Capital do documentário brasileiro por seis dias

De 4 a 9 de setembro, 26 filmes serão exibidos diariamente no PirenópolisDoc, com entrada gratuita, no Cine Pireneus. Quarta edição do evento homenageia a única representante feminina do Cinema Novo, Helena Solberg

Helena Solberg, a única mulher integrante do Cinema Novo no Brasil: obra é marcada pela ousadia | Foto: Divulgação

Município que é uma das principais referências para o turismo em Goiás e que também se insere no circuito nacional de festivais de cinema, atraindo a participação de realizadores goianos e de outros estados do País. Não, não estamos falando do Fica. Estamos falando de Pirenópolis, que pela quarta vez sediará Festival de Documentário Brasileiro, o PirenópolisDoc. A programação reúne documentários de curta e longa metragem de todas as regiões do Brasil, em mostras competitivas e especiais, com temáticas. “A curadoria leva em consideração filmes que estimulam a reflexão e permitam que o espectador encontre novas perspectivas para a realidade”, afirma Fabiana Assis, diretora geral e curadora do festival.

De terça-feira, 4, a domingo, 9, 26 documentários selecionados serão exibidos diariamente e com entrada gratuita no Cine Pireneus em três mostras competitivas: Nacional de curtas e longas-metragens e Regional, com prêmios de Júri Oficial, Júri Jovem e Júri Popular. Além disso, o Sesc TV vai oferecer um prêmio de aquisição, no valor de R$ 4 mil, para exibir a obra vencedora na programação do canal.

A abertura acontece nesta terça-feira, às 20 horas, com exibição do filme “Carmen Miranda: Bananas is my Business” (1994), da cineasta Helena Solberg, a única mulher integrante do Cinema Novo no Brasil. Feminista, com 80 anos de idade e mais de 50 de carreira, participante dos movimentos políticos pelos direitos das mulheres desde a década de 1960, Helena é a grande homenageada desta edição e, na condição de convidada especial, estará presente durante toda a semana em Pirenópolis participando dos debates após as exibições.

“O PiriDoc tem esse intuito de homenagear os mestres e os pioneiros do documentário brasileiro e em um tempo em que se discute tanto o protagonismo feminino no cinema brasileiro, acho muito importante a presença dela aqui. Helena é uma pioneira”, avalia Fabiana. A “Mostra Retrospectiva Helena Solberg” trará filmes que foram raramente exibidas para o público brasileiro. A ousadia é uma marca da obra da cineasta. A exemplo de seu trabalho mais recente, de 2017, “Meu Corpo Minha Vida”, que tem o aborto como tema.

Mostras, oficinas e acessibilidade

Mostra celebra o cineasta chileno Patricio Guzmán, reconhecido e respeitado em todo o cenário mundial | Foto: Reinaldo Ubilla

Segundo a curadora do festival, outras marcas estão sendo superadas pela quarta edição do PiriDoc. “Estamos ampliando o escopo da programação e finalmente conseguimos dedicar parte dela ao cinema produzido na região Ibero-América.” Ela se refere à mostra paralela “Conexões Ibero-América: Constelação Patrício Guzmán”, de curadoria de Rafael de Almeida, que exibirá filmes raros, muitos deles inéditos no Brasil, do cineasta chileno Patricio Guzmán, reconhecido e respeitado em todo o cenário mundial, como um dos maiores documentaristas vivos da atualidade.

“Seus filmes trazem uma temática engajada a respeito do passado político do Chile e que é muito pertinente exibir em um festival no Brasil, principalmente no momento político que a gente vive. Pois apesar de serem problemas do Chile, eles servem para que nós, brasileiros, possamos olhar para nossos problemas através de seus filmes”, reflete Fabiana.

Dentre as novidades que o PiriDoc traz para este ano, o programa Primeiro Corte, laboratório para realizadores de documentários em fase de pós-produção, além da tutoria, oferecerá também uma consultoria de mercado, pensada para guiar os cineastas sob as perspectivas da venda de documentários no Brasil, numa proposta de ampliar as possibilidades de difusão. O programa receberá Marcelo Pedroso, natural de Recife, documentarista e mestre em cinema, que será o tutor deste ano, e Renée Castelo Branco, responsável pela faixa de documentários da Globo News, que fará a consultoria de mercado.

Filme “Elegia de um Crime” concorre na Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens | Foto: Divulgação

Todo ano o festival traz também, no intuito de contribuir com a formação e o debate acerca da produção cinematográfica, um curso gratuito de Cinema Documentário e Experimental. Nesta quarta edição, o cineasta Luís Henrique Leal levará aos participantes a oportunidade de refletir sobre este gênero, suas especificidades na história do cinema e suas possibilidades de construção de sentido.

Esta também será a primeira vez que o PiriDoc realizará uma sessão especial acessível aos portadores de deficiência visual e auditiva, com tradução em libras, audiodescrição e legenda descritiva, buscando cada vez mais tornar o cinema documentário brasileiro acessível a todos.

Serviço
IV PirenópolisDoc

Data: de 4 a 9 de Setembro
Local: Cine Pireneus – Pirenópolis
Informações e programação completa: www.pirenopolisdoc.com.br

Filme CorpoStyleDance Machine, que será exibido na Mostra Competitiva Nacional de Curtas Metragens | Foto: Divulgação

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