Editora Novo Século lança box literário de Ademir Luiz

A coleção contém romance, contos e a crítica do presidente da UBE-Goiás e professor universitário

Ademir Luiz: escritor, doutor em História e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) | Foto: Divulgação

O escritor Ademir Luiz, presidente da União Brasileira de Escritores-Seção Goiás, está lançando um box literário pela Editora Novo Século, com financiamento do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás. O box, “Vampiros, Beatles e Brasas”, abarca parte considerável de sua produção cultural, misturando prosa, ensaios e crítica.

O primeiro livro é “Fogo de Junho ou 20 Centavos, Romance de Geração para Geração sem Romance” — vencedor da edição de 2014 da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, o prêmio literário nacional mais antigo em atividade, criado em 1944. “Fogo de Junho” é uma obra sobre o Brasil, país que possui “brasas” na origem filológica de seu nome. É o primeiro volume de uma trilogia comporta de narrativas independentes e alegóricas que pretendem discutir o que o Brasil foi, é ou poderá ser. Não por acaso seu pano de fundo histórico são as chamadas Jornadas de Junho de 2013, gigantescas manifestações de rua que, reunindo (sem necessariamente unir) diferentes vertentes políticas, classes sociais e gerações, marcou o início do processo que trouxe o país para onde se encontra atualmente. Seu protagonista, um tipo de José drummoniano, se pergunta “e agora?”. Ironicamente, a resposta pode estar em uma fogueira de festa junina, aparentando arder de um fogo que não queima.

O segundo livro não possui esse mesmo registro político e realista. Navegando entre a fantasia, o romance de formação e a literatura policial “Hirudo Medicinallis: Ou Carta Aberta de um Vampiro de Brinquedo ao Espectro de Orson Welles” venceu o prêmio literário Cora Coralina de 2002. Não se trata de uma narrativa tradicional de vampiros, nos moldes da literatura vitoriana. Na verdade, é uma história sobre pessoas fascinadas pelo universo vampírico, que se deixam “vampirizar” por ele. Os protagonistas são membros de uma tribo urbana que adota essa identidade soturna, não sem alguma ironia. Um misto de poetas românticos do século 19 com os jovens delinquentes de “Laranja Mecânica”. Sentem-se como aristocratas da noite, tratando-se como lordes. Em defesa dessa tradição, desse culto ao passado, travam uma guerra insensata contra fãs de ficção científica que abraçam o futuro. Em meio a esse cenário, a trama principal mostra os desdobramentos do roubo da obra de arte mais famosa do mundo e muito mais.

No âmbito da prosa curta, faz parte do box o volume de contos “O Beatle Palestino e Outras Pequenas Histórias da Grande História”. O escritor argentino Julio Cortázar postulava que o conto é uma espécie de esfera, não pode apresentar arestas ou sobras. Se assemelha mais com o poema do que com o romance. O crítico americano Harold Bloom era taxativo: “Do conto esperamos o prazer da conclusão”, como em uma anedota. Esse foi o espírito que guiou a escrita dos contos de “O Beatle Palestino e Outras Pequenas Histórias da Grande História”, compostos em grandes intervalos ao longo de quase vinte anos. A História é, acima de tudo, narrativa. A passagem das pequenas histórias para a grande História, com H maiúsculo, a História oficial e acadêmica, é articulada por uma sucessão de filtros. Os textos deste livro propõem reimaginar personagens e episódios consagradas, extrapolando-os até o limite. Os pretensos protagonistas quase sempre representam álibis para interesses muito maiores, figurando como personagens os Beatles, Jesus, Judas, Abraão, Hitler e muitos outros.

O quarto livro é “Brasil 17.1” é uma coleção de ensaios irônicos e provocativos sobre o processo cultural, político e social que culminou na implosão da Nova República e sua substituição por uma outra ordem de coisas que não sabemos ainda exatamente do que se trata. Cronologicamente parte do contexto que gerou aplausos em cena aberta para os atos de violência praticados pelo personagem Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite até as primeiras repercussões acerca da quase inacreditável eleição do capitão Bolsonaro para a Presidência da República. Alguns dos textos viralizaram na internet, como “A era dos ídolos medíocres”, “A era dos intelectuais Nutella”, o censurado “Maurício de Sousa alfabetizou mais e melhor que Paulo Freire” e, principalmente, “Pecados, demônios e tentações em Chaves”, que teve milhões de visualizações, gerou vídeos e traduções.

serviço

O box está à venda em livrarias, no site da editora Novo Século e diretamente com o autor em seu perfil no Instagram: @ademirluiz.leitorcinefilo.

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