Escárnio

Reprodução/Tumblr

Reprodução/Tumblr

Nesta Terça Poética, caro leitor, você conhece “Escárnio”, versos de Victor Gonçalves. De Santa Catarina, o jovem de 17 anos dedica-se ao blog “Avesso do Avesso”. Reflexo das canções de Criolo e da poética moderna de Drummond, almeja ser no futuro um letrado. Quer participar do “Terça Poética”, um projeto que borda de poesia suas tardes de terça-feira? É só enviar seus poemas para o e-mail [email protected] Eis “Escárnio”.

Victor Gonçalves

Preto-velho, bravo como Ogum
Viveu e morreu no engenho
nas senzalas, nas mãos de indumas
respirava ar branco, com nariz negro.
decifrava Berliet ao longe pelo ruído mascado.
ao cantar dos pássaros acorrentados,
tinhas em seus olhos o reflexo dos campos
das seivas, canaviais, machambas.
A dor incessante da pele e da carne urdia sua alma.
o esplendor jazia, não o via.
na pele as marcas de três séculos
que aguça o ímpeto da segregação.
prostrado, acudia na sombra dos escombros,
nas paredes nuas que o fecham.
um oriundo com rigidez nas mãos,
correntes nos pés, máscaras de flandres,
agonizava aos meios de infantarias.
Das batalhas a suor frio, a amargura da existência,
devido sua emanação na África e sua ascensão em Moçambique.
seu idioma dá lugar ao pidgin nas senzalas
Às vozes lodaçal, negro cessava sua lamúria
e em sua avidez, lutavam Mandela e Luther King.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.