“Detroit em Rebelião” nos lembra que racismo policial não é de agora

Filme remonta massacre que ocorreu em hotel de Detroit em 1967

Cena de Detroit em Rebelião | Foto: Reprodução

Um dia após Derek Chauvin ser julgado culpado de todas as acusações de homicídio contra o segurança negro George Floyd, a adolescente Ma’Khia Bryant, de 16 anos, foi morta pela polícia de Columbus, em Ohio. De acordo com depoimentos de policiais, ela estaria ameaçando outra adolescente com uma faca.

Casos de afro-americanos vítimas da precipitação e violência de policiais não são novidades e nem são poucos. Um exemplo de que esse é um problema institucionalizado, antigo e difícil de ser combatido é o caso de três jovens negros mortos por policiais em Detroit, no ano de 1967, que décadas mais tarde foi narrado por Kathryn Bigelow, em “Detroit em Rebelião”.

Kathryn Bigelow com Oscar na mão, em 2010 | Foto: Reprodução

Kathryn é expoente do cinema contemporâneo, se tornando a primeira mulher a ganhar a estatueta do Oscar de Melhor Direção da história, pelo filme “Guerra ao Terror”, em 2010. Depois, concorreu de novo por “Hora Mais Escura”. Em 2010, ela havia disputado o Oscar de Melhor Direção com seu ex-marido, James Cameron, que concorria por Avatar.

A cineasta tem um gosto por filmes de guerra e tem como sua marca a pegada documental ao retratar conflitos e situações históricas. Em “Detroit em Rebelião”, de 2017, um grupo de policiais realiza uma batida no Algiers Motel, um hotel localizado na maior cidade do Michigan e que dá nome ao longa-metragem. Nesse ponto, já se vivia um ambiente de tensão. Era um momento conflituoso entre a polícia e a comunidade negra, que se rebelou após diversos casos de brutalidade policial, racismo e violência. A cidade vira uma zona de guerra e um local completamente inseguro para afro-americanos.

Cru, real, revoltante e sufocante. É uma verdadeira agonia o que o público vivencia nessas mais de duas horas em que o filme se passa, nos aproximando o máximo possível da realidade vivida naquela noite de massacre, violência e terror. A batida acontece após um jovem negro brincar com uma arma de brinquedo, disparando supostos tiros pela janela. No hotel, o grupo de jovens negros também incluía duas adolescentes brancas, que estavam no local como amigas.

Cena de Detroit em Rebelião | Foto: Reprodução

Quando a polícia invade a residência, a decisão é de simplesmente entrar com truculência, disparando tiros, matando um dos jovens, ameaçando a todos dentro do local e já, assim, supondo culpa e tratando os rapazes como marginais. Globalmente este é um comportamento comum e aceito para policiais. A partir do momento em que eles entram, o público se vê como um daqueles rapazes negros que estão ali dentro, que estavam se divertindo e, de repente, se deparam com um cenário extremamente ameaçador. São horas de torturas, brutalidade, humilhações. Reforçando: a história é real.

O caso chegou a ser investigado e foi à julgamento na Justiça americana. Qual o resultado desses julgamentos? Tente adivinhar.

Cena de Detroit em Rebelião | Foto: Reprodução

“Detroit em Rebelião” desperta revolta, mas também empatia por aqueles jovens que vivenciaram ou testemunharam as horas de terror. Com um elenco extremamente jovem, o longa-metragem conta com John Boyega, astro da nova saga de Star Wars, Chris Chalk, Anthony Mackie e John Krasinski, da série The Office. Entre as mulheres, Kaitlyn Dever, que protagonizou a série Inacreditável, da Netflix, e também a Hannah Murray.

O filme está disponível no Google Play e YouTube on demand.

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