Festival Internacional de Cinema de Locarno acontece de 2 a 12 de agosto e conta com três filmes brasileiros na disputa

Carlo Chatrian, diretor do Festival, disse ter visto 4 mil filmes para chegar à seleção nas diversas mostras. Entre os selecionados, está também  um filme suíço de Samuel Chalard, falado em português

Cartaz oficial do Festival Internacional de Cinema de Locarno

Rui Martins
Especial para o Jornal Opção

“As Boas Maneiras”, filme de terror rodado em São Paulo, dos cineastas Juliana Rojas e Marco Dutra, coprodução franco-brasileira, foi selecionado para a competição internacional do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça. “Severina”, filme do cineasta e diretor de teatro Felipe Hirsch, coproduzido com o Uruguai, estará na competição da mostra Cineastas do Presente.

Para a mostra Sinais de Vida, foi selecionado o filme de Adirley Queirós, “Era Uma Vez Brasília”, uma espécie de ficção científica com preocupações sociais. Falado em português, mas dirigido pelo suíço Samuel Chalard, o filme “Favela Olímpica”, mostrando os prejudicados pelos Jogos Olímpicos do Rio, foi escolhido para a Semana da Crítica.

Filme de dar medo?

“As Boas Maneiras” conta a história de uma babá, responsável por uma criança sobrenatural, mutante, dentro, portanto, do esquema de seres diferentes dos normais, comum nos seriados e grandes produções estadunidenses. Como se trata de estreia em Locarno, só depois de projetado se poderá saber qual o toque nacional explorado nessa história fantástica filmada por um cinegrafista francês, em São Paulo. Em todo caso, os dois realizadores, Juliana Rojas e Marco Dutra, já fizeram um filme de sucesso, “Trabalhar Cansa”, que garante uma abordagem original. O inesperado de situações parece provocar medo ou susto na babá e nos espectadores.

Roubando livros

O filme de Felipe Hirsch, um dos grandes diretores brasileiros de teatro, trata de um amor obsessivo. Existe em “Severina” um mistério sedutor e enigmático. Jovem de nacionalidade desconhecida, Severina rouba livros numa livraria.
A estreia será em Locarno, pouco se sabe do roteiro, além dessa síntese.

Ficção político-científica

O filme do brasiliense Adirley Queirós é uma espécie de ficção político-científica, que se passa no Ano Zero depois do Golpe e mistura a história de um agente intergalático enviado a Brasília para matar o presidente Kubitschek, cuja nave se perde no espaço e no tempo, aterrissando na periferia da capital federal, em Ceilândia. O Congresso Nacional não tem mais deputados e senadores mas é habitado por monstros. Também vai estrear em Locarno.

Inspirado em reportagens?

Não se sabe se o cineasta suíço Samuel Chalard se inspirou nas reportagens do jornalista australiano, que provocou a ira dos cariocas chamando de “Favela Olímpica” as instalações para as olimpíadas. O filme foi feito durante a construção do Parque Olímpico junto à favela de Vila Autódromo. Alguns habitantes da favela, condenados a deixar o local para as obras das olimpíadas, conseguiram adiar sua expulsão, enquanto as obras avançavam nos terrenos antes ocupados pela população pobre.

Rui Martins estará do 2 ao 12 de agosto em Locarno, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

 

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