Bariani Ortencio, o paulistinha mais goiano do Brasil, vai receber o Troféu Seriema 2020

Se alguém disser que o nome de Bariani Ortencio deve ser Bariani da Cultura Ortencio ninguém discordará. Estará dizendo uma verdade e fazendo uma constatação

 Nilson Jaime

Especial para o Jornal Opção

O menino Valdomiro só não nasceu mineiro por mó de o Rio Grande.

É que a pequenina Igarapava, pertencente à Região Metropolitana de Franca, na Mesorregião de Ribeirão Preto, fica na divisa hidrográfica de São Paulo com Minas, no lado mais rico da Federação.

Na bucólica cidadezinha, em 24 de julho de 1923, nascia Valdomiro Bariani Ortencio (lembro ao corretor de texto que é Ortencio, sem acento circunflexo no “e”).

Bernardo Élis e Bariani Ortencio: escritores | Foto: Reprodução

Ali, entre uma bobagem e outra, “Badu”, menino de 9 para 10 anos, assuntava o passar da soldadama, jagunços, puxa-sacos e inocentes úteis durante a fratricida Revolução Constitucionalista de 1932.

No ano de 2005, o experimentado escritor Bariani Ortencio registraria sua vida de menino no livro “A Fronteira — Revolução Constitucionalista de São Paulo, 1932” (327 páginas), vencedor do 27° prêmio Clio de História 2004, da Academia Paulistana de História.

Nesse interregno de mais de 70 anos, Bariani Ortencio mudou-se para Campinas, quando Goiânia tinha apenas 5 anos; escreveu 52 livros, dos quais publicou 44; fundou o Bazar Paulistinha, de vendas de  discos e instrumentos musicais; compôs mais de 50 músicas, grande parte gravada por Lindomar Castilho e Júlia Franco; apadrinhou dezenas de escritores; brigou e desbrigou com o amigo, compadre e companheiro de viagem e de literatura Bernardo Élis; fez muita propaganda da cachaça Vale do Cedro, que degusta socialmente, nunca se esquecendo de derramar ao solo a porção do Santo; escreveu o “Dicionário do Brasil Central — Subsídios à Filologia” (Editora Ática, 1983, 472 páginas) que considero uma grande obra; enveredou-se pelos sertões e veredas da gastronomia, legando-nos o épico “Cozinha Goiana”, com “n” edições esgotadas; é plenipotenciário participante da Academia Goiana de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico e das mais relevantes academias de Letras do interior, sendo o “eterno tesoureiro das instituições sem dinheiro”.

Bariani Ortencio: um autêntico polímata | Foto: Reprodução

Cronista, historiador, ficcionista, gastrônomo, compositor e folclorista, Bariani Ortencio, na experiência de seus 97 anos, é o mais generoso e profícuo mecenas de Goiás. Ajuda a todos que o procuram.

Gosto de visitá-lo em sua casa-biblioteca, no Instituto que leva o seu nome. Aprender com ele as crendices e costumes do homem cerratense.

Bariani supriu-nos a falta de Carmo Bernardes. É o nosso Câmara Cascudo.

Gosto de sua determinação e disciplina para com a escrita. Aprendo com sua cultura polímata.

Aprecio sua alma boa e invejo sua língua afiada, que fala verdades indizíveis. Admiro seu coração maiúsculo. Apraz-me sua imensa biblioteca da cultura aquém Tordesilhas.

Gosto da forma como me cobra os livros emprestados, toda vez que me vê, citando o adágio de que, “em empréstimo de livros, só tem dois bobos: o que empresta e o que devolve”.

Bazar Paulistinha | Foto: Reprodução

Devolvo-lhe a pilhéria, afirmando que só ele e Paulo Coelho ficaram ricos com a Literatura. Bariani meneia a cabeça e sorri seu riso assônico.

No dia 21 de novembro, sábado, às 9 horas, o Instituto Bernardo Élis (Icebe) vai homenagear esse notável escritor, amável amigo e grande homem da Cultura, em um Colóquio Virtual (Live).

Bariani Ortencio receberá o Troféu Seriema 2020, primeiro de uma série, desenhado pela artista plástica Maria Carmelita Fleury Curado, viúva de Bernardo Élis e membro do Icebe, cadeira n° 1 — a ser entregue anualmente a uma personalidade da Cultura goiana pelo conjunto da obra.

Vamos participar e homenagear esse grande goiano nascido em São Paulo.

Será uma oportunidade singular de reconhecer, em vida, os méritos de um grande amigo da Cultura.

Nilson Jayme, doutor em Agronomia pela UFG e escritor, é colaborador do Jornal Opção.

2 respostas para “Bariani Ortencio, o paulistinha mais goiano do Brasil, vai receber o Troféu Seriema 2020”

  1. Raquel Jaime disse:

    Excelente, texto e divulgação !
    Raquel Jaime

  2. Parabéns pela homenagem ao Bariani Ortêncio, que é mais do que merecida.

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