Autor de um dos livros mais aterrorizantes de 2020 é otimista quanto ao futuro do mercado literário

Jorge Alexandre Moreira ficou entre os 10 finalistas do Prêmio Jabuti 2020 com seu Numezu, um romance de terror que faz um verdadeiro mergulho nas sombras do comportamento humano

Jorge Alexandre Moreira | Foto: Flávia Freitas / Divulgação

Jorge Alexandre Moreira lançou seu primeiro livro de forma independente, em 2003, quando essa não era uma prática comum no mercado. Escuridão, um terror ambientado na Amazônia, com um conflito entre Brasil e EUA como pano de fundo, que foi considerado por diversos sites como um dos melhores livros do gênero já publicados no Brasil.

Para levá-lo às livrarias, Jorge fez um trabalho de formiguinha. “Eu achava que o pior era publicar, mas eu não tinha ideia do quanto era difícil distribuir um livro”, enfatiza Jorge, que lembra que quase não se comprava pela internet naquela época. Este ano, lançou o romance NUMEZU, que foi um dos 10 finalistas do Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do país. Foi a primeira vez que um livro de terror constou da lista.

Segundo ele, o terror provoca emoções fortes, questionamentos profundos, especialmente sobre a alma humana: “além do componente de mistério, que sempre me cativou, desde criança, eu gosto de fazer as pessoas se perguntarem sobre as outras e sobre si mesmas. O bom livro de terror incomodará o hipócrita”.

Apesar de estarmos vivendo tempos de mudança para todos os mercados, e os últimos anos não terem sido muito bondosos com o mercado editorial, Jorge se diz otimista: “acredito que muitos talentos novos e inquestionáveis estão despontando na literatura de ficção e há editoras, profissionais e leitores que estão começando a perceber isso. Tenho certeza de que, quanto mais a cena da literatura de ficção nacional se torne mais competente, mais divertida, mais promissora, mais os brasileiros vão aderir ao gênero”, reflete.

Em 2021, Jorge espera escrever bastante: “nos dois últimos anos, foquei bastante em divulgação e acabei produzindo pouco. No ano que vem, pretendo focar quase que exclusivamente na produção. Eu nunca falo sobre o que estou escrevendo, mas tenho algumas coisas muito boas na manga, que só precisam de revisão, e algumas que acho que são muito boas na cabeça. Vamos ver”.


Sobre NUMEZU

Mais do que um livro de terror, Numezu é um mergulho nas sombras do comportamento humano. A história traz Laura e Raoul, um casal em crise, isolado num barco e que encontra uma antiga estatueta – a imagem de uma entidade perversa, ardilosa, que manipula as fragilidades humanas para conseguir liberdade. Agora, os fantasmas pessoais, desejos secretos e disputas de poder que já assombravam Laura e Raoul ganharão um componente violento e sombrio.

Sexo, violência, drogas, terror. Numezu é um livro tenso, claustrofóbico, não destinado aos estômagos fracos. Mesmo transitando pelo sobrenatural, ele não nos deixa esquecer que os piores monstros são humanos. Uma leitura de tirar o fôlego, do começo ao fim.

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