Trata-se de um espetáculo circense afro-diaspórico encenado pelo artista Marcelo Marques e dirigido por Renata Caetano

“Conto de Cativeiros” é um solo encenado pelo artista Marcelo Marques | Foto: Divulgação/Raquel Rocha

Trazendo a negritude das margens para o centro das discussões culturais, o espaço de resistência Orum Aiyê Quilombo Cultural estreia em junho sua primeira produção cênica. “Conto de Cativeiros” é um solo encenado pelo artista Marcelo Marques e dirigido por Renata Caetano.  Trata-se de um espetáculo circense afro-diaspórico que será apresentado nos dias 10, 11, 12, 18, 19, 25 e 26 de junho, sempre às 20 horas, no Orum Aiyê Quilombo Cultural, localizado no Residencial Nossa Morada. A apresentação do dia 10 será aberta somente para convidados. A entrada custa R$10 inteira e R$5 meia para estudantes e pessoas negras. 

O espetáculo, que tem a coreografia de Juliana Jardel, cenário e figurino de Raquel Rocha, é protagonizado, dirigido e coreografado somente por artistas negros. “Estamos em tempos cujo a necessidade de atitudes afirmativas em relação a história e a cultura negra estão cada vez mais pungentes”, comenta o artista Marcelo Marques sobre a urgência de uma produção feita por essa equipe. 

Diáspora

O espetáculo tematiza uma história que retrata os caminhos percorridos pelo povo preto brasileiro desde a diáspora africana. Essa história é narrada pelo olhar de um preto velho simpático e de fala doce, trazendo para cada cena um recorte com foco na sabedoria, nas vitórias e expertises trazidas da África para o Brasil. Os contos trazem as alegrias, a resiliência e a fé negra.

A montagem pesquisa a mistura das linguagens corporais, do circo com a dança afro e a capoeira, além de outros elementos da cultura negra brasileira. “Contos de Cativeiro é por sua essência uma ação regada ao Axé da resistência negra por ter em seu pilar a voz e protagonismo preto entremeado em sua construção e narrativa, trazendo em sumidade a cultura negra que vem sido historicamente perseguida desde o período do Brasil colônia”, comenta a cenógrafa e co- fundadora do Orum Aiyê Raquel Rocha. 

Povo preto no centro

Tanto o espetáculo quanto o Orum Aiyê Quilombo Cultural nascem da necessidade de se ter em Goiânia um espaço que enfatizasse o protagonismo negro na produção cultural. O espaço foi fundado por Raquel Rocha, artista visual goiana, e Marcelo Marques, que acumula mais de 30 anos de caminhada de circo. 

Raquel Rocha e Marcelo Marques lembram do difícil cenário social, político e econômico, que coloca as pessoas negras em uma situação ainda mais marginal às políticas públicas e no centro de crescentes ataques racistas. A consciência da importância das relações identitárias na formação e na autoestima de jovens e crianças, lembram os produtores, é fundamental. Neste sentido, a existência de produções culturais capazes de afirmar a negritude ajudam na formação dessas pessoas. “É nesta faixa etária em que o jovem consolida sua personalidade e, por isso, as referências que afirmam positivamente seu lugar social são enriquecedores. Diante desse olhar, ter espetáculos culturais protagonizados, produzidos e gestados por pessoas pretas colaboram na afirmação da identidade juvenil num lugar potente”, analisam Marcelo Marques e Raquel Rocha.

Ficha Técnica

Direção geral : Renata Caetano | direção de coreografia : Juliana Jardel | texto e atuação: Marcelo Marques | cenário e figurino: Raquel Rocha | realização: Orum Aiyê Quilombo Cultural | produção: Raquel Rocha e Marcelo Marques | ass. de produção: Gil Oliveira.