Confira a lista de leituras de jornalistas, escritores e intelectuais para 2019

A pedido do Jornal Opção, convidadas e convidados enumeraram títulos e autores e comentaram suas escolhas do que pretendem ler no próximo ano. A lista é tão interessante quanto diversificada

Adalberto de Queiroz
Jornalista e poeta

Entre as minhas leituras de 2019 estão alguns livros que, por uma ou outra razão, fui adiando a leitura ao longo de minha vida dedicada ao comércio, como empresário.

O maior desafio será terminar “Um Homem sem Qualidades”, de Robert Musil, na edição da D. Quixote, de Portugal, tradução, prefácio e notas de João Barrento. Iniciei a leitura da edição brasileira e migrei para esta edição, da qual já cumpri cerca de 700 páginas. A obra completa contém 1831 páginas.

Aqui cabe uma observação relevante. Alertado pelo professor e crítico Carlos Augusto Silva, abandonei a edição brasileira pela portuguesa e me senti gratificado pela escolha. Além de a tradução parecer bem mais cuidadosa (mesmo com todos os lusitanismos que nos obrigam, às vezes, a consultar um dicionário luso-brasileiro!), as notas do tradutor são um suporte valioso à leitura de Musil em Português.

Além disso, João Barrento se valeu do apoio do Arquivo Musil em Klagenfurt e consultou a edição digital de ”O Homem sem Qualidades” diretamente com o diretor do Arquivo, Sr. Walter Fanta e sua obra sobre a gênese do romance, tirando dúvidas em pontos controversos do longo romance do austríaco.

Pretendo ler obras de e sobre Paul Ricoeur, das quais já elegi o estudo de seu (dele) ex-aluno, o italiano Domenico Jervolino, e outro de Jean Grondin. Depois, pretendo enfrentar “A Ideologia e a Utopia”, do próprio Ricoeur.

Dos goianos, é meu desejo reavaliar, relendo e anotando, a poesia completa de Alcione Guimarães, Sônia Maria Santos e Darcy França Denófrio – do que pode resultar um ou dois artigos para a coluna Destarte, do Opção.

Estão ainda na minha “lista penelopiana” para 2019 os seguintes livros:

  1. “Words with power: being a second study of The bible and Literature”, do professor e crítico canadense Northrop Frye;
  2. “O poder que freia”, do italiano Massimo Cacciari, da editora Âyiné;
  3. Reler dois ou três romances de Georges Bernanos para um ensaio em preparo;
  4. Reler a vida de São Bernardo de Claraval, para um ensaio projetado;
  5. Ler Emil Cioran, iniciando “Sobre a França”, já adquirido da Âyiné e outros a prospectar;
  6. Terminar a leitura (estudo) de “Imagens e Símbolos”, de Mircea Eliade;
  7. Terminar a leitura (estudo) de “Mitos Gregos”, de Robert Graves;
  8. Os dois volumes ainda intactos de Charles Moeller, que ganhei do meu dileto amigo Ademir Luiz: “Literatura do século XX e cristianismo” (vol. I já comentado na Destarte: “O silêncio de Deus”) – “A fé em Jesus Cristo” (vol. II) e “Esperança dos homens” (vol. III).
  9. Ler muita poesia de forma aleatória e impulsiva, começando e terminando por Robert Frost, passando pela lista do Érico Nogueira, em “Quase Poética”, p.172-3. Vide Editorial, 2017;

Deve sobrar um tempinho para ler os jornais diários que, seguindo o conselho de Marcel Proust, devem ser afastados para que o leitor se sinta ancorado nos livros.

Felizes leituras a você, leitor, no ano que se segue.

Ademir Luiz
Professor da UEG e escritor

Minha principal meta para 2019 é superar as leituras realizadas por Lula a partir de abril de 2018. Segundo incontestável informação oficial do PT, em seus primeiros 57 dias de cárcere, o ex-presidente leu 21 livros. Infelizmente, a lista não foi atualizada nos meses seguintes. Como sou péssimo em matemática, pedi auxílio para meu dileto amigo Solemar Oliveira, escritor e físico, visando calcular quantos livros Lula leria em um ano, considerando a média conhecida. O resultado: 134,5 obras. Por essa conta, é possível que Lula deixe um dos livros pela metade. Portanto, pretendo ler pelo menos 135 livros em 2019. Meio livro de frente. Considerando que não tive tanto fôlego nem tanto tempo livre quanto Lula, só consegui concluir pouco mais de 30 livros em 2018. Vou precisar me esforçar muito para melhorar minha marca.

Como todo mundo está dizendo que o Brasil vai se tornar fascista a partir de 1° de janeiro, vou começar o ano lendo o romance “Ele Está de Volta”, do alemão Timur Vermes, uma sátira bizarra sobre a reação da sociedade contemporânea ao retorno do ditador Adolf Hitler. Para contrabalançar, e agradar meus amiguinhos engajados, lerei na sequência “Viva!”, o “romance sem ficção” sobre Trotski escrito pelo francês Patrick Deville. Depois vou me dedicar à duas distopias sobre sociedades fascistas: “Não Vai Acontecer Aqui”, lançado em 1935 pelo Prêmio Nobel de Literatura Sinclair Lewis, e o mais recente “O Conto da Aia”, da canadense Margaret Atwood. Para não dizerem que não falei das flores nem do problema do racismo, lerei o premiado romance “O Vendido”, do americano Paul Beatty, e a nova edição do clássico “Homem Invisível”, do americano Ralph Ellison.

Depois de “História do Cabelo” e “História do Pranto”, pretendo ler “História do Dinheiro” e fechar a trilogia de novelas sobre a Argentina pós-ditadura de Alan Pauls.

Saindo do terreno político, mas nem tanto, finalmente lerei o tão falado “Neve”, do turco Orhan Pamuk, “Pnin”, do russo Vladimir Nabokov (que não escreveu só “Lolita”) e “Minha Vida, Uma Farsa”, do australiano Peter Carey, três narrativas sobre homens de letras que precisam lidar com as implicações socioculturais e ideológicas acerca das opções que tomaram em suas trajetórias de vida.

Para respirar um pouco, depois de tantos livros sérios e pesados, vou me aventurar no leve, singelo e fofo “Meridiano de Sangue”, do americano Cormac McCarthy. O poeta e agitador cultural Carlos Willian recomenda esse romance para todos os fãs de “Pollyana” e “Pollyanna Moça”, de Eleanor H. Porter. Sou um deles.

Brasileiros também entram em minha lista. Destaco “A Tradutora” e “O Professor”, do bom e velho Cristovão Tezza, duas obras que refletem sobre o Brasil contemporâneo. Lerei “Reprodução”, de Bernardo de Carvalho, obra questionadora sobre as idiossincrasias do mundo virtual. A internet, inclusive, será tema de meu próximo trabalho em ficção. Destaco os romances “A Alma da Festa” e “A Coisa Não-Deus”, do aristocrático Alexandre Soares Silva, autor que chamou minha atenção pelo impagável livro de ensaios “A Humanidade é Uma Gorda Dançando em um Banquinho”.

E goianos? Claro que sim. As aventuras geológicas de Hélverton Baiano, o drama romântico de J. C. Guimarães, os contos desmontadores de nuvens de José Umbelino, as novas ironias barrocas de Edival Lourenço, a terceira aventura do matador Andaluz que deve ser parida por Solemar Oliveira e os urubus do mestre Heleno Godoy.

Fecho as primeiras semanas de janeiro com esses títulos. Citei até o momento 22 obras. Faltam apenas 113. Depois do carnaval decido quais serão as outras. Quem sabe pego umas dicas com o bibliófilo de Curitiba.

Augusto Diniz
Redator-chefe do Jornal Opção

Confesso que no ano de 2018 não dediquei muito tempo aos livros. A maioria dos títulos que li eram leituras obrigatórias ou parte das pesquisas para escrever matérias ou artigos. Mas, para compensar mais um ano no qual mais comprei e ganhei livros do que os consumi, separei os primeiros oito títulos que pretendo ler, não necessariamente nesta ordem, no ano que vem.

O primeiro deles é “Rum: Diário de um Jornalista Bêbado”, de Hunter S. Thompson, pai do jornalismo gonzo, no qual o autor narra os fatos em primeira pessoa como parte e fonte da informação. De Thompson, li apenas “Medo e Delírio em Las Vegas”, praticamente um livro obrigatório para quem gosta de história bem contada e um texto livre, recheado de palavrões e aventuras alucinógenas.

Para a segunda leitura de 2019, escolhi “A Sangue Frio”, de Truman Capote, para seguir no jornalismo literário em mais um livro que infelizmente nunca li. De autores brasileiros, o primeiro será o do presidiário Jocenir, “Diário de um Detento: o livro”. Jocenir é parceiro de Mano Brown, dos Racionais MCs, na composição da letra de “Diário de um Detento”, sucesso do grupo paulistano de rap em 1997 que narra, da perspectiva de um preso, a rotina do Pavilhão 9, no Carandiru, até o dia seguinte ao massacre, em 1992. Como complemento nas leituras sobre o assunto, separei “Estação Carandiru”, do médico Drauzio Varella.

“Cem Anos de Solidão”, do Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, será o segundo livro do autor que lerei. É um livro que está guardado há alguns anos na prateleira e que nunca tomei a iniciativa de começar. Depois, “1984”, de George Orwell, para intensificar leituras que remetam ao momento paranóico que vivemos de vigilância e controle. Gay Talese foi escolhido por ser um dos melhores autores que tive contato com sua obra durante a faculdade. E o título escolhido será “A Mulher do Próximo”.

O oitavo e último livro da lista de primeiras leituras para 2019 é “Paul McCartney – a biografia”, de Philip Norman. Além de música ser a minha maior paixão – apesar de não saber tocar um acorde de qualquer instrumento –, servirá como preparação para mais uma vinda do beatle ao Brasil no ano que vem.

Cássia Fernandes
Escritora, jornalista e professora

Em 2019, pretendo ler principalmente os livros que já tenho, que me foram presenteados e que aguardam na estante a sua vez. Naturalmente, os inesperados que me encontrarem – porque muitas vezes são os livros que nos encontram e não nós a eles, vão furar a fila.

Gosto de alternar a leitura de clássicos com contemporâneos, de obras escritas por mulheres e homens, de autores locais e de outros estados ou países.

Reservarei ainda espaço para releituras de livros que li na juventude, para “a gente voltar a sentir que é capaz de grandes sentimentos de antes”, como diz Eustáquio Gomes em seu A Biblioteca no Porão – Livros, autores e outros seres imaginários.

Na lista dos já possuídos estão:

1- “I’m Your Man – A Vida De Leonard Cohen”, de Sylvie Simmons. Fui apresentada ao compositor há cerca de quatro anos e há dois ele morria.  Suas canções eram belas, assim como ele mesmo e tinha uma voz capaz de fazer uma mulher arrancar o vestido;

2 – Ficções de Jorge Luis Borges. Li alguns fragmentos, mas não na íntegra. Tenho duas edições, uma em português e outra em espanhol, ainda a escolher;

3 – Borges + Bioy: “Um Modelo para a Morte”, “Os Suburbanos” e “O Paraíso dos Crentes”. Reúne peças de parceria entre Borges e Adolfo Bioy Casares. Mais um presente do amigo escritor Itamar Pires Ribeiro;

4 – “Meu Último Suspiro”, de Luís Buñuel. Autobiografia do cineasta surrealista.

Entre os clássicos ou sobre clássicos a serem relidos ou lidos:

5 – “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann, lido aos 21 anos;

6 – “Viagem à Roda do Meu Quarto”, de Xavier de Maistre, também lido aos 21 e que sempre reivindica releitura, pois sempre estou às voltas com suas recordações;

7 – “Por Que Ler os Clássicos”, de Ítalo Calvino.

Entre as obras escritas por mulheres:

8 – “A Filha Perdida”, de Helena Ferrante, ainda que digam que não se trata de uma mulher. Se ela assim assina, assim o é;

9 –  “Estrelário”, livro infantil de Maria José Silveira, escritora goiana radicada em São Paulo, autora do belo “A Mãe da Mãe da Sua Mãe e Suas Filhas”;

10 – “Poesia Reunida”, de Adélia Prado, em uma edição de luxo que ambiciono;

11 – “A Noiva Escura”, da colombiana Laura Restrepo. Dela, li o excelente “Delírio”, que mostra como é difícil manter-se são vivendo em um lugar insano como a Colômbia, o que pode se aplicar também ao Brasil.

Livros de autores goianos ou que residem em Goiânia:

12 – “Sobreviventes do Césio 137”, dos jornalistas goianos Carla Lacerda e Yago Sales

13 – “Bipolar”, de Eberth Vêncio, colunista da Revista Bula. Sou apreciadora de seus textos na Revista Bula;

14 – “A Gargalhada de Sócrates: Como o Maior Filósofo do Ocidente Desvendou o Intrigante Caso do Assassino em Série Ateniense, Com a Improvável Ajuda de Seu Desafeto Aristófanes, do ótimo humorista Nelson Moraes;

15 – “Meditações”, de Jamesson Buarque;

16 – “Muito Pelo Contrário”, de Walacy Neto;

17 – “Pousada Mandala da Paz: Uma Novela e Dez Crônicas”, de Celso Costa;

18 –  “Tecelã de Palavras”, de Sônia Elizabeth.

Livros para pesquisa de criação ou que fogem a qualquer uma das classificações anteriores:

19 – “O Livro dos Códigos –  A Ciência do Sigilo – Do Antigo Egito à Criptografia Quântica”, de Simon Singh

20 – “A Natureza Das Coisas – A Vida Secreta dos Objetos Inanimados”, de Lyall Watson.

Edival Lourenço
Escritor, presidente da União Brasileira de Escritores – Goiás e futuro secretário estadual de Cultura

Milha pilha de livros por ler cresce a cada dia. De duas uma: ou estou escalando livros além de minha capacidade, ou minha capacidade está diminuindo à medida em que envelheço. Às vezes tenho vontade de abandonar uma série de atividades e me dedicar mais tempo à leitura. Mas já vi que não é possível. As obrigações da vida são irresistíveis e inadiáveis. E tenho a impressão que as novas demandas vindas pelo smartphone comprimem o nosso tempo ainda mais. Já cheguei à conclusão que vou chegar ao fim da vida com uma grande defasagem em meu projeto de leitura. Às vezes penso que, depois da vida, eu não gostaria de ser penalizado com o sofrimento perpétuo, nem com a glória eterna; mas de ser esquecido numa biblioteca labiríntica organizada por Jorge Luís Borges. Olhando na estante, rapidamente identifico estes livros que gostaria de ler no correr do próximo ano:

1 – “Maior Que o Mundo”, de Reinaldo Morais. Depois de escrever uma obra de sucesso, o protagonista começa a gravar em um gravador de fita k7 todas as ideias e as não-ideias que lhe ocorrem, em busca de saída para seu bloqueio criativo. Nessa busca desesperada é que Reinaldo Moraes, o mesmo autor de Pornopopeia, consegue uma narrativa num tom destacado e de estilo pessoal.

2 – “Yuxin (Alma)”, Ana Miranda. Li nos anos 90 do século passado o seu consistente romance Boca do Inferno. Ana Miranda faz um trabalho refinado de pesquisa histórica, ficção e linguagem. Segundo Marco Luchesi, em Yuxin, a autora …” mergulha na alteridade, na inseparável metafísica da linguagem e da floresta. O último movimento desta sonata ergue-se crescendo rumo ao reino dos espíritos e se constitui numa verdadeira obra-prima, em que palavra e sentido se dissolvem na dialética do sonho e da visão”.

3 – “Blues for Mr. Name ou Deus Está Doente e Quer Morrer”, de Reinaldo Santos Neves. O escritor capixaba, de minha geração, numa profusão de temas, enredos e ideias, desfila em nossa frente uma pantomima da pós-modernidade. Questiona profundamente a formação de nossos valores e nossos hábitos civilizatórios. Um romance pop, no sentido deleuziano. Um desafio pelo conteúdo, pela forma e pela dimensão.

4 – “Paradiso”, de Lezama Lima. Romance seminal da grande literatura contemporânea da América Latina. O escritor cubano publicou “Paradiso” em 1966 e imediatamente ganhou notoriedade internacional. Segundo Vargas Llosa, “Paradiso” “é uma das mais ousadas e magistrais aventuras literárias realizadas por um autor do nosso tempo”.

5 – “Ulisses”, de James Joyce. Este não é um romance que alguém já leu, mas que está sempre lendo, até porque suas possibilidades de leituras, de conteúdo, forma e estilo, são praticamente infinitas.  Já li e reli na tradução de Antônio Houaiss. Agora quero fazer o mesmo com a tradução de Caetano W. Galindo, que me parece um pouco mais desempolada do que a de Houaiss.

6 – “A Morte de Virgílio”, de Herman Broch. O autor nasceu na Áustria em 1886 e morreu nos Estados Unidos em 1951. Um dos grandes nomes da literatura do século XX. Foi um administrador de Hospital e de Indústria. O dilema dos personagens de Broch atribuiria a suas obras um cunho profético com o avanço do nazi-fascismo, que levaria à segunda Guerra Mundial, e ainda hoje elas preservam esse caráter de forma atemporal, sobretudo quando as ideias fascistoides parecem avançar em todo o mundo.

7 – “Barba Ensopada de Sangue”, de Daniel Galera. O autor paulista/gaúcho, de origem ítalo-judaico é uma das forças da mais recente safra da literatura Nacional. Barba ensopada de sangue “repleto de violência e ternura, é um mergulho em nossas pulsões mais primitivas e sua investigação sobre a origem insuspeita dos mitos da vida comum, alicerçados em amores perdidos, conflitos de família, segredos inconfessos e nas dificuldades para entender e conhecer os outros”.

8 – “Acenos e Afagos”, de João Gilberto Noll. No dizer do escritor Sário Santana, sempre se encontra nos livros de Noll “um senso de humor um tanto secreto, mas em Acenos e afagos pode-se chegar ao hilariante, como na cena de libidinagem radical entre o protagonista e uma senhora de mais de oitenta anos. O autor ainda conseguiu a proeza de tornar cheia de graça e amor a relação desse protagonista com uma cabra.” Noll é uma mestre em chafurdar o lado inconfessável do espírito humano.

9 – “O Lado Encantado de Grongonso”, de Marilene Felinto. Nos anos 80 do século passado, a autora estourou com “As Mulheres de Tijucopapo”, “Postcard” e este romance. Depois mergulhou, por conta e risco, no anonimato. Recentemente aceitou “aparecer”, a nosso convite, a uma oficina de escrita criativa da União Brasileira de Escritores.  Continua vigorosa e criativa, mas evita as luzes do reconhecimento. O lago encantado… é uma de suas que marcaram época em nossas letras. Segundo João Camilo Penna, “ler Marilene Felinto é ter e certeza de que se está diante de algo realmente novo”.

10 – “Zama”, de Antonio Di Benedeto. O autor é da rica safra do século XX dos escritores argentino. “Em 1790, dom Diego de Zama, assessor letrado do Governador do Paraguai, espera ser promovido na sua carreira administrativa. Num período de dez longos anos ele vê suas expecttativas se desmoronarem e, com elas, sua integridade afrtiva, física e moral.”

13 – “Cidade Sombria”, de Adérito Schneider.  Dentre os autores de Goiás, vou ler, uma coletânea de contos organizada por Adérito Schneider, em que inclui autores de diferentes gerações como a expectativa de que o fato narrado se passe em Goiânia e a história tenha algo de policial, noir.

14 – “Goiânia, Minha Odisseia (Memorial da Grande Avenida)”, de Celso Claudio. Crônica de memória do autor, em que faz um levantamento sentimental de Goiânia desde os anos 70 do século findo. Seus lugares, seus personagens (entre os quais me incluo). Um livro imperdível para quem viveu aquele período, aqui em Goiânia.

15 – “Memórias do Nego-Dado Bertolina D’Abadia”, de Alaor Barbosa. Segundo Nelly Novaes Coelho, “é na construção da trama romanesca que se destaca o maduro domínio do autor sobre técnica narrativa. (…) Toda a complexidade filtrada por um foco narrativo confessional: o olhar simplório/ressentido de Bertolino D’Abadia, figura picaresca que, embora não chegasse a perceber a real verdade por detrás do faros… relata-os com tal empenho, ressentimentos ou paixões, que tudo se torna claro para o leitor, que saiba ler nas entrelinhas.”

16 – “O Gado de Deus”, de Valdivino Braz. Romance crítico-inventivo de um autor que sabe explorar, como pouco, a alma humana, naquilo que há de mais sórdido e mesquinho. E nessa sordidez e mesquinharia, nós outros não passamos, por assim dizer, de simples gado de Deus.

Euler de França Belém
Editor-chefe do Jornal Opção

Listas de leitura são penelopianas. Porque são feitas e, no decorrer do ano, desfeitas. Quando um livro interessável é lançado, no Brasil ou no exterior, os olhos coçam e as mãos, se Candice Marques de Lima não segurá-las, começam a sacar a carteira do bolso. Então, como possivelmente as de outras pessoas, a minha lista para 2019 é provisória.

Estou relendo trechos de “Entre a Lagoa e O Mar — Reminiscências” (Editora Bem-Te-Vi, 416 páginas), as memórias de Fernando Pedreira, e torço, de mãos postas, para que lance o segundo volume (se não publicar, penso até em rezar para que não entre no céu e fique no purgatório até os originais serem encontrados e editados). Não consegui entender porque o livro não recebeu fortes comentários na imprensa. Porque se trata de uma obra de rara excelência de um jornalista e escritor de sólida formação. Ele expõe sua ação e, para tanto, resgata a história do Brasil e do jornalismo patropi no século 20. Delícia maior não há.

Uma de minhas atividades não profissionais é admirar pássaros e, às vezes, fotografá-los no meu quintal. Aprecio olhar sanhaços, chocas-barradas, choquinhas lisas, saíra-macaco (saíra-amarela), saí-azul, assobiador, cambacicas fim fim, bem-te-vis, sabiás e periquitos comendo banana e mamão. Até pica-paus e pardais aparecem pra comer frutas. Quando preciso de informações rápidas e certeiras, consulto Nunes D’Acosta, um dos melhores fotógrafos de pássaros do país. Para não sacrificar a enciclopédia Nunes — que o país conhece como Nunespédia —, vou ler “Pássaros do Brasil — Vida e Costumes dos Pássaros do Brasil” (Itataia, 313 páginas), de Eurico Santos.

Tiranos querem ser ilustrados?

Se a Filosofia tem um santo — uma matriz —, este é Aristóteles (Platão fica próximo, quiçá como santo júnior). Pois a Editora Autêntica nos presenteia com “Sobre a Arte Poética” (160 páginas), do filósofo grego, numa edição bilíngue. Antônio Queirós Campos e Antônio Mattoso traduziram o texto do original. Vale saudar a Editora É Realizações, que está devolvendo a obra de José Guilherme Merquior às livrarias. “De Anchieta a Euclides — Breve História da Literatura Brasileira” (400 páginas) é um livro magnífico.

O americano Mark Lilla é citado, corretamente, como historiador e cientista político. Deveria ser acrescentado: filósofo. Quiçá um filósofo político. “A Mente Imprudente — Os Intelectuais na Atividade Política” (Record, 195 páginas, tradução de Clóvis Marques) contém um ensaio extraordinário, “A sedução de Siracusa”. Conta que Díon pediu ao seu mestre, Platão, que fosse a Siracusa para orientar Dionísio, o Jovem, que “pretendia” ser um rei-filósofo. Mesmo relutante, até por saber que os homens do poder não dão muita importância àqueles que pensam para além da circunstância, o pensador grego decidiu acompanhar Díon. Percebeu, de cara, que Dionísio não dava a mínima para o pensamento verdadeiro, para a iluminação da política. Por certo, queria apenas uma caricatura de ilustração para manter o poder. Depois, Díon convenceu Platão a visitar Siracusa para, mais uma vez, “orientar” Dionísio. A visita deu em nada. Mais tarde, Díon, por meio de um golpe, chegou ao poder. Mas acabou assassinado. Por que, mesmo tendo dúvidas, Platão decidiu ser conselheiro do rei? É o que Mark Lilla explica. “A Mente Naufragada — Sobre o Espírito Reacionário” (Record, 126 páginas, tradução de Clóvis Marques) e “O Progressista de Ontem e o do Amanhã — Desafios da Democracia Liberal no Mundo Pós-Políticas Identitárias” (Companhia das Letras, 104 páginas, tradução de Berilo Vargas), de Mark Lilla, entram na minha lista para leituras frequentes.

Apesar de criticada, a democracia não sai da moda, ao menos nos livros. “Como as Democracias Morrem” (Zahar, 272 páginas, tradução de Renato Aguiar), de Daniel Ziblatt e Steven Levitsky, professores de Harvard, fez sucesso em 2018. Mas o livro que vai para minha lista é “Democracia” (Record, 477 páginas, tradução de Clóvis Marques), organizado por Robert Darnton e Olivier Duhamel. São ensaios. Estão na minha mira os artigos “Face ao totalitarismo”, de Martin Malia e Luc Ferry (cada um escreveu um ensaio), e “Democracia social em crise”, de Daniel Patrick Moynihan, e “O Estado Previdenciário”, de Daniel Cohen. Há artigos de vários outros autores, como Richard Rorty, Ronald Dworkin, Michael Löwy e Amartya Sen.

Isaiah Berlin é um grande vulgarizador da Filosofia que entendia como poucos de literatura. Explica com imensa clareza a obra dos filósofos Vico e, até, de Marx. Na minha lista consta um livro curto do filósofo britânico, “Uma Mensagem Para o Século XXI” (Âyiné, 66 páginas, tradução de André Bezamat). Vou ler, mais uma vez, alguns dos ensaios de “Estudos Sobre a Humanidade — Uma Antologia de Ensaios” (Companhia das Letras, 720 páginas, tradução de Rosaura Eichemberg). Vou revirar os ensaios sobre Roosevelt, Churchill e Anna Akhmátova.

No delicioso “Do Palácio ao Bordel — Crônicas e Segredos de um Jornalista Brasileiro em Londres” (Grua, 238 páginas), de Antonio Carlos Seidl, há uma entrevista com Isaiah Berlin. Ao tratar as utopias como perigosas, o filósofo afirma: “Não podemos reescrever a história. Todavia não quero abandonar a crença de que não seja um sonho utópico imaginar um mundo como uma colcha de retalhos de muitas cores, cada um deles desenvolvendo sua própria identidade cultural e tolerante em relação às outras”. De cara, o filósofo disse: “Você é o primeiro brasileiro que conheço pessoalmente”.

Dos filósofos vivos, ao menos um é obrigatório, o britânico John Gray (assim como Roger Scruton). Por isso listo “A Alma da Marionete — Um Breve Ensaio Sobre a Liberdade Humana” (Record, 126 páginas, tradução de Clóvis Marques). Os livros menores do autor são, em geral, de uma profundidade rara. Ingleses têm o hábito de brilhar nos ensaios, com a vantagem de, ao contrário dos alemães, escreverem com o máximo de clareza.

O século 21 pertence, com seus 18 anos — um adolescente que está se tornando adulto —, à história do século 20. O século atual ainda não conseguiu descolar do século passado. Por isso, nada mais saudável do que ler “Pensando o Século XX” (Objetiva, 431 páginas, tradução de Otacílio Nunes), de Tony Judt. O livro foi publicado graças ao empenho do historiador Timothy Snyder. A doença Ela matou Judt, historiador notável (grande conhecedor de Filosofia, escreveu um livro que demole a reputação de alguns filósofos franceses, como Sartre e Merleau-Ponty), com apenas 62 anos.

Stephen Greenblatt consagrou-se como explicador notável da obra de Skakespeare. Da obra e do homem. Formado em Yale, com pós-graduação em Cambridge, prova que não é escravo do vate e dramaturgo britânico, por isso escreveu um livro que figura na minha lista na primeira fila, talvez na segunda: “Ascensão e Queda de Adão e Eva” (Companhia das Letras, 374 páginas, tradução de Donaldson M. Garschagen). Não sou religioso, mas religião me interessa como um dos mais importantes fenômenos culturais da história. A obra de Greenblatt não é, evidentemente, sobre religião. Ou melhor, é, mas vai além.

Biografias de Mário de Andrade e Carlos Lacerda

A Sextante deve publicar a biografia de Mário de Andrade escrita pelo jornalista Jason Tércio. Ainda não tem título, mas promete revelações. A homossexualidade (ou bissexualidade) do autor de “Macunaíma” sempre assustou biógrafos. Ou melhor, os pesquisadores de sua vida, alertados de que a família poderia processá-los, sempre tangenciaram o assunto. Mas, se a homo ou a bissexualidade do poeta de “Pauliceia Desvairada” é apenas um aspecto de sua vida, por que não contar o que se pode contar? Aí é que está o problema. Uma biografia não pode excluir a vida íntima e a sexualidade é central na vida dos indivíduos. Jason Tércio, em entrevistas, afirma que tem informações novas a apresentar sobre o chefão da Semana de Arte Moderna de 1922, inclusive sobre sua sexualidade. Enquanto o livro não chega, o leitor pode se deliciar com o ótimo “Eu Sou Trezentos — Mário de Andrade: Vida de Obra” (Edições de Janeiro, 256 páginas), de Eduardo Jardim. É provável que a crítica não tenha percebido, ao menos não de maneira ampla, a excelência deste livro. Friso que estou na primeira fila para ler a obra de Jason Tércio, um pesquisador de primeira linha. Quero saber, sobretudo, como Mário de Andrade se tornou uma espécie de orientador cultural de uma geração de prosadores e poetas sensacionais.

Se o jornalista Mário Magalhães lançar a biografia de Carlos Lacerda, o político brasileiro que namorou as atrizes Shirley MacLaine, irmã de Warren Beatty, e Maria Fernanda, filha de Cecília Meirelles, eu direi: “Parem as máquinas, se ainda existirem máquinas, que eu vou ler o livro sobre o ‘demolidor de presidentes’”. O livro sairá pela Companhia das Letras. Há uma biografia escrita pelo brasilianista John W. F. Dulles, “Carlos Lacerda — A Vida de um Lutador”. Não deixa de ser detalhada, mas falta-lhe alma. A história da suposta homossexualidade do político é tratada en passant e de maneira nada esclarecedora. Talvez porque não é possível apresentar fatos cabais. Se o americano é um pesquisador criterioso, Mário Magalhães, autor de uma biografia seminal de Carlos Marighella, é um repórter notável. É muito provável que teremos, a partir de seu escrutínio, um Carlos Lacerda mais nuançado. Marcelo Franco, Marco Antônio da Silva Lemos, Carlos César Higa e Iúri Rincon Godinho dizem que vão ler o livro primeiro. Duvido.

Estou de olho na biografia que Julio Maria, o notável crítico de música do “Estadão” e biógrafo de Elis Regina, está escrevendo de Ney Matogrosso. A Tordesilhas vai publicar a biografia de Luiz Melodia, de Toninho Vaz. “Dona Ivone Lara — A Primeira-Dama do Samba” (Sonora Editora, 230 páginas), de Lucas Nobile, está na cabeceira de minha lista. Talvez leia os livros de Mila Burns e Katia Santos sobre Ivone Lara. Não sei se vou ler, mas estou curioso com o livro “Raphael Rabello — O Violão em Erupção” (Editora 34, 352 páginas), de Lucas Nobile.

Ana Lima Cecilio certamente pretende resgatar uma Hilda Hilst que nós poucos conhecemos. A biografia de Samuel Wainer, escrita por Mariana Filgueiras, deve sair em 2019. Estou na fila, com minha lista penelopiana já desmanchando. Fernando Morais promete as memórias de Lula da Silva para o próximo ano. Estou na fila também, porque, apesar dos pesares, o petista é um grande político. A sua é uma grande história. Os três livros sairão pela Companhia das Letras.

Daqui a 100 anos, Lênin, assim como Stálin, que se tornará um clone piorado de Gengis Khan, será um rodapé na história. Os dois, como Madame de Stäel, mas não o café e Balzac, passarão. Mas o imenso Aleksandr Herzen persistirá como um grande escritor e memorialista. No livro “Pensadores Russos” (Companhia das Letras, 320 páginas, tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura), o filósofo britânico Isaiah Berlin escreveu belas páginas sobre suas ideias e comportamento. A Editora Âyiné promete publicar, em 2019, “From the Other Shore”, de Herzen. Antes de as máquinas pararem, eu já estarei lendo o livro. Frise-se que Lênin foi influenciado por Herzen, mas, esclareço, não nos aspectos autoritários, porque o escritor era libertário.

Varlam Chalámov e James Joyce

Caetano Galindo, que parece uma máquina de traduzir — e máquina não é, porque Tradukka e Google Tradutor “traduzem” muito mal, apesar de úteis —, põe em Português o teatro e a poesia de James Joyce. O escritor irlandês era bom mesmo na arte do conto e do romance, que, por certo, reinventou. Mas quem aprecia sua literatura, sua arte tão diversa de tudo quanto há, certamente vai voltar os olhos para a edição da Companhia das Letras. Eu, pelo menos, vou, e com prazer. Um Joyce menor é sempre maior do que alguns escritores.

Li os “Contos de Kolimá” (primeiro volume), de Varlam Chalámov. Para 2019, entram na minha lista os demais volumes: “A Margem Esquerda”, “O Artista da Pá”, “Ensaios Sobre o Mundo do Crime” e “A Ressurreição do Lariço”. A edição da Editora 34 é caprichada, com traduções de primeira linha de, entre outros, Cecília Rosas, Daniela Mountian, Denise Sales, Elena Vasilevich e Lucas Simone. A obra é uma radiografia literária sobre a vida no Gulag soviético. No primeiro volume, “Contos de Kolimá”, conta-se a morte do poeta Óssip Mandelstam (e muito mais). Os livros — ou o livro — são verdadeiros documentos e, como tais, são usados por historiadores do gabarito de Anne Applebaum, autora de um livro fundamental sobre o inferno criado na Terra por Stálin: “Gulag — Uma História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos”.

“El Vértigo” (Galaxia Gutenberg/Círculo dos Lectores, 857 páginas, tradução de Fernando Gutiérrez), de Evgenia Ginzburg, está entre minhas prioridades. A autora era filiada ao Partido Comunista e, mesmo assim, foi presa em 1937. Ficou 18 anos — uma vida — no Gulag de Stálin. O livro começou a ser escrito em 1959 e, quando a autora morreu, em 1977, não havia sido publicado na União Soviética. Mas circulou no país de maneira clandestina.

“Esclavos de la Libertad — Los Archivos Literarios del KGB” (Galaxia Gutenberg/Círculo de Lectores, 555 páginas, tradução de Ricard Altés Molins), de Vitali Shentalinski. O jornalista e pesquisador foi o primeiro a ter acesso aos arquivos literários do KGB. Ele conseguiu “resgatar valiosos manuscritos e documentos relacionados com a vida de notáveis russos” como Óssip Mandelstam, Platónov, Marina Tsvetáieva, Maksim Górki, Anna Akhmátova, Bábel, Bulgákov, Boris Pilniak e Boris Pasternak. São três volumes. Tenho apenas o primeiro. Trata-se de uma obra que a Editora 34, que publica escritores russos com alta qualidade, deveria publicar.

Como deixar de ler “Poesia Cubana — Do Século XIX à Atualidade” (Editora Demônio Negro), com organização e tradução de Jorge Henrique Bastos? Lezama Lima e Severo Sarduy são poetas extraordinários. Lezama Lima é a verdadeira Revolução Cubana de todos os anos. A eterna.

A Friboi, que se tornou JBS e virou transnacional, nasceu em Goiás. Por isso, e por tantas outras coisas, merece a palavra imperdível o livro que Raquel Landim vai publicar pela Editora Intrínseca. O tradutor Daniel Dago (fonte seminal para lançamentos de 2019) frisa que o título não está definido. A Planeta vai publicar as memórias de Rodrigo Janot.

Vicente Huidobro e a Guerra Civil Espanhola

O maior poeta chileno, sabem os cultores da poesia de qualidade, é Vicente Huidobro (1893-1948). Se é assim, por que Pablo Neruda é mais conhecido e até ganhou o Prêmio Nobel de Literatura? Simples: a patota comunista vulgarizou seu nome e sua poesia pelos quatro cantos do mundo. E, de fato, o tema amor fortaleceu sua poesia e assegurou repercussão transnacional. Pois a Editora Martelo, de Goiás, promete resgatar Huidobro (para além da poesia), e em “dobro”, publicando quatro livros: “Equatorial”, “Poemas Árticos”, “Poesia Criacionista” e “Três Novelas Imensas”. A tradução é de Nina Rizzi. Em sã consciência, quem pode deixar de ler? Ninguém, é claro. Estou na primeira fila para comprar, ler e divulgar o bardo do país cujo mapa lembra o político pernambucano Marco Maciel. Devo ler também “Huidobro — La Marcha Infinita” (Ediciones Bat, 303 páginas), de Volodia Teitelboim. Meu exemplar, adquirido num sebo da Plaza Itália, em Buenos Aires, tem dedicatória do autor para Elias Kaminky, datada de setembro de 1994: “Aquí va la vida de um poeta desmedido, com a la simpatia de Volodia Teitelboim”. Curiosamente, acrescenta o telefone, o que sugere que o beneficiário do autógrafo era seu amigo ou, quem sabe, um jornalista.

A Guerra Civil Espanhola, de 1936 a 1939, é considerada como uma das últimas guerras românticas. De romântica, na verdade, tinha pouca coisa. Mas muitas pessoas foram lutar na Espanha, contra o fascismo e a favor do comunismo (visto, na época, como símbolo da liberdade, o que não era. Ressalve-se que, ao lado dos comunas, haviam socialistas, anarquistas e democratas), de maneira realmente romântica — inclusive alguns profissionais da Imprensa. Mas a vida era dura — e um dos jornalistas, George Orwell, chegou a ser ferido (seu “Lutando na Espanha”, Editora Globo, é indispensável). A história é contada no livro “Idealistas Bajo las Balas — Corresponsales Extranjeros en la Guerra de España” (Debate, 539 páginas, tradução de Beatriz Anson e Ricardo García Pérez), do historiador Paul Preston. Orwell e Hemingway são as figuras mais conhecidas, mas Preston apresenta vários correspondentes, como Frank Hanidhen e, entre outros, Louis Fischer. Hanighen escreveu que “quase todos os jornalistas que estiveram na Espanha se tornaram pessoas diferentes” depois da cobertura das batalhas.

Quando vejo um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, costumo pensar: “Puxa, mais uma obra; entretanto, tudo já foi dito”. Na verdade, não foi. “Depois de Hitler — Os Últimos Dias da Segunda Guerra Mundial na Europa” (Bizâncio, 444 páginas, tradução de Clara Alvarez), de Michael Jones, é uma prova disso. Li 125 páginas e parei para ler outros livros. Em 2019, se o bom Deus der tempo luminoso e saúde, voltarei à leitura. A obra faz uma análise mais nuançada sobre a violência dos soviéticos na Alemanha.

Entra na minha lista, pela porta da frente, “Combatientes en la Sombra — La Historia Definitiva de la Resistencia Francesa” (Taurus, 645 páginas, tradução de Federico Corriente), de Robert Gildea. Em termos de história, nada é definitivo, mas o livro do professor de Oxford me parece denso e consistente.

Nicholas Ray, Raoul Walsh e Howard Hawks

Para descontrair, devo ler três livros sobre três diretores de cinema que admiro: “Nicholas Ray — Más Grande que la Vida” (Ediciones JC, 285 páginas), de Carlos Benpar, “Howard Hawks” (Ediciones JC, 253 páginas, tradução de Antonio Weinrichter), de Robin Hood, e “El Cine en Sus Manos” (Ediciones JC, 366 páginas, tradução de Francisco Delgado), de Raoul Walsh. Ray tornou-se cult na Europa e, quiçá, no Brasil. Hawks, em termos de western, é um dos grandes rivais de John Ford. Talvez seja um pouco mais poeta e menos moralista. Raoul Walsh deu-se bem no faroeste e no drama, como Hawks (que Faulkner adorava).

Se a trombofilia e o anticoagulante Marevan permitirem, em termos da prosa patropi, lerei tudo de Ronaldo Correia de Brito (autor que leio cada vez com mais prazer), Cristóvão Tezza, Milton Hatoum, Alberto Mussa (Adalberto Queiroz diz que não vai mais ser meu amigo se eu deixar de ler pelo menos “A Biblioteca Elementar”. Como quero manter o amigo, já adquiri um exemplar) e Miguel Sanches Neto. A obra “Explorações no Tempo — Memórias” (José Olympio, 226 páginas), de Cyro dos Anjos, será lida. Espero. Na minha lista — quase um enciclopédia — incluo o romance “As Voltas do Mundo” (Kelps, 424 páginas), de Jailton Batista. Trata-se de um prosador de amplos recursos, autor de outro belo romance, “Duas Mulheres, Quatro Amores e uma Guerra Civil” (a história se passa em Angola).

Querem um livro de poesia extraordinário? Eis: “Matadouro de Vozes” (7 Letras, 93 páginas), de Ronaldo Costa Fernandes. Ora, se já li, por que estou citando? Porque a poesia do autor é para ser lida, relida, trelida e quatrilida. Encanta-me a poesia rebelada de Angélica Freitas (Oswald de Andrade não dormiria antes de ler sua poesia).

Dá para não ler “Um Bárbaro no Jardim” (Âyiné, 367 páginas, tradução de Henryk Siewierski), do bardo polonês Zbigniew Herbert? Espero que os ensaios sejam tão bons quanto sua poesia. “Campos de Castela” (Caminhos, 248 páginas, tradução de Sérgio Marinho), de Antonio Machado, é leitura imprescindível.

Como boxe é a sétima arte (cinema é, vá lá, a 666ª) — tanto que Joyce Carol Oates escreveu um belo livrinho sobre a nobre arte (MMA é assunto de plebeus que não aspiram à nobreza) —, não vou deixar de ler “Ali — A Life”, de Jonathan Eig. O livro sairá, em 2019, pela Record. Muhammad Ali, mais do que mero boxeador, era um artista da palavra e seu corpo não dançava nos ringues — era a própria dança. Venceu o peso-pesado George Foreman, dotado da maior pegada do boxe, dentro e fora do ringue. Em 1974, no Zaire, ao subir ao “palco” para o espetáculo, Foreman estava derrotado. O poder da palavra de Ali o havia destruído de antemão. A palavra gênio deve ser usada para Aristóteles e Einstein. Mas, desculpe-me os que não gostam da aristocracia, devo dizer: Ali era um gênio nos e fora dos ringues. Sua língua era mais ferina e pesada do que os punhos.

Você sabia que a melhor biografia de um poeta português foi escrita pelo brasileiro Adelto Gonçalves, doutor em Literatura? Não fique com vergonha, pois, antes de você, eu fiquei ruborizado por não saber disto por muito tempo. Pois “Bocage — O Perfil Perdido” (Editorial Caminho, 476 páginas) fez (e faz) um sucesso tremendo em Portugal e, infelizmente, não circula no Brasil. Bocage nasceu em 1765 e morreu, em 1805, com apenas 40 anos. As editoras brasileiras estão dormindo no ponto.

Geraldo Lima
Escritor, dramaturgo e roteirista

Não listei ainda muitos livros para serem lidos em 2019, mas já tenho aqui alguns que, com certeza, lerei logo no início do ano. São eles:

“O Crime do Cais do Valongo” (Editora Malê, 2018), de Eliana Alves Cruz. Trata-se de um romance histórico-policial, em que se conta a história do assassinato do rico comerciante Bernardo Vianna, ocorrido no Cais do Valongo no início do século XIX. O Cais do Valongo foi porta de entrada de mais de 500 mil africanos escravizados de 1811 a 1831 e foi declarado patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO em 2017. A sinopse diz que a história começa em Moçambique e vem parar no Rio de Janeiro. Primeiro, quero ver se o livro me prende enquanto narrativa policial; depois, inteirar-me mais sobre um momento da história do nosso povo que ainda sangra com sua ferida exposta.

“Sobre Heróis e Tumbas” (Editora Planeta DeAgostini do Brasil), de Ernesto Sabato. Venho adiando a leitura desse livro, mas será uma das minhas primeiras leituras no ano que vem. Pelo que o autor escreveu na primeira edição do livro, em 1961, a elaboração desse romance foi um parto difícil, que levou anos para se concretizar. Gosto de obras assim, que exigiram do seu autor um esforço descomunal. Obras que, fruto de uma obsessão artística, resultam em experiências estéticas e existenciais enriquecedoras. No caso dessa obra do argentino Ernesto Sabato, creio que terei uma visão fantástica e trágica da história do nosso continente e, mais propriamente, da Argentina.

“Noites Simultâneas” (Bagaço, 2017), de Maurício Melo Júnior. Na orelha do livro, o escritor Antônio Torres escreveu: “Do que exatamente ele nos fala, aqui e agora? De um moço e uma moça que, a golpes da sorte ou de suas astúcias, sobreviveram aos estratagemas de um regime autoritário contra o qual se bateram, ao se engajarem na luta armada, passando a viver uma história de amor e terror, sonhos e pesadelos, encontros e desencontros, utopias e desilusões. Ao fundo, um dos períodos mais inquietantes e conturbados do nosso país”. Maurício Melo Júnior é experiente jornalista e grande conhecedor da literatura nacional, e não tenho dúvidas de que a leitura desse seu livro será apaixonante e valiosa.

“Nas Águas Desta Baía Há Muito Tempo” (Editora Record, 2017), de Nei Lopes. O livro traz ainda o subtítulo Contos da Guanabara, mas nem precisava: só pela poeticidade do título fui fisgado imediatamente. O carioca Nei Lopes, formado em Direito, é mais conhecido como compositor e grande conhecedor da história do samba, mas tem se aventurado também na ficção. Este é seu segundo livro no gênero. Heloísa Seixas escreveu na apresentação da obra: “Esse livro de Nei Lopes é uma viagem. Uma viagem por ruas, praças, morros, mares, rios, praias, mangues e ilhas do Rio – mas um Rio secreto e cheio de mistérios”. O volume traz um conto com o título Valonguinho; estou curioso para saber se a história se passa no mesmo lugar e no mesmo tempo da história contada no livro O crime do Cais do Valongo, da Eliana Alves Cruz. Então, no ano que vem, embarcarei nessa viagem literária do mestre do samba e da cultura nacional.

“O Indizível Sentido do Amor” (Editora Patuá, 2017), de Rosângela Vieira Rocha. O romance tem como pano de fundo o período da Ditadura Militar no Brasil; terei, portanto, a partir do olhar sensível de Rosângela, mais um recorte desse dramático período da nossa história. E, como nossa jovem democracia corre perigo, sob a ameaça do autoritarismo, esta será, indubitavelmente, uma leitura instigante. E as palavras do escritor Lima Trindade me estimulam mais ainda: “…a protagonista deste novo romance de Rosângela Vieira Rocha levará o leitor a mais do que uma simples viagem de descoberta existencial ou desvendamento de mistérios”.

Gilberto Mendonça Teles
Poeta e crítico literário

Entre as leituras planejadas para o próximo ano (não se falando, é claro, nos livros que chegam e somos às vezes obrigado a ler), nas Planejadas, pretendo reler:

– De Milan Kundera, a “Insustentável Leveza do Ser”, livro de 1984, cujo relato sobre a “Primavera de Praga” (1968), me pareceu ter muita analogia com a revolução dos militares em 1964 em Goiás, quando não se sabia quem era ou não dedo-duro, na cidade e na Universidade Federal de Goiás.  Quero rever isso;

– De Vlademir Jankélévitch, “La Mort”, edição francesa que ganhei de aniversário quando era professor na Universidade Clássica de Lisboa e que, pelo tema do mistério e do fenômeno da morte, me pareceu oportuno ler nos meus oitenta e sete anos;

– De Gilberto Mendonça Teles, “Defesa da Poesia”, vol. I, Edição do Senado, 2017, com 400 páginas e que me custou dez anos de pesquisa. Sempre gosto de ler/reler um livro meu depois de publicado;

– De A.F. Beyle, autor goiano que nos deu a trilogia “A Grande Guerra do Cerrado”: “Kayapó, o Guerreiro do Céu” (2016); “Marrano, O Caçador de Gente”; e “Mandinka, Um Feiticeiro do Fim do Mundo”. Edição da Kelps, de Goiânia. É a maior contribuição do romance histórico em Goiás, cujo primeiro volume tive a honra de prefaciar.

– De Jamesson Buarque, o livro de poemas “Meditações”. Trata-se de um pernambucano, residente em Goiânia, professor da UFG.

Irapuan Costa Junior
Ex-governador e secretário estadual de Segurança Pública

Tenho quatro livros “na fila”:

“O Zero e o Infinito” (Amarilys, 304 páginas, tradução de André Pereira da Costa), do escritor e ex-militante comunista Arthur Koestler. Trata-se de um exame do totalitarismo comunista, com o foco no soviético Nicolai Bukharin.

“Irmãos — Uma História do PCC” (Companhia das Letras, 320 páginas), do professor-doutor Gabriel Feltran. É um estudo de um dos grupos criminosos mais organizados e conhecidos do Brasil.

“Goiânia em Guerra”, de Iúri Rindon Godinho. O livro mostra que faltava energia elétrica e água na capital de Goiás nos tempos da Segunda Guerra Mundial.

“Fascistas” (Record, 560 páginas, tradução de Clóvis Marques), de Michael Mann. É uma das obras mais amplas do fenômeno que se devolveu na Itália de Benito Mussolini e se espalhou para outros países.

Outros livros, definirei ao longo do ano.

Lena Castello Branco
Professora aposentada da UFG, historiadora e cronista

Minhas leituras são ecléticas e, quase sempre, ditadas por visitas a livrarias e recomendações de amigos. Para o ano de 2019, tenho algumas obras esperando nas prateleiras; e, também, alguns propósitos pessoais.

Assim é que pretendo revisitar as obras de Thomas Mann, de quem há pouco reli “A Montanha Mágica”. No passo seguinte, reviverei o prazer de encontrar “Os Buddenbroocks”, “O Jovem José”, “Doutor Fausto” e “A Morte em Veneza”.

Entre os brasileiros, buscarei o encantamento que me proporcionou o “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; e mais a trilogia de Josué Montello: “Cais da Sagração“, “Tambores de São Luiz“, “Noite sobre Alcântara“. Tenho na lista também “A Muralha“, de Dinah Silveira de Queiroz – que alia à linguagem primorosa a imaginação romanesca, tendo como pano de fundo a saga bandeirante.

Acenando-me com o mais puro prazer estético e emocional, aguarda-me “Cartas Brasileiras”, organizado por Sérgio Rodrigues – um primor de edição, revelando perfis, desvelando almas, valorizando o humano que existe em todos nós.

Na seara da História, darei conclusão à leitura de “Before Brazilia”, recentemente publicado, de autoria da brazilianist e prezada amiga, Mary Karasch, que me promete revelações sobre Goiás em tempos anteriores à mudança da capital federal para o Planalto Central.

Dos autores goianos – aqui radicados ou não –, pretendo reler “Encruzilhada dos Tropeiros”, de Tarcízio Filgueiras, uma revelação nas letras regionais, com o romance que tem Goiás como cenário e os goianos como personagens arquetípicas.

De outra parte, seguirei o movimento editorial nacional e goiano, que acenam com novidades em grande número, a despeito da indigitada crise que nos atinge a todos nós.  A leitura é encantamento, catarse, prazer e emoção – e eu gosto mesmo é do livro dito físico, seu cheiro e formato, além da sensação táctil que nos embala e transporta para mundos e cenários incognoscíveis.

Boa leitura para todos nós!

Marcelo Franco
Crítico e bibliófilo

Tolle lege, sussurram-me os livros que venho acumulando, um tanto por prazer, outro tanto por pura obsessão, um tiquinho por tédio e inércia. É profissão de tempo integral: ou acumulo livros, ou os leio. E com os livros vêm problemas insuspeitos. “Admiro muito quem lê assim”, ouvi há alguns dias. Sei, sei: essa admiração só pode vir de quem não tenha de lidar com a falta de espaço para os volumes, os problemas respiratórios causados pela poeira das estantes e o perigo da falência sempre rondando o comprador obsessivo, triste padecente de síndrome de Diógenes literária. Fazer o quê? Sempre é possível começar outra pilha com livros novos.

Mas eis que o ano chega ao fim e novamente me pedem uma lista de sugestões de leitura para o próximo ano. Eventualmente, quando não estou tentando organizar minhas estantes, consigo ler algumas páginas. E gosto de listas, principalmente quando são inúteis, o que é o caso: poucos se importam com esses quiquiriquis ditos culturais. Minha convicção é que cumprimos com galhardia nosso destino de transformar o Brasil neste grande DCE de Humanas, com a natural consequência de frequentarmos apenas a epiderme das coisas transcendentes que nos cercam, donde lista de livros é coisa destinada ao olvido. Fazer o quê? Dar cabo da missão e depois ir me tratar com algum pneumologista. Ou antes: escrever a lista e talvez subir a serra para curar a asthma causada pelos livros velhos.

À obra, pois não. A lista ideal deve ser uma mistura de livros antigos, lançamentos e livros citados somente para que se possa simular erudição. É um ritual de vaidade, bem sei, para o qual perdi a embocadura: se há algum tempo eu costumava acompanhar a cena editorial, hoje apenas acompanho o crescimento de estranhas manchas no meu corpo. Fazer o quê? Listar os livros que, como sempre ocorre, serão substituídos pela leitura de outros no próximo ano — e em seguida ir ali cavar um empréstimo para cobrir a calamidade que se tornou o vício de baixar livros no Kindle.

Jorge Amado e Mário Palmério

Adiante, então. Na minha longínqua adolescência, antes de Cristo, li com afinco quase todos os romances de Jorge Amado. Até me emocionei quando estive em Ilhéus; à época, eu me importava com essas bobagens. Algo dessa mania me ficou; lerei, então, “Jorge Amado — Uma Biografia”, cujo título não sei se é exatamente assim. O nome da editora me foge — e a autora é Joselia Procurem Vocês Mesmos o Sobrenome. Foi homem de vida aventurosa, o velho Jorge, e espero que a biografia lhe faça justiça. Mas nada de revisitar “Gabriela” ou “Dona Flor”: curiosamente, em matéria regionalista, deu-me vontade de reler o Mário Palmério de “Vila dos Confins” e não exatamente o injustiçado Jorge Amado (é moda desprezar a grande literatura do baiano), talvez porque as aventuras meio picarescas do próprio Palmério passaram a me fascinar recentemente — ele, depois de ter sido deputado, embaixador e fundador de faculdades, resolveu correr de barco, durante vários anos, o Amazonas e seus afluentes (falta-lhe também uma biografia à altura, não?).

Por falar no Amazonas, a causa do interesse renovado em Mário Palmério vem justamente do fato de que cometi o desatino de ir conhecer o imponente encontro do próprio Amazonas com o Tapajós e, tal como os pirarucus e tucunarés pescados além da quantidade legal, fui fisgado. Infelizmente, dou uns trinta anos para arruinarmos todo aquele belíssimo mundaréu de águas e matas e substituirmos tudo pela nossa grande contribuição à arquitetura, a laje inacabada, e por isso é que resolvi preservar um pouco daquele assombro nas minhas estantes. Deverão ser lidos, portanto, no próximo ano: “Árvore de Rios — A História da Amazônia” e “Naturalists in Paradise — Wallace, Bates and Spruce in the Amazon”, do assombroso John Hemming, e “River of Darkness”, de Buddy Levy, sobre a epopeia da descoberta do Amazonas por Francisco de Orellana, além dos relatos dos exploradores do nosso Norte, La Condamine, Langsdorff, Wallace, Bates, Spruce, Herndon e mais alguns. Vício recente a gente trata com carinho e papinhas de leite.

 James Miller e Mark Balaguer

A turma apocalíptica adorou a bobajada de “Como as Democracias Morrem”, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, como prova de que caminhamos inexoravelmente rumo a ditaduras disfarçadas. Claro, por “morte da democracia” leia-se “nunca mais votem em candidatos que nós, intelectuais iluminados, não aprovamos”. Li o livro de Levitsky e Ziblatt e, à moda de Pepe Carvalho, arremessei-o na minha lareira imaginária. Como contraponto, planejo ler “Can Democracy Work?”, de James Miller, um americano que, creio, andou dizendo que Trump e Brexit são ótimos para a democracia porque desafiam consensos, e consensos é que verdadeiramente colocam em perigo a nossa democrática obrigação de, periodicamente, fazer besteira nas urnas. Não sei se exagero, já que estou citando alguma entrevista sua que li um tanto desatento, e talvez a ideia de Miller não seja exatamente essa — se não for, lareira de novo.

Filosofia. Sempre me espanto com o modo como os tais neurocientistas se apressam em decretar a morte do livre-arbítrio. Existe certo ateísmo nisso, imagino, além da ciência. Por sorte, gente como Mark Balaguer, ele próprio cientista e ateu, ainda resiste, pois há algo de muito podre no Reino da Dinamarca com essa tentativa de se comprovar que aquilo que parece existir — o nosso livre-arbítrio — não exista realmente. Claro, sem o livre-arbítrio, o mundo como o conhecemos acabaria: os sistemas morais, religiosos e jurídicos deixariam de ter sentido. Balaguer e seu “Free Will”, portanto, entram com honras na lista, junto com “The Human Instinct: How We Evolved to Have Reason, Conciousness, and Free Will”, de Kenneth R. Miller. Notem: neurocientistas dão como a causa única de nosso agir aquilo que proclamam ser ciência, e Balaguer, que li em entrevistas, é certeiro: ele acredita em ciência, nem sempre em pessoas — e são as pessoas que proclamam que algo seja ciência definitiva, uma assertiva costumeiramente bastante duvidosa. Estou, aliás, impressionado com a força desse debate sobre livre-arbítrio e ouso até dizer que há um componente ideológico nele. Meus novos inimigos, quase superando a turma do telemarketing: os negadores do livre-arbítrio — se nem mesmo o debate entre determinismo e incerteza, Einstein versus Heisenberg, digamos assim, foi resolvido, então creio que neurocientistas se dão muito valor. E sou pró-Heisenberg, o homem, por assim dizer, das incertezas e probabilidades, daí porque também lerei “Uncertaint: Einstein, Heisenberg, Bohr, and the Struggle for the Soul of Science”, de David Lindley (torcendo para que, ao fim e ao cabo, Heisenberg vença Einstein, nos confirmando, sim, que Deus joga dados).

Charles Moeller e Herberto Helder

Reconheço-me invejoso, característica que também governa o que leio. Pois confesso: li o texto do Adalberto de Queiroz, no Jornal Opção, sobre “Literatura do Século XX e Cristianismo”, de Charles Moeller, e fui correndo comprar os três volumes do abade belga, leitura com certeza provocativa nesta época em que nós cristãos estamos destinados a ser jogados, pela turma do eixo Leblon-Jardins, em coliseus onde seremos destripados sob a corrimaça e o escárnio dos bem-pensantes. Ah, também costumo extorquir livros de amigos, o que me levará a ler os livros editados pelo Iúri Rincon Godinho: as reminiscências de Ursulino Leão em “Confiteor” e o último livro do próprio Iúri (o seu 127º, creio): “Goiânia em Guerra — Sangue, Sede e Escuridão nos Anos 40”.

O que mais? Como sempre, a costumeira ração de Segunda Guerra, política e biografias. Ensaios também, claro: “Doze Ensaios Sobre o Ensaio”, antologia lançada neste ano pela revista “serrote” (com inicial minúscula, revisor), é um tour de force sobre o gênero literário que mais me agrada. Provavelmente, a poesia completa de David Mourão-Ferreira (“Há-de vir um Natal e será o primeiro/em que se veja à mesa o meu lugar vazio” etc. etc.) e Herberto Helder, este último numa bela edição da Tinta da China. Mais, sempre mais, pois muita coisa boa foi publicada em 2018; se Deus mandar bom tempo, suspenderei um pouco a minha profunda preocupação ontológica com fake news, Jesus em goiabeiras e Curitiba e, com tempo sobrando em 2019, me dedicarei a “Raspútin — Fé, Poder e o Declínio dos Románov”, de Douglas Smith, “A Política da Fé e a Política do Ceticismo”, de Michael Oakeshott (fundamental, fundamental, de novo fundamental); “O Primeiro Homem — A Vida de Neil Armstrong”, de James R. Hansen; “1924 —O Ano que Criou Hitler”, de Peter Ross Range; “Babilônia”, de Paul Kriwaczek. Mais alguma coisinha aqui, outra ali; isso, claro, se eu não estiver, conforme a lição do imortal filósofo cearense, “no bázinho tomando uma pá espaiá o sangue” (a melhor frase do ano).

Declaro ainda, solenemente, que não lerei todos aqueles autores que os cadernos de cultura proclamam como renovadores da Língua Portuguesa. Dos estrangeiros, nada de romances que mostrem “o American way of life tornado pesadelo”. E, em matéria de heterodoxias, só acompanharei o pós-pós-modernismo de livros revolucionários que sigam a estranha ordem “início-meio-fim”.

É isto. Reclamações com o editor-chefe Euler de França Belém, que vive tendo recaídas na sua estranha mania de sugerir, aos seus jornalistas, este degas aqui para fazer sugestões a vós outros. At.te, este vosso criado agradece e… Opa, não: faltou citar algum calhamaço para simular erudição. Erudição… Erudição… Bem, à falta de um Sarney recente, em abril, o mais cruel dos meses, lerei a nova tradução (de Caetano Galindo) da poesia completa de T.S. Eliot, publicada pela Companhia das Letras, comparando-a — erudição! — com a anterior tradução de Ivan Junqueira. Isso ou “Sein und Zeit”, de Heidegger. Vanitas vanitatum et omnia vanitas.

Encerro, enfim. Como recebo diariamente mensagens de amigos preocupados com a futura tomada do governo pelos militares, além de outras de gente que prega “resistência” a tudo, desejo a todos vocês um feliz 1969, com a firme crença de que o ano que virá será o último da Guerra do Vietnã. Fui.

Marcelo Mariano
Editor de redação do Jornal Opção

A morte do escritor israelense Amós Oz me obriga a começar as leituras de 2019 relendo o livro “Como Curar um Fanático: Israel e Palestina — Entre o Certo e o Certo”. Trata-se de um livro pequeno — baseado em palestras do escritor —, mas com conteúdo riquíssimo. Nesta obra, o autor sublinha que tanto Israel quanto Palestina estão certos em suas reivindicações — o israelense é ativista pela paz e defensor da solução de dois Estados.

Amós Oz argumenta que Israel e Palestina são filhos do mesmo “pai opressor”: “A Europa, que colonizou o mundo árabe, o explorou, o humilhou, tripudiou sobre sua cultura, o controlou e usou como um playground imperialista, é a mesma que discriminou os judeus, os perseguiu, os atormentou e por fim os assassinou em massa num crime de genocídio sem precedentes”.

Como costuma ocorrer em relações familiares, ressalta o autor, dois filhos de um pai opressor não necessariamente amam um ao outro e, mais do que isso, enxergam no outro a imagem do pai, ou seja, Israel vê a Palestina como antissemita e a Palestina vê Israel como como um país colonizador.

Brilhante, Amós Oz escreveu várias outras obras que merecem ser lidas e relidas, mas “Como Curar um Fanático: Israel e Palestina — Entre o Certo e o Certo” me chama a atenção pela urgente necessidade de se encontrar caminhos para a paz no Oriente Médio, uma região que tenho bastante interesse em estudar.

Correspondente da TV Globo e da GloboNews em Nova York, o jornalista Guga Chacra promete lançar um livro sobre a guerra da Síria, que farei questão de ler — ao que parece, ainda não tem título definido

“Os Desorientados”, romance do escritor libanês Amin Maalouf que me foi presenteado pelo amigo Euler Belém , e “Correspondentes — Bastidores, Histórias, Desafios e Aventuras de Jornalistas Brasileiros pelo Mundo” também entram na minha lista de leituras para o ano novo. Outro livro que tenho a intenção de ler já há algum tempo — e espero fazê-lo em 2019 — é “O Sonho do Celta”, de Maria Vargas Llosa, romancista peruano e Prêmio Nobel de Literatura.

Deixo ainda como sugestão aos leitores dois dos últimos livros que li em 2018: “O Caminho de Abraão — Fé, Amor e Guerra em Travessias Separadas pelo Tempo”, o primeiro romance do jornalista Jamil Chade, correspondente do “Estadão” em Genebra, e “Butterfly — From Refugee to Olympain, My Story of Rescue, Hope and Triumph” (Borboleta — De Refugiada a Atleta Olímpica, Minha História de Resgate, Esperança e Triunfo, em tradução livre) — ainda não foi lançado no Brasil —, que conta a história de Yusra Mardini, refugiada síria e atleta olímpica.

Maria José Silveira
Escritora, editora e tradutora

Não lhes direi nomes de autores e sim o que pretendo ler em 2019: livros de escritoras e escritores brasileiros contemporâneos. Tanto ficção, como ensaios. Porque me interessa muitíssimo o que teremos a dizer sobre os vários aspectos da vida neste País que, de repente, se verá transformado em outro. Um governo da pior ultra-direita possível foi eleito. O que nos levou a esse precipício? Como será nossa vida de 2019 em diante? Como a enfrentaremos? Resistiremos?

Marília Noleto
Editora do Opção Cultural

Sou do tipo de leitora que, além de ler, claro, adora comprar livros. Obviamente em ritmo muito mais veloz que o da leitura propriamente, o que faz com que eles rapidamente se acumulem em minhas estantes. Infelizmente sinto que, hoje em dia, leio bem menos do que poderia ou gostaria, mas isso é algo que venho tentando corrigir, mantendo uma rotina de leitura, mesmo em meio à correria do trabalho e distrações do dia a dia, especialmente as provenientes da internet.

Ou seja, meu projeto de leitura para 2019, em grande parte, nada mais é do que os resquícios de títulos adquiridos ainda em 2018, mas que ainda não foram devidamente lidos. E, em minhas compras mais recentes, fui muito influenciada/inspirada justamente pelos colaboradores e pesquisas que fiz durante os últimos meses de trabalho como editora do suplemento Cultural do Jornal Opção.

Desta forma, entre meus selecionados está a autora Hilda Hilst, mais especificamente a coletânea “Da Prosa”, dois volumes que reúnem boa parte dos títulos da lavra ficcional da irreverente autora paulista. Ainda sob influência da última Flip, quero incluir obras da icônica Conceição Evaristo, a qual tive a honra de conhecer pessoalmente aqui em Goiânia, por ocasião dos 30 anos do Encontro Nacional de Mulheres Negras.

E por falar em negras incríveis, incluo Maria Firmina dos Reis, autora do romance “Úrsula”, considerado o primeiro livro abolicionista do Brasil e que foi lançado recentemente. De estrangeira, incluo Scholastique Mukasonga e seu relato autobiográfico “Baratas”, que revela os horrores da guerra que assolou sua pátria, Ruanda.

Uma outra autora que há muito quero ler é a inglesa Naomi Alderman e seu “O Poder”, uma indicação que surgiu depois que li outra distopia, “O Conto da Aia” de Margaret Atwood, uma trama que me impactou sobremaneira. Ainda sobre mulheres, quero incluir autoras goianas, especialmente os dois últimos títulos de Cássia Fernandes e Dheyne de Souza, que me pareceu ter um trabalho poético muito intenso e visceral.

Entre a nova safra de autores brasileiros, estão em minha lista o jovem Geovani Martins, que virou sensação com o seu “Sol na Cabeça”, e “O Pai Da Menina Morta”, de Tiago Ferro. Outra coisa que pretendo retomar é a leitura de quadrinhos/”graphic novels”/”mangás” que, por sinal, foi objeto de pesquisa no meu mestrado. Clássicos como o japonês “Akira” e “Sandman — Coleção Definitiva” estão na minha lista, mas é preciso abaixar um pouco o preço (rs).

Nilson Jaime
Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Agronomia

Listo 10 livros entre os que pretendo ler em 2019, pelos motivos expostos, não necessariamente na ordem descrita e, às vezes, dois ou três ao mesmo tempo, como costumo fazer.

Estrangeiros:

1) “Lab Girl: A Jornada de uma Cientista entre Plantas e Paixões” (Rio de Janeiro: Harper Collins, 2017, 319 páginas), de Hope Jahren. Recebi esse livro de presente de meu amigo de 38 anos, jornalista Euler Belém, com duas páginas de dedicatória, em novembro de 2017. A história escrita na dedicatória constitui uma bela crônica, que merece ser publicada. O presente se deu porque, assim como a cientista, também passei uma vida entre árvores, flores, sementes e solos. O livro é uma “declaração de amor à natureza”, segundo apresentação de capa. Como nos últimos três anos escrevi um livro após o outro, não tive tempo de ler tudo que gostaria. Esta será minha primeira leitura em 2019 e pretendo resenhar o livro para o Opção Cultural, do Jornal Opção.

2) “A Longa Marcha dos Grilos Canibais – E Outras Crônicas Sobre A Vida No Planeta Terra” (São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 399 páginas), de Fernando Reinach. Outro livro que recebi de presente, de minha filha Déborah, Engenheira Agrônoma, como o pai. Um livro que, em linguagem bem-humorada, pretende explicar Ciência para leigos, adiantando na quarta capa que “Ciência não é assunto só de sábios sisudos”. Promete uma boa resenha para o Opção Cultural.

3) “La Vie des Fourmis” (Paris: Odile Jacob, 2006. 303 páginas), de Laurent Keller & Élisabeth Gordon. Durante meu doutoramento em Agronomia (Mirmecologia) acessei alguns artigos de Keller & Gordon, porém só consegui o livro posteriormente. Uma obra que será lida com grande prazer, por puro hobby. Ela faz parte do acervo de uns 30 títulos sobre a vida das formigas, uma das mais fascinantes sociedades do planeta Terra.

4) “Uma Breve História da Ciência” (São Paulo: Fundamento, 2014. 435 ´páginas), de Patricia Fara. A autora é PhD em História. O livro remonta às origens da Ciência, suas interações com a China, o Islã e a Alquimia, até os tempos modernos. Pretendo fazer uma resenha para o Opção Cultural.

Nacionais:

5) “O Legado de Darwin e a Pesquisa Agropecuária” (Brasília: Embrapa, 2014. 341páginas), de José Roberto Moreira e Marcelo Brilhante Medeiros (Editores Técnicos). Um livro que estuda a agropecuária sob a ótica evolucionista, associando seu atual desenvolvimento nos Trópicos com a teoria da Evolução das Espécies por meio da Seleção Natural, de Darwin (e Alfred Wallace). Os quatro autores são pesquisadores da Embrapa Cerrados, do Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen) e da Universidade de Brasília.

6) “A Coluna Prestes – Marchas e Combates” (São Paulo: Alfa-Ômega, 1934. 631 páginas), de Lourenço Moreira Lima. A leitura dessa obra me dará subsídios para o livro que escrevo sobre a História de Goiás. Apesar dos conhecidos livros de José Mendonça Teles, Horieste Gomes e Martiniano J. Silva, que relatam a passagem dos “revoltosos” por Goiás, o livro de Moreira Lima é um clássico, e foi publicado quando a passagem da Coluna ainda estava recente, já que sua primeira edição foi publicada em 1934.

Goianos:

7) “Poder e Paixão – a saga dos Caiado”, volume 2 (Goiânia: Cânone Editorial, 2009, 523 páginas), de Lena Castelo Branco Ferreira de Freitas. Com quase nove anos de atraso, estou finalizando a leitura do volume 1 deste que é o mais instigante e minucioso livro de História já escrito em Goiás. Essa leitura se dá por razões profissionais (para o livro que escrevo sobre a História de Goiás), mas proporciona um prazer indescritível. A autora é metodologicamente perfeita, e o texto, muito bom. Vamos ao Volume 2.

8) “Agricultura de Goiás – Análise & Dinâmica” (Goiânia: Editora da UCG, 2004. 967 páginas), organizado por Armantino Alves Pereira. O Engenheiro Agrônomo Armantino Alves reuniu meia centena de autores para escrever esse compêndio sobre a agricultura (este termo inclui também a pecuária) em Goiás. Leitura obrigatória para quem, como eu, prepara um livro sobre o tema (“Estrela do Cerrado: a Escola de Agronomia da UFG”, a ser lançado em maio de 2019).

9) “Exército de um Homem Só – o MP na Comarca” (Goiânia: MP-GO, 2018. 476 páginas), organizado pelo doutor em História Jales Guedes Coelho Mendonça. Esse livro, lançado no final do último mês de novembro, traz 17 entrevistas com promotores e promotoras de justiça, sendo que dois deles tiveram ligação com minha terra natal, Palmeiras de Goiás (Haroldo Rates Pereira e Mauro de Freitas Correia). O editor, um dos mais gabaritados historiadores da atualidade, além de primo, é meu consultor para assuntos relacionados à história de Goiás. Li todos os seus (ótimos) livros.

10) “Racismo à Brasileira – Raízes Históricas” (São Paulo: Anita Garibaldi, 2009. 639 páginas), do acadêmico Martiniano José da Silva. A vantagem de ter demorado 10 anos para ler essa obra é que ela está em sua 4ª. edição, revista, ampliada e atualizada. Lançada por uma editora nacional, tornou-se referência na historiografia social do Brasil. O livro foi uma cortesia do autor, atualmente meu interlocutor frequente.

Thaise Monteiro
Escritora e atriz

Entre as minhas leituras programadas para 2019 estão os livros “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, e “Cronista de Um Tempo Ruim”, de Ferrez. Essas duas obras criticam a miséria social, cultural e moral, resultado de um sistema injusto, os horrores político-sociais brasileiros, a partir do ponto de vista de quem é duramente oprimido por esse sistema, questões que são do meu extremo interesse.

Na sequência, pretendo ler ”A Jaca do Cemitério é Mais Doce”, de Manoel Herzog, e ”Nossa Teresa – Vida e Morte de Uma Santa Suicida”, de Micheliny Verunschk. Conheço a poesia de Herzog e de Micheliny, mas não conheço nenhum de seus romances. Por isso, em 2019, pretendo ler A jaca do cemitério é mais doce e Nossa Teresa. Os dois livros são premiados, o de Manoel Herzog foi segundo lugar no prêmio da Biblioteca Nacional, em 2018 e o livro de Micheliny foi vencedor do prêmio São Paulo de Literatura, na categoria melhor romance escrito por autor estreante no gênero, acima de 40 anos, no ano de 2015.

De literatura goiana estou aguardando, para 2019, o lançamento de ”Taipografia”, de Fernanda Marra, e “Antologia Clandestina Vol. 2.

Acompanho Fernanda Marra nas redes sociais e em seu blog, mantido entre 2008 e 2015, onde pude ler alguns de seus poemas, agora organizados em Taipografia”, livro que será publicado em 2019, pela Martelo Casa Editorial. Em dezembro desse ano, a editora lançou uma plaquete com três poemas homônimos à obra e pela qualidade poética não poderia estar menos ansiosa pelo lançamento e pela leitura do livro.

Já o segundo volume da Antologia Clandestina, que será lançada pela editora da UFG, reunirá diversos autores goianos, voltados para a lógica da poesia marginal. O livro será uma oportunidade de conhecer a multiplicidade na produção da poesia goiana, especialmente de jovens autores que ainda não tiveram oportunidade de publicar.

Estou ansiosa para ler também, em 2019, o “livro do ano” de 2018: “À Cidade”, de Mailson Furtado Viana, livro de autor independente vencedor do Prêmio Jabuti, na categoria poesia e na categoria “livro do ano”.

(*obs: nomes por ordem alfabética)

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