Exposição “Janelas da Arte” recria as paisagens do confinamento

Com participação de artistas, cientistas, professores e estudantes, mostra on-line revela a criatividade em tempos de pandemia

Por Leila Kiyomura

A arte caminha com a ciência contra a pandemia. Uma mostra dessa parceria está na exposição on-line Janelas da Arte, que está sendo lançada em sua segunda versão, com a curadoria da professora Elza Ajzenberg, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e a participação de artistas, cientistas, professores e estudantes.

Integram a mostra cenas como a dos pesquisadores do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP apresentando a criação do ventilador pulmonar. Orgulho e sorrisos bem focados e documentados na foto de Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP, traduzem o trabalho e idealismo da equipe.

De repente, enquanto cruza a Praça do Relógio, na Cidade Universitária, em São Paulo, o agrônomo, pesquisador e professor Márcio de Castro Filho se depara com um ipê carregado de flores brancas. Fez questão de registrar a paisagem e conseguiu enquadrar o grande monumento do relógio, apontando 12 horas e cinco minutos, mergulhado no azul do céu. Um tempo diferente do apresentado no desenho de Gabriele Pinheiro, de 5 anos, com flores vermelhas e um sol de verão.

São essas imagens espontâneas, que expressam o olhar e a reflexão no confinamento e na luta coletiva contra a pandemia, que foram selecionadas pela equipe do Centro Mário Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes da ECA, com participação do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP.

“A exposição Janelas da Arte destaca processos criativos realizados durante o período da pandemia. Estabelece interfaces com o difícil momento vivido por todos”, explica a professora Elza Ajzenberg. “Mas também propõe perspectivas, atitudes colaborativas e a valorização da vida.”

“Plataformas tecnológicas possibilitam comunicações, atividades docentes e laboratoriais. Promovem a pesquisa científica, a educação e a preservação do ambiente.”

O pensamento científico ou poético vai fluindo através da mostra. “Neste contexto, plataformas tecnológicas possibilitam comunicações, atividades docentes e laboratoriais. Promovem a pesquisa científica, a educação e a preservação do ambiente”, observa Elza Ajzenberg. 

Janelas da Arte apresenta cerca de 150 imagens. Reúne fotos e vídeos que foram feitos, em sua grande maioria, através do celular. Também tem pinturas, especialmente das crianças que são filhos dos pesquisadores e estudantes. Todo o material está dividido em três núcleos: Janelas Abertas, Natureza e Criatividade e Esperança e Sensibilidade Estética. 

O visitante vai se surpreender ao constatar como esses núcleos convergem com a defesa da natureza, do ambiente, da cultura e da essência do ser humano. Interessante também é entrar nos laboratórios, escritórios, ateliês e casas dos artistas.

A exposição é aberta com a sala de reuniões do professor da Escola Politécnica da USP Vahan Agopyan, que ele próprio tirou no dia 28 de junho de 2020, quando ocupava o cargo de reitor da Universidade. Na época, diante de vários computadores em uma mesma mesa, justificou: “São as janelas que eu tenho para ver o mundo na pandemia”. Há também momentos solenes, como a posse do atual reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior e da vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda, nas fotos de Marcos Eid e Beabar.

Também é possível conhecer as formas para criar nas mesas dos pintores em seus ateliês, como Cláudio Tozzi, Maria Bonomi, Neno Ramos, Percival Tirapeli, e o chão de trabalho de José Roberto Aguilar. 

Flores da janela - Foto: Gabriele Pinheiro, 5 anos
Flores da janela – Foto: Gabriele Pinheiro, 5 anos
Pesquisadores do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP - Foto: Marcelo Zuffo
Pesquisadores do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP – Foto: Marcelo Zuffo
Ipê branco na praça do Relógio - Foto: Marcio de Castro Silva Filho
Ipê branco na praça do Relógio – Foto: Marcio de Castro Silva Filho
Flores da janela - Foto: Gabriele Pinheiro, 5 anos
Flores da janela – Foto: Gabriele Pinheiro, 5 anos
Pesquisadores do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP - Foto: Marcelo Zuffo
Pesquisadores do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP – Foto: Marcelo Zuffo

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Chão de trabalho - Foto: José Roberto Aguilar
Chão de trabalho – Foto: José Roberto Aguilar
La luna a través de mi ventana - Foto: Paulo Roberto Barbosa
La luna a través de mi ventana – Foto: Paulo Roberto Barbosa
Mesa de cores - Foto: Cláudio Tozzi
Mesa de cores – Foto: Cláudio Tozzi
Mesa de trabalho - Foto: Neno Ramos
Mesa de trabalho – Foto: Neno Ramos
Mesa do Studio - Foto: Percival Tirapeli
Mesa do Studio – Foto: Percival Tirapeli
Mesa de trabalho - Foto: Maria Bonomi
Mesa de trabalho – Foto: Maria Bonomi
Chão de trabalho - Foto: José Roberto Aguilar
Chão de trabalho – Foto: José Roberto Aguilar
La luna a través de mi ventana - Foto: Paulo Roberto Barbosa
La luna a través de mi ventana – Foto: Paulo Roberto Barbosa

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Importante observar também homenagens sensíveis como Rebolo: Memória Preservada, com os objetos que o mestre Francisco Rebolo Gonsales deixou em seu ateliê: suas tintas, a paleta com as cores misturadas… Lembranças que o neto Sérgio Rebollo preserva com a fundação do Instituto Rebolo. Um cuidado com a memória que inspira a sua filha Helena, de 13 anos. Foi a bisneta de Rebolo, falecido há mais de 40 anos, que separou os objetos e fez questão de fotografar.

Outra homenagem é para a luz do Modernismo: Tarsila do Amaral. Sua sobrinha-neta, Tarsilinha do Amaral, apresenta a foto que tirou, em março passado, da mesa que organizou com documentos, fotos e pincéis da artista. Tarsilinha tinha 8 anos quando a tia faleceu. Era pequena, mas guardou a lembrança e o privilégio, como ela própria afirmou, de ver a maioria de suas grandes obras pessoalmente com a artista em sua casa.

Imperdível também o passeio através de fotos flagradas pelos pesquisadores, estudantes e fotógrafos pelos museus da cidade, como o Museu Paulista da USP, o Museu da Língua Portuguesa, o Museu de Arte de São Paulo e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.

A exposição traz outras surpresas, como Reflexos do Reflexo do Rio Negro, no Amazonas, na foto de Lucia Milito Eid. Há ainda momentos trágicos como o alagamento em Petrópolis, documentado nas fotos de Renata Marques, no dia 15 de fevereiro. E a felicidade de momentos simples como o vídeo de João Candido Portinari, professor e filho único do pintor Candido Portinari, filmando com sua filha Maria um banquete de canarinhos e sabiás em sua mesa na varanda. (Com  Jornal da USP)

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