Badauí, do CPM 22: “Festivais em Goiânia são incríveis”

Vocalista esteve na capital para inauguração do “Cão Véio”, ao lado de Henrique Fogaça. Em conversa com o Jornal Opção, falou de sua aventura pelo universo da gastronomia, sobre a parceria e amizade com o chef de cozinha e projetos da banda 

Fernando Estéfano Badauí, ou simplesmente Badauí, vocalista da CPM 22. Foto: Divulgação

Ele chegou discretamente ao evento e por um tempo permaneceu. Parecia que sua intenção, a princípio, era só observar aquele momento, que também era seu. Ao ouvir seu nome ser chamado, foi fisgado do estado absorto e contemplativo, e prontamente deixou seu cantinho. Foi assim que Fernando Estéfano Badauí, ou simplesmente Badauí, reagiu ao ser solicitado para conceder uma breve entrevista ao Jornal Opção.

O vocalista da banda CPM 22 esteve na última quinta-feira (6/12) em Goiânia para um compromisso diferente daqueles que usualmente o leva a várias cidades do Brasil: a inauguração do gastropub “Cão Véio”, franquia de hamburgueria com temática rocker, na qual é sócio do chef ‘celebrity’ Henrique Fogaça. Há cerca de cinco anos, Badauí uniu forças a Fogaça para concretizar o projeto de ter seu próprio bar e o projeto já rendeu seis unidades em capitais brasileiras.

Além disso, a banda liderada por Badauí dá nome ao rótulo da pilsen lançada em parceria com a Cervejaria Bamberg. Em rápida e amistosa conversa, o vocalista falou de como tem sido esta sua aventura pelo universo da gastronomia, sobre a parceria e amizade com o chef Fogaça e como concilia os compromissos de seus negócios com as atividades da banda CPM 22, com a qual está em turnê para divulgação de “Suor e Sacrifício” (2017). O mais recente disco da banda, lançado pela Universal Music, traz, dentre outras faixas, “Honrar Teu Nome”, canção que Badauí fez em memória do pai falecido. “Não a considero uma música triste. Ela é nostálgica. Lógico, está carregada de sentimentos; é uma despedida. Considero mais uma catarse, algo para se sentir aliviado depois. É a sensação que ela passa.”

Confira abaixo os principais momentos do bate-papo:

A experiência na Gastronomia

“Cada dia um aprendizado. Nos primeiros anos desta experiência, 2013, 2014, 2015, a gente meio que bateu cabeça. Ninguém era do ramo, à exceção do Henrique (Fogaça), mas ele era mais do lado de dentro da cozinha. Não cuidava do lado administrativo do restaurante dele, o Sal Gastronomia, o único que ele tinha na época. Ele também não tinha o knowhow que tem hoje. A minha concepção de bar era unicamente como frequentador. A gente (referindo-se à banda CPM 22) tem a oportunidade de viajar pelo País inteiro, pelo exterior também, e acaba que adquire muitas referências para fazer nosso próprio bar. Mas, dentro do aspecto administrativo, acaba demorando um pouco para ir pegando o jeito. Tem que ir aprendendo. Hoje a gente tem uma equipe bem completa e muito competente. Depois de dois anos que abrimos o bar, o Henrique estreou na televisão e agora ele é uma celebridade, um chef reconhecido internacionalmente. A marca está crescendo e pudemos abrir esse bar ‘lindão’ aqui em Goiânia Também, claro, tem o fator sorte. Claro que ainda ganho muito mais tocando, mas o bar é uma coisa para o futuro. Não se sabe o dia de amanhã e é importante diversificar.”

Amizade com Fogaça

“O Henrique também é desse meio, do punk rock e hardcore. Temos vários amigos em comuns e diversas vezes nos encontrávamos nas festas. Eu ia aos shows de sua banda (a Oitão) e também sempre gostei de ir ao restaurante dele, o Sal, próximo de minha casa. Eu gosto de comer em vários lugares de São Paulo; tenho até um Instagram de comida junto com a minha mulher. Assim a amizade foi fortalecendo. A ideia do bar, na verdade, era minha e do Kishi (Marcos Kichimoto, promoter). Nem cogitávamos termos o Henrique. Havia outros dois sócios, mas esses caras deram para trás. Em uma noite, Kishi e eu fomos ao Sal tomar uma cerveja após o expediente do Henrique, quando ele estava livre. Só estávamos comentando sobre a ideia do bar ao Henrique, mas ele realmente começou a se interessar. De repente, ele virou e disse ‘estou dentro’. Abrimos um espaço pequenino em São Paulo, estilo pub, mais aconchegante, mas aí o Henrique estreou na TV e o bar começou a ficar muito cheio, com muita fila de espera. Foi quando decidimos ampliar e também abrir outras unidades em outras cidades.”

Badauí na inauguração do “Câo Véio”, em Goiânia. Foto: Marília Noleto

CPM 22, trabalho e carreira

“Vai tudo indo muito bem. Lançamos em 2017 o disco ‘Suor e Sacrifício’, que nosso produtor (Paul Ralphes) diz ser um dos melhores da banda, do qual faz parte a faixa ‘Honrar Teu Nome’. A gente está no meio da turnê muito legal. Já foram mais ou menos 100 shows neste ano. Como o Brasil é bem grande, não viemos para Goiânia ainda, mas é bem possível. Há muitas conversas. Em setembro, estivemos aqui por perto, em Brasília, para um ‘showzaço’ no Porão do Rock. Enfim, a carreira está muito bem, com 6 a 8 shows por mês. Dada a falta de espaço para a divulgação, até que vamos bem. A cena existe, e é bem forte. O que não está forte é a mídia de massa. Em rádio e televisão, não há mesmo espaço para rock de verdade. Ao contrário dos festivais, como o João Rock, de Ribeirão Preto (SP), muito grande, para 50 mil pessoas, só com bandas alternativas de rock, pop rock e hardcore. Público tem, o que falta é as pessoas da televisão abrirem a cabeça e divulgarem mais. Mas estou tranquilo. Faço uma quantidade confortável de show, de modo que mantenha a banda ativa e eu possa acompanhar o crescimento do bar. E viver um pouquinho também, podendo viajar, curtir família, festas, amigos. Passei 18 trabalhando como um louco. Hoje consigo equilibrar bem uma rotina de trabalho, mas com mais descanso.”

Cena goiana

“Aqui em Goiânia eu conheço…. É ‘Diablo’? (Risos) Isso! Já fiz um show lá, com minha outra banda (Medellin, com a qual se apresentou em 2015), que tem uma pegada mais hardcore. Mas todo mundo me fala desta cena muito forte que existe por aqui. Sei dos festivais incríveis que rolam por aqui, como o Bananada, mais para bandas independentes. Me lembro que a MTV chegou a transmitir alguns. Agora de nossa parte, só estamos à espera de que alguém resolva trazer novamente para voltarmos a Goiânia e fazermos um ‘showzaço’ por aqui, com certeza!”

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