Fats Domino deveria ganhar um “Remembrance Day”

Fats Domino, um dos pais do Rock

Marcelo Franco
Especial para o Jornal Opção

Fats Domino (nome artístico de Antoine Dominique Domino) morreu na quarta, 25 de outubro. Não teve chuva de RIPs nas redes sociais, mas dá pra entender: quem o conhecia provavelmente se perguntou “De novo?” ao ouvir sobre a sua morte. Tinha o quê, 90, 95 anos? Com 80 ou quase isso sobreviveu ao Katrina e foi resgatado no telhado da sua casa em New Orleans, onde, aliás, nasceu (na cidade, não no telhado…), algo para músico americano que é semelhante a sambista nascer na Mangueira ou sanfoneiro ver a luz em Juazeiro. Li nos obituários que vendeu 65 milhões de cópias dos seus álbuns, perdendo apenas para Elvis entre os pioneiros do remexe-quadril (e Elvis, quando chamado de “Rei”, costumava dizer que Fats era o verdadeiro monarca). Esse número meio que me deprime, confesso: se o sujeito está entre os inventores do rock, digamos assim, e vende essa quantidade absurda de discos, deveria ganhar feriado nacional e, sei lá, um “Remembrance Day”. Eis aí um mistério insondável. Mas dizem que ele vai ter um daqueles fantásticos enterros musicais de New Orleans; contenho-me quase à força para não pegar o primeiro voo para a Louisiana e, resignado, vou então ao Spotfy e ouço as minhas preferidas entre as suas interpretações, “I’m Walking”, hino rockeiro dos corações despedaçados (ao menos para a turma old school, que integro com honras — old school tanto em matéria de rock quanto de coração despedaçado, friso), e “Blueberry Hill, que, a propósito, Louis Armstrong também gravou belamente. Para acompanhar, cerveja, que era o que Antoine Domino (que lindo nome creole, não?) apreciava. Ah, sim, requiescat in pace, Fats.

Marcelo Franco é Promotor de Justiça em Goiás.

 

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