Festival de Berlim começa com um romantismo otimista, mas irreal

Gentileza e boas intenções podem ser a história de um filme, mas nada têm a ver com a realidade da vida numa cidade como Nova Iorque. Por isso, foi um tanto incompreensível a abertura do Festival de Berlim com  o filme da dinamarquesa Nora Scherlig

Foto: Reprodução

Por Rui Martins*
De Berlim

“The Kindness of Strangers” ou a “Gentileza dos Estranhos”, a história de uma jovem mãe com dois filhos não chega sequer a ser uma fábula sobre o milagre da autoajuda numa grande cidade, contando com uma mulher pode romper o casamento, justamente com um policial capaz de localizá-la, e sobreviver utilizando-se de pequenos furtos.

Nora Scherlig reconhece que seus personagens estão longe de qualquer intenção política, mostrando que desde seu ponto de partida seu filme estaria  mais próximo de um conto de fadas, irreal e desnecessário, um tanto distante dos filmes exibidos em Berlim, mesmo se sua intenção era contar histórias de diversas pessoas em crise, ajudados por bons samaritanos.

A sinopse do filme deixa os espectadores realistas decepcionados – ¨com um olhar aguçado, Lone Scherfig explora o comportamento humano em condições extremas. Ela retrata a dureza da vida na selva urbana, mas também demonstra o que pode crescer quando estranhos se aproximam em amizade e com o coração aberto¨. Poderíamos acrescentar – de boas intenções o inferno anda cheio.

Rui Martins está em Berlim, convidado pelo Festival Internacional de Cinema

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