Favoritismo de Prior no BBB e a admiração dos brasileiros por ícones “sincerões” que ultrapassa o reality

Brother se tornou favorito por “falar o que pensa”. Já vimos esse filme antes: no próprio programa e na política recente. Confundimos política com BBB, o inverso ou há conexão? 

Da direita para a esquerda: Paula, do BBB 19; Felipe Prior do BBB 20 e Dourado, do BBB 10 |Foto: reprodução/ TV Globo

O reality global Big Brother Brasil já há alguns anos parece ter se tornado parte da cultura nacional. A vigésima edição do programa, que bate recordes de votação é a mais mencionada da história nas redes sociais, tomando conta do debate público. E se engana quem pensa que não há traços de política no meio disso tudo. Após um mês no ar, o participante favorito é mais uma prova do gosto duvidoso dos brasileiros por ícones que incorporam a “sinceridade acima de tudo”. Gosto que já fez antigos participantes vitoriosos e que elegeu um presidente.

Desde que entrou na casa, Felipe Prior, o arquiteto que assume em sua chamada “ser mimado” e “não gostar de ordens”, fez parte do grupo de homens que decidiu organizar uma espécie de teste de fidelidade para queimar as famosas em confinamento. O esquema mal visto pelo público acabou na eliminação de quatro dos cinco integrantes do grupo, restando apenas Prior, que mesmo com informações externas, jamais considerou terem sido ações erradas.

Espantosamente, restando apenas Prior do grupo no jogo, parte expressiva do público passou a demonstrar apoio ao brother,  por uma característica que já fez dois ex-participantes vitoriosos: Dourado, do BBB 10 e Paula, do BBB 19. Os três compartilham de principais características em comum: falar “a verdade” acima de qualquer coisa, além de uma ingenuidade que os permitem falar o que querem, como não assumir situações de machismo e racismo velado ou, ao nível máximo, falas homofóbicas, como as emitidas por Dourado em 2010.

Resta dúvida que esse gosto pelos “sincerões” chegou de vez à política em 2018? Bolsonaro, que tinha público específico, cativou um público macro, que passou a admira-lo não por qualidades técnicas ou humanistas, mas por falar o que pensava acima de qualquer coisa. Junto do líder desse movimento, diversas outras figuras ganharam força pelo mesmo motivo, apenas por uma sinceridade ignorante, que não se permite a evolução. Talvez sejam características identitárias compartilhadas por muitos, prefiro pensar que não.

Será que, enquanto uma sociedade super conectada, confundimos política com BBB? Ou, em outro ângulo, BBB seria a prova de que nem tudo é política, mas a política está em tudo? A vitória de Prior, caso consolidada, não será uma surpresa.

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