De volta a Goiânia, Francisco, el Hombre solta as bruxas ao vivo nesta quinta

Grupo de Campinas (SP) com integrantes mexicanos e brasileiros se apresenta a partir das 22 horas de hoje (15/12) no Diablo Pub, com ingressos antecipados a R$ 15

| Foto: Rodrigo Gianesi

Mateo, Gomes, Andrei, Juliana (em pé) e Sebastián trazem a turnê do disco SOLTASBRUXA a Goiânia nesta quinta (15/12) | Foto: Rodrigo Gianesi

Augusto Diniz

No dia 15 de maio de 2015 um quinteto vindo de Campinas (SP) chamado Francisco, el Hombre, surgido da boa leva de bandas da região de Barão Geraldo, distrito do município paulista, ocupou o Palco Pyguá do Festival Bananada daquele ano, na Esplanada JK do Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia. Aquela ocupação gerou uma relação de proximidade cada vez maior com o público dos eventos independentes da capital goiana nas outras três passagens da banda pela cidade.

Apenas com um único EP, La Pachanga! (2014), lançado no ano anterior àquele show, na bagagem, os dois mexicanos, Sebastián Piracés-Ugarte (vocal e bateria) e Mateo Piracés-Ugarte (vocal e violão), e os brasileiros Andrei Martinez Kozyreff (guitarra), Juliana Strassacapa (vocal e percussão) e Rafael Gomes (baixo) encantaram o público em 2015 e começaram a ganhar o gosto da crítica.

Das músicas de origens latinas e brasileiras surgiu o disco SOLTASBRUXA, ou #SOLTASBRUXA, lançado em 2 de setembro. Do álbum saíram os belíssimos clipes de Calor Da Rua e Triste, Louca Ou Má, que conta, entre algumas das participações, com a vocalista Salma Jô, da goiana Carne Doce. Já conhecidos no meio independente por canções tiradas do EP de estreia como La Pachanga!, Minha Casa e Dicen, o grupo partiu para uma viagem a Cuba com ajuda de financiamento coletivo. Na volta, o disco SOLTASBRUXA saiu e foi bem recebido.

No show da noite desta quinta-feira (15/12), a Francisco, el Hombre faz a última parte da turnê do SOLTASBRUXA em 2016, com outra apresentação marcada para sábado (17) em Brasília. O grupo mexicano e brasileiro de Campinas (SP) ocupa o palco da casa noturna Diablo Pub, que fica na Rua 91, número 632, no Setor Sul, a partir das 22 horas. Os ingressos custam R$ 15 antecipados, com venda online pelo http://www.sympla.com.br/diablopub e venda física na Shuffle Mix, que fica na Avenida Araguaia, número 377, no Centro (em frente ao Banana Shopping), e R$ 20 na hora do show.

Pachanga folk

A pachanga folk, como a banda define seu som, é bem caracterizada pela canção bônus do primeiro EP, a música Brindizino, que transforma palco e plateia em uma bela e divertida festa. Mas a vibração de SOLTASBRUXA, ao contrário do EP, começa bastante tensa com a faixa título. Em seguida, Calor Da Rua mostra o lado político da banda e chama o público: “Não sou pedra mas posso endurecer/Já sei pra onde vou/Eu vou sentir o calor da rua”.

De olho na crise política vivida pelo País e ligados em causas sociais e populares, o grupo demarca bem os “fascistas” nacionais, como na canção Bolso Nada e seu refrão “esse cara escroto”. Primavera quebra um pouco o clima de protesto, mas não deixa de trazer mensagem sobre a necessidade de ter forças para enfrentar o próprio furacão vivido na vida de cada um em um mundo caótico em que “há muito mais além do que se pode ver”.

Não Vou Descansar, com seu coro “Não vou descansar/Vou até o sol raiar/Não vou descansar/Canto e sempre vou cantar”, ganha uma versão bem mais interessante na letra ao vivo. Mas aí você, que ainda não viu ao show da Francisco, el Hombre, precisa ir à apresentação para descobrir o que muda.

Momento alto do disco

Triste, Louca Ou Má, com videoclipe gravado em Havana (Cuba), é o ponto alto do disco, daqueles de emocionar. Não só porque a voz de Juliana Strassacapa é maravilhosa, as imagens sejam muito bonitas, mas a letra é um tapa na cara com toda a delicadeza necessária em uma sociedade que ainda se nega a tratar o machismo como um problema estrutural e cultural pra lá de sério.

A maior canção do disco SOLTASBRUXA, Triste, Louca Ou Má nem parece ter 4 minutos e 26 segundos. A faixa é de uma leveza e traz um encantamento total. “Eu não me vejo na palavra/Fêmea: alvo de caça/Conformada vítima/Prefiro queimar o mapa/Traçar de novo a estrada/Ver cores nas cinzas/E a vida reinventar.” O resumo de todos os versos bem cantados por Juliana, com participações de Salma Jô, Renata Éssis (Liniker e os Caramelows), Labaq e HelenaMaria, pode ser encontrado no refrão “E um homem não me define/Minha casa não me define/Minha carne não me define/Eu sou meu próprio lar”.

Da transição instrumental de para Tá Com Dólar, Tá Com Deus, o disco dá o descanso necessário para trazer o ouvinte novamente à realidade: “O dólar vale mais que eu/Eita, fudeu/Vale mais que eu”. Em espanhol e português, a banda canta Como Una Flor, que pode ser bem traduzida por um verso que nem precisa de tradução: “Soy mi propria luz”.

Sincero é o segundo momento intimista do disco, desta vez em espanhol e cantada por Sebastián. Ou seria melhor dizer que ele declama a letra em uma poesia melancólica? “Y si en este mundo me toca vivir/Busco la tristeza para sonreír (E se neste mundo eu tiver que viver/Procuro a tristeza para sorrir).”

Lobolobolobo! abre espaço à mais brasileira das músicas do disco: Axé E Auê Sem Fuzuê. SOLTASBRUXA acaba com Muro Em Branco e seu alerta em tempos temerários: “Sou eu que enlouqueço só de respirar?/Esse cheiro de podre no ar”.

Francisco, el Hombre no Diablo Pub
Data: Quinta-feira (15/12)
Horário: A partir das 22 horas
Local: Diablo Pub (Rua 91, número 632, Setor Sul)
Ingressos: R$ 15 antecipado ou R$ 20 na hora
Venda online: http://www.sympla.com.br/diablopub

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