exposição italianos, suíços, ingleses, alemães e brasileiros.

O equipamento básico necessário é uma pinça filatélica e uma lupa. Mas existem guilhotinas, odômetros, réguas, rawids, microscópios e outros materiais filatélicos.

Pode ser um hobby barato, ou muito caro. Há opções para todos os gostos e bolsos, inclusive pode-se adquirir pacotes de selos usados das lojas filatélicas, pela internet.

Todo selo, ao ser lançado, vem acompanhado de um edital.

Em geral, os Correios do Brasil emitem em torno de 50 selos anualmente e cada lançamento tem seu edital, com todas as características dos selos, tipo do papel, denteadura, goma, tinta e, claro, o histórico do motivo da emissão.  Esses editais podem ser obtidos nas agências filatélicas dos Correios gratuitamente (em Goiânia, na Agência Central).

Um mero envelope selado e datado, se aberto com tesoura, com todo esmero, torna-se uma peça filatélica rica e reveladora de um tempo, colecionável e bela. Daqui a 50 anos será um tesouro para seus netos curiosos e cultos.

Os selos não podem jamais ser arrancados dos envelopes, mas despregados com água morna.

Selos e os envelopes

Aliás, nem precisam ser retirados. Uma coleção de envelopes é instigante e extremamente cultural.

Cartas e telegramas antigos constituem-se ricas fontes primárias dos historiadores, porque reveladoras de particularidades não impressas, ou públicas, quando não íntimas.

Uma opção para quem quer escrever pouco, é enviar cartões postais.

Você pode enviar e receber motivos postais (selos, máximos postais e envelopes) de outros filatelistas. Formam uma bela coleção.

Na agência, exija que o cartão postal seja selado e não o insira em envelope.

A vantagem dessa modalidade são os motivos comemorativos, o que o torna, por si, uma peça de arte.

Solicite que o atendente dos Correios o carimbe com cuidado, para não borrá-lo.

Na agência central de Goiânia existia um setor filatélico, mas fechou. A funcionária era sensível a essas filigranas de filatelistas.

O maior valor de um selo (embora exista colecionadores de selos novos) são os exemplares “circulados”, ou seja, o que passou por uma agência dos Correios e foi obliterado por carimbo.

Infelizmente, com o advento do fax, do e-mail e das mídias sociais, as cartas perderam importância.

Não ajuda o fato de funcionários dos Correios muitas vezes não terem sensibilidade ao obliterar selos, arruinando algumas belas composições filatélicas com borrões de tinta.

Existem as sociedades filatélicas e os clubes filatélicos que se reúnem e promovem congressos, exposições e concursos. E também boas publicações em revistas e livros.

Se quer tornar-se um filatelista, bem-vindo a um mundo fascinante de cultura e arte.

Se necessário, contate-me.

Nilson Jaime é filatelista temático, curador de coleção sobre “O fascinante mundo dos insetos”.

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