Com leitura vigorosa de Hilda Hilst, Fernanda Montenegro emociona público em Paraty

Compositora Jocy de Oliveira apresentou músicas em homenagem à escritora; público lotou o auditório e a tenda montada na Praça da Matriz

Fernanda Montenegro terminou a leitura de pé e emocionada | Foto: Walter Craveiro/Flip2018/divulgação

 

**O texto é da Agência Brasil

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) abriu sua 16ª edição com uma performance celebrando o caráter transgressor da obra de Hilda Hilst, escritora homenageada deste ano. A sessão de abertura contou com a atriz Fernanda Montenegro e a pianista Jocy de Oliveira, uma das pioneiras da ópera multimídia no Brasil.

O público lotou o auditório da Flip e também a tenda montada na Praça da Matriz para quem quiser acompanhar as mesas de graças no Centro Histórico de Paraty. Sem lugar em ambos os espaços, outra parte do público se espremeu embaixo das árvores e telhados dos sobrados do Centro Histórico de Paraty, quando a chuva fina se tornou mais forte, ainda nos primeiros momentos da apresentação da atriz.

Fernanda Montenegro fez uma leitura vigorosa e intensa de textos da escritora. “Leiam-me. Não me deixem morrer”, clamava em um dos trechos. Em outro, Hilda confessava que escrevia por debilidade, em uma tentativa de se aproximar do outro – tentativas essas que renderam suas obras de ficção e dramaturgia. “A distância ainda era muito grande”, desabafou. Na voz de Fernanda Montenegro, Hilda Hilst narrou que sempre se sentiu diferente, pois havia nela uma grande compaixão pela vida e pelo mundo, por ter sempre diante de si a perspectiva da finitude e da morte.

Trechos pornográficos e bem humorados também permearam a leitura da atriz, que arrancou risadas do público com um texto que narra a criação de um exército de extermínio formado por “velhinhas”, que cutucariam as nádegas dos poderosos e corruptos. Fernanda terminou a leitura de pé, exaltando a escritora, que é de sua geração. “Maravilhosa Hilda Hilst! Inesgotável Hilda Hilst!”, exclamou emocionada.

O segundo ato da homenagem de abertura teve duas óperas da compositora multimídia Jocy de Oliveira, pioneira do gênero no Brasil. Duas sopranos apresentaram primeiro a peça Ouço vozes que se perdem nas veredas que encontrei, composta por Jocy em 1981.

A compositora leu um texto de homenagem a Hilda Hilst e destacou primeiro o caráter místico de sua obra e suas tentativas de contato com o mundo dos mortos quando se isolou em uma chácara em São Paulo, chamada de A Casa do Sol. Hilda Hilst espalhava gravadores pela casa na tentativa de captar vozes do além, e a morte era tema frequente em sua obra.

Em um segundo momento, Jocy destacou a inventividade da literatura de Hilda e a ousadia de ser uma mulher disposta a escrever sem pudores no Brasil de sua época.

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