Escritoras e editoras dão folego novo à cena literária goiana

De forma independente e com iniciativas inovadoras, mulheres dos livros e das letras contribuem, à sua maneira e com estilo próprios, para que a produção local se mantenha efervescente, pensando alternativas para circulação da produção e mantendo aceso o interesse do público

A maré realmente não tem estado para peixe para o mercado editorial. Na última sexta-feira (23), a rede de livrarias Saraiva, uma das mais tradicionais do País, entrou com pedido de recuperação judicial na tentativa de reverter o impossível: uma dívida de quase 1 bilhão de reais, ou seja, exatos 674 milhões de reais; cifra praticamente impagável para uma empresa que comercializa… livros! Antes, a rede anunciou também o fechamento de 20 unidades. Outra grande marca do setor, a Fnac, despediu-se definitivamente dos clientes ledores brasileiros ao fechar sua última unidade no País, justamente aqui em Goiânia. O espaço deixado pela francesa será ocupado por outra que vai bem mal das pernas: a Livraria Cultura, que também entrou com pedido de recuperação judicial e, sem dinheiro nem credibilidade, não consegue convencer as editoras a abastecer suas prateleiras.

Qual a conclusão que devemos tirar disto? Que o mercado editorial está com os dias contados? Que as pessoas não querem mais saber de livros? Que escritores devem esquecer essa história de viver de literatura e pendurar definitivamente as canetas? Muita calma nesta hora! As notícias e números desanimadores desta e de outras tantas manchetes refletem apenas uma face da moeda e, se por um lado o cenário é desalentador, por outro, há resistência, luta, talento e criatividade. Ao passo que na esfera macro, há um esfacelamento das grandes redes que sobreviviam da venda maciça de best sellers, assistimos no mercado local a um ressurgimento das livrarias de rua, menores e com portas mais abertas aos escritores locais, além de nano e pequenas editoras como propostas inovadoras de negócio e de distribuição. Circunstâncias que dão fôlego e mais diversidade à cena literária local, com mais oportunidades e estímulo a quem escreve e com iniciativas que mantém aceso o interesse do público ledor.

Nesta atual conjuntura da cena literária local, em especial a goianiense, é emblemática atuação das mulheres, sejam como escritoras, editoras ou promotoras culturais. Sensíveis às necessidades dos novos tempos e com a sabedoria e experiência de quem vive ou viveu os desafios de se fazer Literatura em Goiás, elas contribuem, à sua maneira e com estilo próprios, para que a produção local se mantenha efervescente, pensando alternativas para circulação da produção e mantendo aceso o interesse do público.

Estratégia “punk” de distribuição

Cássia Fernandes. Foto: Divulgação

Dentre as que celebram e se destacam diante das boas novas está a escritora e jornalista Cássia Fernandes, que no início da carreira chegou ao cúmulo de ter que jogar seus próprios livros na rua. Elegante e com doses sutis de ironia, a escrita de Cássia é uma evolução de rascunhos que começaram ainda na juventude em tom confessional e enigmático, lapidados ao longo de sua trajetória acadêmica pela objetividade do Jornalismo e pelo rigor estético da Literatura, suas duas áreas de formação. A estreia se deu com a publicação de “Cartas que Não Te Escrevi”, em 2000, um dos vencedores da Bolsa de Publicações Cora Coralina, da então Agência de Cultura Pedro Ludovico Teixeira. Em seu breve romance, Cássia se propunha a discutir o que era verdade e o que era ficção, e acabou misturando esses limites ao dar vida a seu falso crítico, Claudiomar Ribeiro Schneider, que assina um estudo introdutório no livro. A escritora deu asas à cáustica personagem, chegando a assinar um polêmico artigo aqui mesmo, no Jornal Opção, com o nome dele, guardando total segredo sobre sua inexistência. “As pessoas ficaram com muita raiva do Claudiomar porque ele falava muita bobagem. Eu fiquei assustada com a repercussão e deixei isso de lado”, recorda-se.

No entanto, o rebuliço provocado pela polêmica e desbocada personagem, e a posterior revelação de seu segredo pelo jornalista Jean Teófilo, acabou sendo um grande trunfo para Cássia. A repercussão sobre o livro chegou a nível nacional, com direito a matéria de capa inteira no Jornal do Brasil e um pequeno editorial de Eliane Cantanhêde. “Isso tudo deu uma boa visibilidade para o livro. Cheguei a fazer uma foto de homem, fumando um charuto; fiz o relançamento do livro. Mas mesmo com tudo isso, era extremamente difícil colocar obras publicadas por editoras locais em circulação. Na época, meu livro só estava disponível nas livrarias Araguaia e Universitária, que fecharam, e não tinha mais como pôr os livros à venda. Revoltada, fiz o que a Larissa Mundim chama de estratégia ‘punk’ de distribuição: joguei os livros na rua, para os catadores pegarem! Tanto que o livro quase não é encontrado mais”, relembra Cássia.

A enorme frustração redundou em um afastamento por 16 anos. “Por causa desta dificuldade de alcançar os leitores, eu praticamente perdi a vontade de publicar. Me limitei a fazer publicações em um pequeno blog e crônicas para o jornal O Popular e Redação. Até que a Larissa, da Nega Lilu, me propôs de voltar a publicar com esse novo modelo de circulação, que me animou muito. Ela assumiu esse papel de editora, que era algo que sentíamos falta. Muitas vezes a autopublicação e a publicação por meio de bolsas carece desta figura, que assume este papel de orientação e de auxiliar na divulgação”, afirma. A parceria rendeu a Cássia dois títulos lançados pela Nega Lilu:  o livro de bolso de poesias “Almofariz do Tempo” (2016) e o audiolivro e e-book “Abracadabras – Crio Enquanto Falo” (2017), financiado pelo Fundo Estadual de Cultura. Cássia afirma que atualmente existe uma série de editoras independentes surgindo e buscando alternativas para a distribuição da produção literária, o que torna as perspectivas de venda e divulgação muito mais atrativas para os escritores.

Dois títulos lançados pela Nega Lilu:  o livro de bolso de poesias “Almofariz do Tempo” (2016) e o audiolivro e e-book “Abracadabras – Crio Enquanto Falo” (2017). Foto: Reprodução

“Hoje o ‘Almofariz’ é comercializado na Palavrear e no site da Nega Lilu. Tive uma boa divulgação e vendas até significativas. Já o ‘Abracadabras’ foi publicado com a proposta de 1.000 downloads concedidos gratuitamente no período de um ano ou até esgotar a cota disponível. Com essa nossa contrapartida, o livro foi disponibilizado em vários grandes sites, como o da Saraiva, Ubook e o internauta pode usar o serviço de streaming, que está tão popular nos dias de hoje. Chegamos a esses mil downloads em apenas quatro meses, e segundo esse mapeamento da editora, isso atingiu diversas partes do mundo. O audiolivro contou ainda com uma parceria com a Rádio Universitária, sob direção de Itamar Pires Ribeiro e trilha sonora de Wagner Sean. Na obra, há três vozes: a minha, da Carol Smith (atriz) e Débora di Sá (cantora e atriz). Cada uma interpretou um de meus três heterônimos da história: Condessa, Miss Austen e Madame Natasha. Não conseguimos atingir as mil distribuições livres porque ainda não é muito forte a cultura do audiolivro no Brasil, mas foi uma experiência de difusão da obra literária muito positiva”, avalia.

Para Cássia, a grande dificuldade ainda é colocar os livros em circulação, especialmente fora de Goiânia, quando o título não chega ao mercado por intermédio editora de renome nacional. “A proposta da Nega Lilu é muito interessante neste sentido: ela vai a eventos e monta bancas de venda dos livros. Sem contar o projeto da feira e-Cêntrica, que faz um mapeamento da produção literária fora do eixo Rio-São Paulo e que vai culminar na criação de um portal, o e-Cêntrica, que permitirá os autores comercializarem suas obras com uma porcentagem mais vantajosa. Porque um outro problema é, além de não ter como distribuir, a porcentagem que fica para o autor é muito pequena. Mas além destas novas possibilidades, estamos vendo o ressurgimento das livrarias de rua. Aqui em Goiânia, por exemplo, temos o Evoé Café e a Palavrear, que rompem com o sistema de produção e distribuição das grandes editoras”, salienta.

Leia Mulheres

Maria Clara Dunck , do Leia Mulheres – Goiânia. Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foi por influência da mãe, professora de Português, que Maria Clara Dunck passou a frequentar, logo cedo, o ambiente acadêmico. Os livros da biblioteca eram uma forma da garota se entreter nas ocasiões em que a mãe a levava ao campus para cumprir seus compromissos. “Com certeza ela é uma influência poderosa em minha trajetória literária. Sempre que possível, ela também me presenteava com livros”, recorda-se. Doutoranda em Literatura pela UnB, Maria Clara Dunck possui escritos na gaveta à espera do momento mais adequado para virem ao mundo. Enquanto não se lança efetivamente como escritora, Maria Clara Dunck se dedica à Literatura de outra forma, na coordenação Leia Mulheres Goiânia, um dos 40 grupos que surgiram no país como desdobramento da campanha #ReadWomen2014, encabeçada pela escritora Joanna Walsh.

“Quando fui convidada a fazer parte do grupo que fundou o Leia Mulheres em Goiânia, eu já realizava um trabalho de discussão sobre feminismo e Literatura feita por mulheres em uma coluna semanal da revista Cajá. Com o ‘Leia Mulheres’, a ideia sempre foi ampliar o debate, numa perspectiva ativista mesmo, de forma que pudesse contribuir para movimentar a cena cultural da cidade. Quando se observa a recente proliferação de iniciativas culturais feitas por mulheres, tenho certeza de que faço parte, nem que seja um pouco, desse cenário. O ‘Leia Mulheres’ se tornou um momento não apenas para refletir as desigualdades sociais, mas também para promover a maior inserção das mulheres em todos os espaços”, avalia.

Para Maria Clara, a cena literária em Goiás nunca esteve tão ativa e, principalmente, descentralizada. “Antes os eventos eram destinados apenas a uma parcela privilegiada da sociedade, em círculos fechados; hoje, observa-se que existem vários pontos que articulam literatura. Não que antes não houvesse uma gama variada de produções, mas a maioria dela não saía da marginalidade”. Ela acredita que o desafio continua sendo reconhecer a Literatura que vem sendo feita em todos os espaços e divulgá-la da forma mais democrática possível, inclusive para fora do Estado. Para tanto, é preciso valorizar a produção com incentivos de várias espécies, e repensar seu modo de distribuição. “Destaco as pequenas editoras, livrarias e produtores independentes, que realizam esse trabalho de forma dedicada e ativista. Muitos deles mulheres, que se colocam à frente de projetos, como a escritora e agitadora cultural Larissa Mundim, uma grande inspiração para todos envolvidos com a cena literária goiana”.

A jovem assente que, por um lado, lê-se muito menos do que a maioria julga ser o ideal, e as redes sociais parecem colaborar para isso. No entanto, o poder de difusão da internet é inegável, o que faz muitos escritores que dificilmente teriam chance de se destacar no mercado editorial tornarem seus trabalhos conhecidos. “As redes sociais precisam se tornar aliadas, e não inimigas. E o mercado editorial precisa repensar sua atuação. É uma fase de muitas mudanças, e ainda não consigo afirmar qual é a solução para esse desafio. A cena literária também está refletindo a respeito das transições, e acredito que logo esse cenário novo se tornará menos nebuloso e mais otimista”.

Mais trabalho do que inspiração

O Leia Mulheres também citado como exemplo de boas ideias pela escritora, atriz e doutora em Estudos Literários pela UFG, Thaise Monteiro. “Mais que desafios, há quem desafie. Há muita gente fazendo muita coisa legal, inclusive entre as mulheres. Destaco o ‘Leia Mulheres’, o Sarau das Minas, organizado pela Carol Schmid, com palco aberto, com muitas meninas apresentando seus e escritos. Importante também o trabalho das livrarias e editoras independentes, como a Palavrear, a Nega Lilu, a Martelo Casa Editorial, a Ricochete e a Caminhos, do Mário Zeidler. Tem também o ‘Goiânia Clandestina’, evento organizado por uma ‘molecada’ muito bacana, voltado para a poesia marginal. Inclusive estão preparando uma antologia que vai ser publicada pela editora da UFG. Também faço questão de mencionar Heleno Godoy, Jamesson Buarque e o Walacy Neto; mas especialmente as mulheres, como a Larissa Mundim, tanto por seu trabalho tanto pelos eventos, Dheyne de Sousa, Fernanda Marra, uma das poetas que tem mexido muito comigo. Dairan Lima, Anita Canavarro, entre outras”, completa.

Thaise Monteiro. Foto: Layza Vasconcelos

Uma das escritoras mais promissoras da nova geração, Thaise Monteiro começou a escrever ainda na adolescência, impressionada por um livro de poesias que ganhou de um tio. “Aquela escrita mexeu muito comigo e quis fazer algo parecido”, diz Thaise. A primeira incursão de Thaise na Literatura foi a participação na antologia poética “Janelas de Safo” (2010). O début como escritora se realiza com “Modus Operandi”, livro que em 2015 recebeu menção honrosa no Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, oferecido pela União Brasileira de Escritores – Seção Goiás (UBE-GO), e posteriormente lançado em 2017 pela RF Editora. Em 2016, vence o mesmo concurso com o livro “Equinócio”, que está em fase de publicação.

Thaise Monteiro integra ainda o “Corpo de Voz”, grupo de leitura performática de poesias, vinculado à Faculdade de Letras/UFG, dirigido pelo professor Jamesson Buarque. Em 2006, fundou a Cia de Arte Poesia que Gira, onde desenvolve trabalhos como atriz, atuando também em outros grupos teatrais da capital, o Guará, Arte e Fatos e Farândola. “Meu processo criativo está muito atrelado ao meu processo de leitura de poesia. Nestes últimos quatro anos tive uma relação muito forte com João Cabral de Melo Neto, porque sua poesia foi meu objeto de estudo no doutorado, além de outros que gosto muito e faço leitura constante, como Drummond, Adélia Prado, Cecília Meirelles, Ferreira Goulart, Manoel Bandeira. São múltiplas vozes que ecoam em minha poesia”, comenta.

Thaise afirma que sua identidade poética ainda está em construção, mas muitas pessoas já conseguem ver uma identidade em meus poemas e que acredita muito mais em um estado de poesia do que na inspiração em si. “Eu acredito muito mais no trabalho do que na inspiração. Eu decido escrever um poema agora e trabalho nisto agora. Por isso considero meu trabalho artesanal, uma busca dolorosa até pela palavra correta, até que o poema atinja o que eu gostaria. Mas eu não nego a inspiração, até porque eu sinto a influência de questões sociais e históricas. Estamos vivendo um tempo muito difícil, com um conservadorismo e fascismo crescendo no mundo todo. Há questões que me afetam muito e sinto necessidade de escrever sobre elas, como a crise migratória, as desigualdades o racismo e o machismo, porque sou mulher e feminista. No entanto, com muito cuidado. Quero ser participante, mas sem perder a beleza poética”.

Para Thaise Monteiro, as dificuldades enfrentadas porque faz Literatura em Goiás são as mesmas em todo o Brasil. “A gente não tem um país que lê. Há também as dificuldades de publicação, tanto pelas editoras, quanto pelo poder público. Especialmente a poesia, que é um gênero não muito contemplado pelas editoras, que ainda privilegiam narrativas, romances e contos. Temos as leis de incentivo, mas elas não dão conta de atender a toda produção. Também não basta publicar e ter várias caixas amontoadas de livros; a obra precisa circular e chegar até a mão do leitor. E as mulheres da cena literária ainda tem o adendo de enfrentar a luta que elas enfrentam em todos os demais segmentos, que é a de conquistar oportunidades iguais”, comenta.

Mulheres sensíveis
Na visão de Dheyne de Souza, a cena literária em Goiás está repleta de mulheres extremamente sensíveis e que têm produções muito criativas que deveriam ser urgentemente valorizadas, especialmente pelo governo, que poderia se responsabilizar mais por apoiar e fomentar a cultura local e a voz dessas mulheres que, há muito, têm o que dizer. “A iniciativa Leia Mulheres aqui em Goiânia é muito válida. Também conheço muitas poetas goianas que, ainda que corram pela sobrevivência, desdobrando-se em mil, conseguem articular a arte, como é o caso de Thaise Monteiro, com seu “Modus Operandi” e outros trabalhos artísticos, além de Fernanda Marra, Eugênia Fraietta, etc. A artista plástica Patrícia Ferreira também, na minha opinião, expõe uma poesia gritante com suas obras plásticas, amplia.

Acredito que um dos maiores desafios de quem faz literatura em Goiás, e isso é algo que converso muito com um amigo e também escritor goiano Fabrício Clemente, é não ver seu trabalho valorizado, lido. As coisas parecem não “andar”, não sei se devido a uma cultura de não participação em eventos e de não leitura ou (talvez especialmente) devido a uma ausência de políticas locais que promovam, incentivem e divulguem arte, literatura, poesia. Confesso que às vezes penso que, estando em um estado tão conservador em vários aspectos, será que é propício aos agentes governamentais dificultarem a população de acessar a cultura, meio que fomentaria senso crítico e mesmo ecos em forma de mais produções artísticas? Não é isso uma injustiça e uma crueldade? Eu acho. E acho a força das mulheres uma coisa hercúlea e acredito, realmente, que as expressões literárias das poetas goianas resistem feito troncos no nosso cerrado.

Foto: Helô Sanvoy

Nascida em Cristalândia (TO), na época ainda Goiás, Dheyne começou a pôr poemas no papel com 11 anos e aos 13 escreveu seu primeiro livro. A timidez foi um empecilho no início, superado com ajuda de amigos. “Conheci pessoas ao logo da vida que me ajudaram a mostrar o que escrevia. Mais ou menos em 2003, com o incentivo de um amigo, o escritor André de Leones, comecei a publicar em blog. Até hoje tenho blog, é o www.dheyne.wordpress.com. Aos poucos, fui perdendo um pouco da timidez (porque ainda tenho). Tenho publicações em algumas revistas virtuais e físicas. Hoje, eu sei que ter feito Letras e estudado literatura contribuiu muito para uma pesquisa de linguagem que tenho trabalhado na minha escrita, tanto em poemas quanto em prosas/prosemas”, explica.

Entre os livros lançados por Dheyne estão Pequenos Mundos Poéticos (Kelps/PUC, 2011), publicado na coleção Goiânia em Prosa e Verso com apoio fundamental da professora Goiandira Ortiz. A versão em e-book desse livro pode ser baixada gratuitamente pelo blog, assim como um e-book chamado Ana e as cartas, em coautoria com Wilton Cardoso, escritor goiano. Tem mais dois livros em parceria com o ilustrador Santiago Régis, e um livro de poemas já quase saindo do forno, chamado “Lâminas”, que será publicado pela editora à qual estou ligada, a Martelo Casa Editorial, cujo editor é o Miguel Jubé. Há também um livro de prosemas para sair, chamado “Enquanto Caio”.

Além desses projetos, ela também integra o grupo Corpo de Voz, dirigido pelo professor e também poeta Jamesson Buarque (UFG), e possui um canal no YouTube de vocalização de poesia, chamado Pequenos Mundos, em parceria com o companheiro, o artista visual Helô Sanvoy. Nesse canal, faz leituras/vocalizações de poemas não só de minha autoria, mas de poetas de que gosto e de pedidos de quem assiste aos vídeos.

Para Dheyne, escrita e leitura são indissociáveis. “Quanto mais consigo ler, mais vontade tenho de me expressar em escrita. Não gosto da expressão ‘inspiração’, portanto vou negá-la (risos). Mas há muita coisa que me sensibiliza, que às vezes fica dormindo em mim, mastigando em mim, até, quiçá, eu conseguir escrevê-la ou dar algum contorno. Os acontecimentos atuais, tanto no Brasil quanto no mundo, essa onda de violência e de discurso de ódio me deixam absolutamente conturbada”, lamenta. Ela revela seu objetivo é escrever um romance; que tem rascunhos inacabados e muitas vezes passa anos tentando desenvolver uma personagem, mesmo sem escrever. “É o caso de Ana, muito recorrente nas minhas prosas e que está ainda se formando para mim. Espero que eu logo consiga acompanhá-la melhor para fisgá-la. Acontece muito de eu ficar dias e dias com um poema dormindo no estômago ou na garganta, ruminando. E isso muitas vezes dói, corrói, incomoda. É a coisa de que mais gosto na vida”.

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Maria José Silveira

Parabéns, meninas! Adorei saber de vocês agitando essa Goiânia tão necessitada de literatura!