Enquanto Doria enche São Paulo de tinta cinza, cidade holandesa espalha poesia por seus muros

Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza
A palavra no muro ficou coberta de tinta

Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca.

O trecho da música “Gentileza”, de Adriana Calcanhotto, serve bem para retratar a ação da Prefeitura de São Paulo de cobrir todos os grafites e pichações da cidade. E todo o desgaste recai sobre o prefeito tucano, João Dória, principal responsável pelo mar de tinta cinza que está cobrindo São Paulo.

Daniel Dago postou, em seu Facebook, uma comparação interessante. Ele, que é tradutor de holandês, revela que em Leiden, na Holanda, há centenas de poesias de diversas nacionalidades espalhadas pelos muros da cidade — e todas no alfabeto original. O tradutor completou a postagem com “Só dizendo, São Paulo…”, em crítica a Dória.

São mais de cem muros/poesias em Leiden. Entre os poetas está Carlos Drummond de Andrade, mas outros também podem ser lidos, entre eles, o russo Aleksandr Blok, o espanhol Federico García Lorca, o grego Konstantínos Kaváfis, o argentino Jorge Luis Borges, o francês Guillaume Apollinaire e o sírio Adonis.

Veja algumas das fotos:

Uma resposta para “Enquanto Doria enche São Paulo de tinta cinza, cidade holandesa espalha poesia por seus muros”

  1. Até a beleza merece comentário. A diferença é de super-estrutura. A Holanda pode se dar ao luxo de fazer isso, como Goiânia até tentou, mas é civilizatório o que faz o alcaide paulistano. A questão entre nós é um buraco mais fundo. Vejam o Itego, no alto do St. Universitário. Mandem fotografar para comparar com o “clean” espaço urbano holandês…Não há base de comparação – ou até há: comparem os banheiros públicos com as toilletes públicas de Amsterdam e entenderão. Estamos ainda naquele estágio de “deitado(s) Em berço esplêndido” (para usar a expressão de J.O. de Meira Penna. Então, a manchete é infeliz porque exalta o europeu e põe em xeque uma política correta para limpar o esgoto paulistano. Um Spinoza e um Rembrandt nos separa, além do oceano…
    AQ.

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